[043] Os 25 anos da Escola Secundária José Afonso

Memórias

A comemoração dos 25 anos da Escola das Cavaquinhas ocorreu durante o 1º período de 1990-91.
Não tenho memória pessoal da festa que foi organizada, pois não ter participado nela. Mas, perto do final do ano lectivo, fiquei com uma ideia, através do novo número do Nova Maré (o jornal do Curso de Jornalismo e Turismo), onde a comemoração era noticiada.
A imagem seguinte mostra parte de duas das páginas do jornal, sendo reconhecíveis na fotografia, da esquerda para a direita, a Ana Chorincas, a Manuela Vieira e o José Calqueiro (membros do Conselho Directivo), o Joaquim Barbosa (primeiro director da escola), o Luís Carlos Carvalho (presidente do CD) e a Madalena Silva:



Este número do Nova Maré contava algumas histórias sobre os primeiros anos da escola e publicava entrevistas a membros da comunidade escolar em diversas alturas da sua existência.

Além do aniversário, um outro aspecto simbólico da escola esteve, durante este ano lectivo, em evidência: o da sua designação oficial. O Ministério da Educação decidira que cada escola tivesse um patrono, cujo nome seria integrado na designação da escola; no caso desta, após algumas hesitações, o patrono proposto foi o José Afonso; a aprovação só viria a acontecer dois anos depois de a proposta ser enviada, mas a escola, futura Secundária José Afonso, como forma de mostrar a sua convicção no patrono que escolhera, decidiu criar o logótipo que iria acompanhar a sua nova designação – e isso foi feito durante este ano lectivo, 1990-91.

Naturalmente, coube ao novo Conselho Directivo coordenar estes processos. Na seguinte fotografia, tirada por mim no dia 23 de Abril de 1991, figuram, da esquerda para a direita, sentados nas suas secretárias, o José Calqueiro, o Luís Carlos Carvalho e a Manuela Vieira (não estou certo sobre a identidade da quarta pessoa fotografada: a Célia Pereira?). Do CD, faltam na fotografia a Ana Chorincas e a Rosário Leocádio:



Comentários

Por volta do 25 de Abril, esta escola era designada por «Comercial e Industrial», correspondendo-lhe um logótipo (desenhado, no início dos anos 70, por um aluno cujo nome não foi registado) que o traduzia bem: havia, inicialmente, cursos de Comércio, Electricidade e Mecânica, depois surgiram os de Administração, Contabilidade, Jornalismo e Turismo, assinalando a deslocação do «industrial» para os «serviços» (o curso de Produção Aquática, por exemplo, não vingou).
A mudança do nome para «Secundária do Seixal» (primeiro sem e depois com o «Nº 1», para a distinguir da vizinha «Nº 2», situada no Cavadas) parece ter sido ditada por uma uniformização administrativa, conveniente numa altura em que, para responder ao enorme aumento da procura, se multiplicavam os estabelecimentos escolares. Mas durante o tempo em que duraram estas designações, o logótipo da escola não mudou.
Desta vez, à inclusão de um patrono (José Afonso) no nome da escola correspondeu um novo logótipo (desenhado por outro aluno, Luís Rosa), que, necessariamente, teria de procurar uma nova interpretação do que a escola propunha aos seus alunos.

Eis os logótipos, o primeiro da Escola Técnica e Comercial (Escola Secundária do Seixal) e o segundo da Escola Secundária José Afonso:


Os dois logótipos têm em comum a utilização de uma esquadria e a figuração de uma ondulação.
Do primeiro para o segundo, a «esquadria» arredonda-se, mas não desaparece (como sucede em muitos logótipos mais recentes). Sinal de uma escola protectora?
A «ondulação» é uma invariância transversal à vida desta escola, não deixando esquecer a permanência visual da baía e do vai-e-vem das suas marés; mas, do primeiro para o segundo logótipo, ela estiliza-se mais radicalmente. Se procurarmos possíveis simbolismos, ela pode aludir a um outro vai-e-vem, o das gerações de alunos.

Nos seus outros componentes, os dois logótipos divergem.
O logótipo do início dos anos 70 é a preto e branco e quadrado, símbolos de tempos menos complexos. Evoca a navegação (ainda activa na baía) e dois grandes ramos de profissões que marcavam o concelho e que eram leccionados, desde há muito tempo, na escola. Eis a inspiração para o «I» da «indústria» que nele figura:


O logótipo do início dos anos 90 surgiu quando as mudanças em curso não estavam ainda claras. È a cores e rectangular, símbolos de um tempo em que as diversidades se começavam a manifestar mais fortemente.
Trata de um logótipo interessante esteticamente mas arriscado simbolicamente: deixa no ar uma vela sem barco (como recordação de uma navegação que já não se fazia?), sugere o patrono através da viola e arrisca uma interpretação escrita (impressa?) da escola, não podendo adivinhar o que ainda estava longe de se vir a afirmar e a consolidar.

Dispondo agora de um logótipo belo, mas simbolicamente circunstancial, a escola é mais fortemente representada pelo seu patrono, músico e poeta da emancipação, tendo assim de decidir se o segue, no que ele inspirou, ou se apenas o usa, através daquilo que os tempos actuais facilmente permitem.

Definitivamente infeliz, na designação da escola, foi a inclusão do «Dr.» antes do nome do seu patrono.

O cosmopolitismo que se espera de um patrono (alguém local ou não local que se elevou para além de qualquer local) é uma oportunidade para as escolas actuais saírem do isolamento que, paradoxalmente, mais hoje do que ontem, lhes tem sido imposto, em nome da concorrência. Mas quantos patronos correspondem a esse cosmopolitismo e quantas escolas exploram as oportunidades que eles lhes proporcionam?

As escolas, antes de se guindarem à representação simbólica, deveriam procurar entender-se sob diversas perspectivas.
Em primeiro lugar, quem são os seus alunos e as suas famílias, quais as suas heranças culturais (o que trazem nas «mochilas» com que entram na escola) e as suas expectativas sociais?
Depois, quem são os seus funcionários e os seus professores e com que ferramentas encaram eles a educação, nos contextos em que estão?
Por fim, sobretudo nos tempos de hoje, quais são os sinais que vêm de mais longe, e como querem as comunidades escolar e educativa interpretá-los e com eles dialogar?

Fontes:
Contreiras, Ferreira, Santos e Santos (livro, 2017; pp. 122-124 e 219-220)
Pedro Esteves / Álbum de fotografias analógicas ESJA Três (F101: 28) / jornal Nova Maré (Nº 27)

[042] As minhas três turmas do 7º ano em 1990-91

Memórias

As minhas anteriores três turmas do 7º ano foram reduzidas, em 1990-91, a duas turmas do 8º ano. E como eu deixara de ter «cargos» na escola, atribuíram-me três novas turmas do 7º ano. Eis os alunos destas turmas:






E eis o meu horário para 1990-91, concentrado nas manhãs e entrando em duas tardes (as Quartas-feiras, com os três Sétimos anos de manhã, uma hora para almoço e, à tarde, as duas turmas do Oitavo e a «sala de Jogos», devem ter sido um pouco violentas):



O trabalho em Matemática com as três turmas do 7º ano foi articulado com alguns colegas de outras escolas. Tínhamos decidido, no final do ano lectivo anterior, realizar uma experiência pedagógica no 7º ano, a coordenar no âmbito do Núcleo Regional da Associação de Professores de Matemática. Chamámos-lhe Projecto AlterMATivas (nome que eu já utilizara, em 1989-90, na Escola Secundária Nº 1 do Seixal), e referir-me-ei a ele noutro testemunho.
A equipa deste projecto combinou iniciar as aulas com um inquérito aos alunos (o José Tomás e a Rita Vieira elaboraram duas versões para ele), que seria tratado estatisticamente nas aulas seguintes. Nas minhas notas de acompanhamento anotei ter precisado de 4 aulas para a apresentação entre o professor e os alunos, para o inquérito e para o tratamento das respostas, como trabalho de grupo. Entre as coisas que disse aos alunos estava a informação de que, nos testes, poderiam usar o livro, o caderno, a calculadora e … cábulas, mas que não poderiam copiar pelos colegas … (com os colegas, só trabalhos de grupo).
O inquérito não me trouxe grandes informações; os alunos tinham entre 11 e 16 anos (dois com a idade mínima; um com a idade máxima); quase todos vinham das escolas próximas, ou da própria escola (por serem repetentes), e apenas dois vinham de mais longe (um irmão e uma irmã, acabados de chegar do Alentejo).
Achei piada às justificações que dois dos alunos deram para gostarem de Matemática:
Porque nós sem a matemática não temos futuro e eu meto na cabeça que quero ter futuro e por isso gosto da Matemática” (Pedro Paulo);
Porque ao ir a um supermercado não me engano com o troco” (Jeovata).
Anotei ainda algo que eu não previra, e para a qual tive de arranjar uma solução de última hora: a equipa do AlterMATivas iria produzir muitas fichas de trabalho, a usar pelos alunos, e elas deveriam ser arquivadas nos seus cadernos; essas fichas teriam tamanho A4, mas uma parte dos alunos trouxera, para a primeira aula, cadernos A5; a solução foi propor aos alunos que, conforme o caso, procedessem do seguinte modo:


Comentários

A preferência pela continuação do trabalho com as turmas de 1989-90 e pelo início do trabalho com novas turmas do 7º ano (para participar no Projecto AlterMATivas) tinham sido por mim comunicadas ao Conselho Directivo no final do ano lectivo anterior, pelo que não queria turmas do Secundário. Esta minha decisão acabou por se generalizar a todos os restantes anos do meu percurso como professor.

A ideia de introduzir a Estatística logo nas primeiras aulas do 7º ano inspirou-se no artigo de Margarida Cristina Silvam na revista «Educação e Matemática», nº 9, onde ela relata uma experiência feita no Projecto MAT789.

Fontes: Pedro Esteves / Arquivador analógico ESJA Três (Doc.s 8, 9, 99, 100 e 101) / Revista «Educação e Matemática» (nº 9)

[041] As diferentes origens da Associação de Professores de Matemática

Memórias

Descobri, enquanto estagiava em Portimão (1983-85), que alguns dos professores sócios da Sociedade Portuguesa de Matemática se tinham aí organizado para pensarem e introduzirem mudanças no ensino da Matemática. Autodefinindo-se como Grupo Para a Renovação do Ensino da Matemática (GREM), publicaram, de 1981 a 1986, nove números de uma folha informativa a que chamaram Inflexão. Em 1986 o GREM deu origem à Associação de Professores de Matemática (APM), de que cuja chegada aos concelhos de Almada e Seixal dei notícia no testemunho anterior.

No Nº 1 do «Inflexão» (Junho de 1981) pode ler-se:
O ensino que temos assenta em duas traves mestras: - Programas desadequados; – Modelo de ensino tradicionalmente expositivo (centrado no assunto e no professor).
Pelo que se propunha:
Planeamento e organização de módulos de ensino. Elaboração de material didáctico (em especial para ser usado pelo aluno) e de documentação de apoio. Organização de Clubes de Matemática e projectos de acção interdisciplinar. Avaliação e reflexão sobre as experiências efectuadas.
E, como exemplo da elaboração de material didáctico, apresentava-se uma ficha de trabalho sobre a «Adição em Z», na qual me inspirei para produzir variantes destinadas às minhas turmas do 7º ano, primeiro em Portimão, depois no Seixal.

Antes de os voltar a reler, agora, lembrava-me sobretudo de dois contributos destes boletins.

Um deles saiu no Nº 3 (Janeiro de 1983), cuja primeira página era a seguinte:

E o que chamou, em especial, a minha atenção estava bem no centro desta página:


Era importante, para um professor que lê-se estes «direitos» (e que com eles simpatizasse), saber que tinha sido um grupo de colegas a declará-los (caso tivessem sido sua produção), ou a adoptá-los (caso tivessem tido outra origem). Ajudava o leitor a ultrapassar receios de os usar na sua escola, em relação aos seus alunos; permitindo-lhe uma «ousadia» individual, mesmo sem conhecer quem tinha divulgado estes direitos. E foi o que fiz: divulguei-os aos meus alunos em Portimão e, mais tarde, também aos do Seixal.

O outro contributo que me agradou e de que nunca me esqueci foi a descrição de um encontro de professores, ocorrido no dia 5 de Fevereiro de 1986 na Escola Preparatória Marquesa de Alorna (Lisboa). Pretendia-se, nele, preparar o nascimento da APM.
A descrição desse encontro, redigida pelo Henrique Guimarães no Nº 8 do «Inflexão» (Março de 1986), incluía o seguinte parágrafo, de que gostei muito em particular:
Foi manifestado por diversos participantes que não se deseja uma organização pesada, centralizada, com propensões burocráticas e que reduza a sua intervenção à realização periódica de encontros ou outras actividades mais ou menos «grandiosas» que conduzam à participação efectiva de poucos e à contemplação de muitos.

Não me recordo quando e como me fiz sócio da APM, mas era claro que se tratava de uma associação que me interessava.

Comentários

A divulgação dos Direitos do Aluno de Matemática em Portimão não foi nada apreciada pelos meus colegas mais conservadores, nem pela colega que me «orientou» o estágio.

A existência de «direitos dos alunos» tem implicações nos «deveres dos professores» (ou seja, na sua deontologia). Mas, nem estes viriam a ser adequadamente clarificados, nem aqueles foram consolidados - pelo que voltarei a referir uns e outros.

O encontro na «Marquesa de Alorna» teve 31 participantes, do Ensino Básico, do Ensino Secundário e do Ensino Superior. A sua descrição foi das poucas contribuições, se não mesmo a única, que foi assinada nestas folhas informativas.

Os diversos números do «Inflexão» incluíam desafios matemáticos, fichas de trabalho, comentários sobre o ensino, as potencialidades do uso dos computadores e a investigação relacionada com a educação e, nos últimos números, também informações sobre encontros internacionais de investigadores.

Como nada mais retive na minha memória, além do que referi acima, sobre o conteúdo destas «folhas informativas», fiquei agora surpreendido com algumas trechos do que aí reli.
Não foi o caso de se defender, no «Inflexão» Nº 6 (Setembro de 1985), que a futura Associação de Professores de Matemática viesse a ser “dirigida por uma equipa dinâmica que saiba estimular as mais diversas formas de cooperação entre os professores da disciplina e contribuir para o desenvolvimento da sua consciência colectiva.” Mas já me começou a incomodar, no «Inflexão» Nº 7 (Janeiro de 1986), que as razões para a criação da APM fossem um pouco limitadamente apresentadas: “Com o impulso das novas licenciaturas e mestrados em ensino, do desenvolvimento das Ciências da Educação e com a generalização de microcomputadores, surgiu um grupo que, preocupados com os problemas da Matemática em Portugal, julgam ser necessário e possível, através da criação e dinamização de uma Associação de Professores de Matemática, enfrentar de forma mais organizada e produtiva alguns dos problemas que se colocam em Portugal ao ensino da Matemática.” O meu incómodo não teve a ver que a separação, que a seguir se propunha, entre a SPM e a APM, dadas as suas diferentes vocações e a existência de idêntica separação noutros países. O que me incomodou foi a pequena extensão do mundo de preocupados “com os problemas da Matemática em Portugal” – não haveria outros que também assim estavam, e há bem mais tempo?
Este incómodo aumentou muito com a releitura do «Inflexão» Nº 9 (Setembro de 1986), publicado nas vésperas do encontro onde a APM iria ser fundada, em Portalegre. Depois de se defender que as Escolas Superiores de Educação, “enquanto instituições vocacionadas para a formação de professores, podem desempenhar um papel fundamental na dinamização pedagógica das zonas em que se inserem”, escreveu-se o seguinte: “Portugal começa finalmente a restabelecer a sua posição no movimento internacional de reflexão sobre o ensino da Matemática.” “A realização de cursos de pós-graduação em Educação Matemática no nosso país poderá contribuir para criar as lideranças necessárias para a afirmação dum movimento de inovação e renovação curricular. Mas é essencialmente com os professores que estão nas escolas, com a sua dedicação, e a sua capacidade de entusiasmar os alunos e de os envolver na prática da resolução de problemas, da investigação, da descoberta, e aplicação da Matemática, que será necessário contar para uma profunda mudança pedagógica.” Quem assim escreveu, associou a «reflexão» e a «liderança» aos meios académicos e a «dedicação» e a «capacidade de entusiasmar» e de «envolver» aos professores das escolas.

Esta minha surpresa, exactamente 50 anos depois de estas afirmações terem sido feitas, levou-me a perceber que a origem dos problemas associativos que se começaram a manifestar em meados da década de 1990 já estava patente (quase imperceptivelmente) nas vésperas da fundação da APM.
Que sócios iriam querer que esta associação fosse «não centralizada» e que outros a quereriam «centralizada»?

Fontes: Pedro Esteves / Pasta analógica SPM: «Inflexão» (Números 1, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9)

[040] Novidades no associativismo docente em Almada e Seixal

Memórias

Já não me recordo do ano em que me fiz sócio da Associação de Professores de Matemática (adiante refiro-a como APM). De início, limitei-me a adquirir algumas das publicações da minha nova associação; mas, em meados de 1988-89, recebi um folheto anunciando a realização de quatro sessões, a organizar pelo Núcleo Regional de Lisboa da APM:



Tratava-se de um folheto, dobrado em quatro partes, como se depreende da observação das dobras nas imagens da sua «frente» e do seu «verso». Nele estavam escritas três frases que me decidiram a participar (não me lembro se foi numa ou se foi em duas das sessões): «mudança da escola», «renovação do currículo em acção» e «encontros para intercâmbio e ideias».
Lembro-me de aí ter conhecido a Rita Vieira e a Paula Teixeira, uma leccionando em Almada, a outra na Amadora. Pouco depois, com elas e com o José Paulo Viana, que tinha sido meu colega no Pragal (quando me iniciei como professor, em 1979-80), escrevemos um livrinho de problemas que a APM pôs à venda.

Depois, no início de 1989-90, a dinâmica deste associativismo trouxe-me outra surpresa: havia, em Almada e Seixal, professores de Matemática interessados em criar aí um Núcleo Regional da APM!
A iniciativa foi do José Tomás, que argumentou assim:


Depois de uma reunião inicial, os professores que nela apareceram não perderam tempo.
Durante o ano lectivo, o José Tomás e a Palmira Barroso, na Escola Secundária Nº 1 do Laranjeiro (actual Rui Luís Gomes), exploraram o ensino da Geometria no 7º ano; e o Sérgio Valente, na Escola Secundária Anselmo de Andrade, explorou a utilização didáctica dos Computadores.
Adicionalmente, alguns professores decidiram organizar uma final regional das Pré-Olimpíadas de Matemática. Habitualmente, estas eram destinadas aos alunos mais jovens, enquanto as Olimpíadas eram destinadas aos alunos entre o 8º e o 12º ano, sendo umas e outras organizadas pela Sociedade Portuguesa de Matemática. No entanto, apenas as segundas, depois de uma fase inicial, em cada escola, dispunham de uma continuação regional e de uma final nacional. Portanto, a ideia destes professores foi proporcionar uma «final regional» aos alunos mais jovens de Almada e Seixal. Na reunião de preparação, em 29 de Março, estiveram presentes o Adelino Santos (E. S. da Sobreda), a Ângela Queiroz (E.S. Anselmo de Andrade), a Ana Baltazar (E. S. Nº 1 do Laranjeiro) a Ana Paula Machado (E. S. da Cova da Piedade), o Carlos Fonseca (E. B. do Feijó), a Isabel Amaro (E. S. Fernão Mendes Pinto) o Pedro Esteves (E. S. Nº 1 do Seixal) e a Rita Vieira (E. S. Emídio Navarro). A final aconteceu no dia 9 de Maio e os alunos tiveram pela frente os seguintes problemas (penso que foram a Filomena Teles, o Sérgio Valente e eu que os formulámos):


Houve entrega de prémios (em 19 de Maio) e agradecimentos aos apoios dados por um dos municípios.

Para terminar este primeiro ano do Núcleo Regional, ainda foi organizada, desta vez para professores, uma Oficina de Materiais: decorreu num Sábado de manhã (26 de Maio), tendo sido anunciada através deste folheto (frente e verso; para dobrar em dois):




Comentários


O associativismo docente junta professores de diversas escolas e de diversas regiões, proporcionando-lhes dinâmicas de colaboração e de partilha que não são fáceis de encontrar no espaço fechado de cada escola.

Fontes:

Pedro Esteves / Arquivador analógico Núcleo APM Um (Doc. 1) / Arquivador analógico APM Um (Doc. 1) / Arquivador digital Tese de Mestrado (4EXPR61)

Núcleo / Arquivador analógico Encontros Um

[039] O sistema educativo em 1989-90

Memórias

1989-90 foi o último ano da Escola Cultural.

Tal como nos anos anteriores, as lutas sindicais dos professores deixaram marcas nas escolas. Não me recordo das razões que estavam em causa, mas os quatro desenhos seguintes (que quase de certeza afixei na sala de Professores da Escola Secundária Nº 1 do Seixal) dão uma ideia do que se pensava acerca de quem estava do «outro lado da barricada»: o primeiro é de 1988 (representa aquilo que se esperava dos professores e as condições que se lhes não dava); o segundo e o terceiro são de 1989 (um mostra as incoerências de quem governava; o outro glosa uma frase do Ministro da Educação publicada no «Diário de Notícias»); e o último é de 1990 (refere um «aumento» salarial prometido no âmbito de uma campanha de «modernização administrativa»):









Comentários

Desconheço as razões que levaram ao encerramento da Escola Cultural. Mas em 1991, num encontro da Associação da Educação Pluridimensional e da Escola Cultural (AEPEC), o mentor da Escola Cultural, Manuel Patrício, revelou haver, após 4 anos deste projecto, 77 escolas do continente nele envolvidas, apesar do fraco apoio prestado pelo Ministério da Educação. Nesse encontro, Adalberto de Carvalho afirmou que “o projecto educativo dos alunos é que deve estar no centro da actividade escolar e não o projecto da sociedade ou da ciência.”
É possível que, sob o ponto de vista do Ministério da Educação, tenha sido preferível substituir a «Escola Cultural» pela «Área Escola», pois esta em breve entraria em vigor em vez daquela.

Como era de esperar, as divergências sobre as questões económicas eram o principal motivo das lutas sindicais. Mas também havia algum mal-estar em relação às mudanças reformistas que estavam a ser preparadas.

É possível que a grande maioria dos professores não tenha dado a atenção adequada ao Estatuto da Carreira Docente, que foi redigido «de cima para baixo». Os Sindicatos procuraram discuti-lo, mas teria sido necessário que os docentes se apercebessem mais profundamente das grandes questões que nele estavam envolvidas, em particular as formas de hierarquização que através dele se iriam começaram a introduzir nas escolas.

Fontes: Pedro Esteves / Arquivador analógico ESJA Dois (Doc.s 90, 96, 97 e 99) / Arquivador analógico Tese de Mestrado (Doc. 2)

[038] A Escola Secundária Nº 1 do Seixal em 1989-90: alguns balanços

Memórias e Comentários

A colaboração entre várias disciplinas na Sala de Dinamização Cultural, tal como prevista no projecto de Clube Galileu de Ciências, não se concretizou. Mas duas das suas facetas começaram a articular-se, a de «Ludoteca» e a de «Laboratório de Matemática». Sob o ponto de vista da «articulação», pode ter sido pena que estas duas facetas se tenham fisicamente separado nos anos seguintes, pois cada uma passou a ter um «espaço» próprio.

Um exemplo de articulação, entre «Jogo» e «Matemática», é o da seguinte ficha de actividade para alunos, o HEX da MULTIPLICAÇÃO, fabricada durante este ano e disponível desde então nesta Sala (foram fabricadas outras e todas elas divulgados junto de colegas de Matemática da margem Sul e da margem Norte do Tejo):


E um outro exemplo, baseado na articulação de «Quebra-cabeças» e «Matemática», foi o do CIRCUITO FECHADO (de que falarei noutra ocasião), que teve um grande sucesso no 2º e 3º período deste ano. As soluções apresentadas pelos alunos eram afixadas num expositor da Sala. E o Nuno Palhinhas construiu um exemplar em cartolina e começou a fazer experiências em casa, para determinar o circuito mais longo (este era o «desafio» complementar do Circuito Fechado).

No final do ano lectivo elaborei uma estatística à prática do XADREZ, contando com «treinos» e campeonatos internos e inter-escolas. Ela dá uma ideia de quem e quão intensamente praticava esta modalidade (não estão aqui incluídas as inúmeras partidas jogadas nos intervalos e noutras ocasiões):


Não me recordo das razões pelas quais não se desenvolveu na Sala de Dinamização Cultural a colaboração com a Biologia, a Física-Química e a Geografia no âmbito do Clube Galileu de Ciência. Mas lembro-me que Francês (salvo erro) quis aí ter um armário, e ele lá esteve durante dois ou três anos. E lembro-me também de ter desafiado a equipa do jornal Nova Maré a partilhar a Sala e de nunca me ter sido respondido que «não queriam».
Pelo menos no ano lectivo anterior e neste ano eu tinha colaborado com o jornal da escola. Estive várias vezes em casa do Sérgio Contreiras e da Alice Santos, depois de jantar, onde pegava nas colunas com os diversos artigos já «batidos» (na máquina de escrever), as recortava, para experimentar diversas paginações, até que conseguia uma solução; que, depois de aceite, colava numa folha, com um spray (descobri mais tarde que aquilo me fazia cair as pestanas); e assim ficava pronta mais uma página do jornal.
Mas eu não sentia que o jornal fosse «da escola», sendo sim «do curso de jornalismo», pelo que acabei por me desinteressar desta colaboração (o João Louro, que, no âmbito da candidatura à Escola Cultural, propusera que o Nova Maré fosse o elo de ligação entre toda a actividade da escola, fez-me, um dia, um comentário lamentando que as coisas não tivessem seguido na direcção que ele imaginara).

Os tempos em que havia «colaboração» nesta escola, segundo o que ouvia dizer a alguns que nela trabalhavam há mais tempo do que eu, estavam mesmo a transformar-se em tempos de «individualização». Por quê?

Depois dos dois anos em que estive no Conselho Directivo, e de mais estes dois anos como delegado do Grupo de Matemática e como membro do Conselho Pedagógico, o meu interesse em experimentar as potencialidades transformadoras dos «cargos» tinha sido radicalmente reduzido. Aprendera imenso sobre a escola, propusera diversas intervenções «a partir de cima», mas muito pouco ou mesmo nada resultou desse esforço.

No caso do Grupo de Matemática, eu os meus colegas apenas tiveram tempo, no final do ano, para nos pronunciarmos sobre o cargo de delegado (deveria ser rotativo; e o Olímpio Pereira auto-propôs-se e foi aceite por unanimidade para os próximos dois anos); sobre as regras a ter em conta na elaboração dos horários dos docentes e na constituição de turmas (os alunos repetentes deveriam ser colocados em turmas de não repetentes, sem os tornar aí maioritários); e sobre a falta de uma sala de trabalho para o grupo. Não surgiram alternativas para o patrono da Escola; e não foi debatido o que poderia vir a ser o «projecto para o grupo».

No caso do Conselho Pedagógico, a síntese do ano lectivo feita na reunião de 20 de Junho da Secção Pedagógica foi: “Pedagogicamente este ano correu mal: a Escola não assumiu nenhuma iniciativa própria (nem sequer a nível embrionário) […]; o M.E. e a D.R.E.L. agravaram as condições do nosso trabalho.” Não me recordo se esta conclusão foi partilhada, se apenas foi a «minha síntese» (é a única frase que tenho escrita sobre esta reunião).

Na reunião plenária do Conselho Pedagógico, no dia 11 de Julho, os participantes foram informados de que o insucesso escolar em 1989-90 fora de 22,3 % no 7º ano; de 23,2 % no 8º ano; de 23,5 % no 9º ano. E o CD não apresentou o balanço orçamental que prometera (e que, no princípio do ano, um dos membros do Conselho Administrativo - e futuro presidente do Conselho Directivo - achara «evidente» dever ser apresentado).

Ao confrontar estas percentagens do insucesso escolar com as das minhas turmas concluí que o Conselho Directivo as calculara a partir dos alunos que haviam sido avaliados no final do 3º período, ou seja: os alunos que haviam abandonado a escola durante o ano, ou perdido o ano por faltas, não eram considerados como tendo insucesso.

Eis as contas que fiz às minhas três turmas do 7º ano: desde o início do ano tive 78 alunos que participaram em pelo menos uma aula e que depois não foram transferidos para outra turma ou outra escola (houve mais do que um nestas condições); desses 78 alunos, apenas 45 transitaram para o 8º ano; dos outros, 14 não obtiveram classificação suficiente para transitar e 19 abandonaram a escola (ou por faltas, ou anulando a matrícula).

Nestas minhas três turmas do 7º ano, a percentagem de «insucesso sem contar com os abandonos» é muito próxima da percentagem calculada pela escola, pelo que deve ter sido este o modo de cálculo usado.

Não é indiferente calcular o «insucesso» de um ou de outro modo. Num caso, chama-se a atenção para a importância dos «abandonos» e no outro estes são encarados como se a escola lhes fosse indiferente.
Segundo a Lei 46 / 86, a Lei de Bases do Sistema Educativo [testemunho «006»], os alunos que entraram no 1º ano em 1987-88 passaram a ter 9 anos de escolaridade obrigatória; mas os alunos que tinham estado este ano lectivo no 7º ano tinham entrado na escolaridade antes de 1987-88, estando obrigados apenas à escolaridade de 6 anos (os que estavam obrigados aos 9 anos só chegariam ao 7º ano em 1993-94).
Se uma escola com 3º Ciclo se baseasse apenas na «lei», não se sentiria obrigada a pensar nos alunos que a abandonavam. Mas muitas famílias estavam a interessar-se cada vez mais pelo prosseguimento da escolarização dos jovens, desde há pelo menos duas décadas, isto é, mais ou menos desde que esta escola havia sido fundada. No seguinte gráfico, que abrange 30 anos de acesso ao Pré-escolar, ao Básico e ao Secundário, é possível visualizar aquilo a que tecnicamente se chama taxa real de escolarização (escolhi os seus valores de 5 em 5 anos):





Olhando apenas para o 3º Ciclo e para o final da década de 1980 (colunas roxa mais à direita), conclui-se que mais de metade dos jovens que poderiam estar inscritos neste nível de escolaridade o estavam a fazer (apesar de a isso não serem obrigados); as escolas deveriam, pois, preocupar-se com o fenómeno do «abandono». E este Conselho Pedagógico não se preocupara com isso no final deste ano lectivo; e também não retirara qualquer ilação da alta taxa de insucesso que as turmas do 3º Ciclo tinham tido (cerca de 1 em cada 4 alunos «reprovara»).

Como teria sido encarado o «sucesso», nesta e noutras escolas, nos tempos em que o «acesso» à escolaridade começara a crescer?

Algures no final do ano lectivo foi eleito um novo Conselho Directivo, que entrou em funções no dia 15 de Julho. Tal como para o biénio anterior, não houve concorrência, a única lista era composta por: Luís Carlos Carvalho, Manuela Vieira, José Calqueiro, Ana Chorincas e Rosário Leocádio.

Fontes: Pedro Esteves / Arquivador analógico ESJA Dois (Doc.s 62, 71, 87 e 104); Livro (Esteves, 2023; p. 39)

[037] A Escola Secundária Nº 1 do Seixal em 1989-90: Junho

Memórias

No dia 2 de Junho a Sala de Dinamização Cultural foi mais uma vez palco de um torneio de Xadrez, agora inserido nas actividades do Desporto Escolar, o Encontro de Clubes Escolares do Distrito de Setúbal:


Por impossibilidade da Escola Preparatória de Alcácer do Sal, participaram apenas quatro equipas, pelo que se acordou o confronto entre as duas dos «unificados» (actual «ensino básico»), a equipa da Escola Preparatória Nº 1 de Vale da Romeira (actual António Augusto Louro) e a da Escola Secundária Nº 1 do Seixal), ambas compostas por 6 jogadores, e entre as duas equipas  dos «complementares» (actual «ensino secundário»), a da Escola Secundária da Baixa da Banheira e a da Escola Secundária Nº 1 do Seixal, ambas compostas por 4 jogadores (a do Seixal incluía alguns alunos dos «unificados»).

Eis os resultados, tabuleiro a tabuleiro:




No dia 5 de Junho várias turmas, acompanhadas por um bom número de professores, foram passar uma manhã e uma tarde no Onda Parque (próximo da Costa da Caparica; entretanto, desde há anos, fechado).
Lembro-me de usufruir doe diversos «escorregas», de me terem pintado a cara e de disputar uma partida de Voleibol (com equipas mistas de alunos e professores).

No dia 11 de Junho uma camioneta alugada (ou seria mais de uma?) levou alunos (só do 7º ano?) a passar a manhã e a tarde na Praia da Figueirinha (entre o Portinho da Arrábida e Setúbal). Entre as poucas fotografias que tirei está uma com o «pessoal» a pedalar ou a remar em embarcações alugadas:




Comentários

No final dos anos 80 e no início dos anos 90 o mês de Junho, sobretudo para os alunos mais jovens, foi muitas vezes assim, sair da escola perto do final do ano, para festejar a chegada do Verão.

No jogo entre o José Carlos Lopes e o Jorge Coelho este, que dispunha de vantagem suficiente para ganhar, cometeu o erro de «esconder o seu Rei (branco) entre dois Peões adversários. O José Carlos apercebeu-se disso e virou o resultado a seu favor: as negras jogam e dão mate!



Fontes: Pedro Esteves / Arquivador analógico ESJA Dois (Doc.s 62, 68 e 104) / Álbum de fotografias analógicas ESJA Três (F21)

[036] A Escola Secundária Nº 1 do Seixal em 1989-90: Maio

Memórias

O 3º período lectivo decorreu de 23 de Abril a 22 de Junho.

No Conselho Pedagógico soube-se que o Estatuto da Carreira Docente acabara de ser publicado no «Diário da República», e que entraria em vigor no dia 1 de Junho.
Nele se estipulava que os professores apenas com turmas dos Complementares (actual Secundário) teriam 20 horas lectivas semanais; e que os professores apenas com turmas do Básico teriam 22 horas lectivas semanais.
Soube-se também que o Conselho Directivo propusera o General Humberto Delgado como futuro patrono da Escola; muitos dos membros do Conselho Pedagógico opuseram-se a este nome e, até, à mudança de nome.
O Orçamento (desta vez para 1990-91) voltou a ser fortemente questionado (pelos seus montantes, pelos destinatários, pela metodologia); foram criadas «duas comissões», que trabalhariam estes assuntos durante o Verão (ou seja, longe da vista de quem estava insatisfeito).

Com data de Maio de 1990, mas provavelmente já em Junho, saiu o Nº 26 do jornal Nova Maré.

Nos dias 26 e 27 de Maio disputou-se nesta Escola o 1º Torneio de Xadrez Interescolas do Seixal.
Local: a Sala de Dinamização Cultural (Pavilhão D).
Na seguinte fotografia estão os responsáveis pela organização. Da esquerda para a direita, o Pedro Esteves (professor na Escola Secundária Nº 1 do Seixal), o António Toscano (jogador no Centro de Acção Social de Miratejo, ou CASM), o Francisco Caetano (professor na Escola Preparatória Nº 1 do Vale da Romeira, actual Escola Básica 2+3 António Augusto Louro) e o Henrique Cardoso (jogador e animador no Clube das Cavaquinhas):



O Torneio foi disputado no chamado «sistema suíço», em 7 sessões, com todos os participantes juntos, sem distinção de género, mas reconhecendo na classificação final as diferenças de idade.
Vencedora absoluta (e melhor Juvenil): Maria João Neves (Escola Secundária da Amora).
Melhor Júnior: Luís Almeida (Escola Secundária Nº 1 do Seixal).
Campeão Infantil: Pedro Martins (Escola Primária Nº 1 de Miratejo).
Melhor Escola Secundária: Nº 1 do Seixal.
Melhor Escola Preparatória: Nº 1 de Vale da Romeira.

Eis os primeiros 25 classificados, entre 48 participantes:


E eis a classificação das escolas:


Uma imagem da sala de Dinamização Cultural durante o Torneio (vista de Norte para Sul):


A equipa da Escola Secundária Nº 1 do Seixal:

Da esquerda para a direita:
Atrás, o Bruno Machado, o Sandro Matos, o Pedro Oliveira, o Rui Pinela, o Pedro Martins, o Nuno Palhinhas, o José Carlos Lopes, o Rui Neves, o Mário Barros, o Gil Ramalho e a Carla Sousa
À frente, o Alcino Romão e o Luís Almeida


A equipa da Escola Preparatória de Corroios (hoje Escola Básica de Corroios):


A equipa da Escola Secundária da Amora:

À esquerda, a Maria João Neves
E à direita o professor Emílio Quaresma, que seria co-organizador dos próximos Inter-escolas


E os participantes, por idades (Infantis / Juvenis / Juniores):




Comentários

Esta iniciativa pressupunha que os participantes tivessem convivido e jogado, ao longo do ano, nas suas escolas. Este seria um novo momento para tal, mas alargado a outras escolas.

Para os organizadores, exigia-se uma experiência prévia. Pelo menos três deles tinham-na, por estarem envolvidos em clubes federados; e dois deles eram animadores desportivos.

Houve uma tentativa, a partir do CASM, de envolver o concelho de Almada nesta iniciativa, com o apoio do respectivo animador municipal, mas a tentativa falhou.

A escolha do Xadrez justificava-se pelas mesmas razões que as de qualquer outra modalidade (os benefícios individuais e colectivos da sua prática: o Desporto Escolar também o adoptara entre as modalidades que apoiava). Mas, diferentemente das modalidades mais «físicas», o Xadrez visava desenvolver a «concentração, a «raciocínio lógico» (próximo da «demonstração»), etc..
Nesta primeira concretização dos «interescolas» não estava ainda tão claro o que estaria nos seguintes: procurava-se beneficiar «todos» e não apenas «futuros campeões».

Este foi o primeiro de 13 anos consecutivos em que algumas escolas organizaram iniciativas interescolass no concelho do Seixal (a partir de 1990-91 também seria envolvido o concelho de Almada), com diversos apoios exteriores (municípios; associações).
Essas iniciativas ocorreram em mais de uma dezena de escolas (por diversas vezes na Escola Secundária do Seixal / José Afonso), sendo umas destinadas a alunos (Jogos de Reflexão; Matemática e Realidade; projectos curriculares; projectos extracurriculares) e outras a professores (Encontros Regionais; acções de formação; Boletim Informativo).
Ficam para já no ar seguintes questões:
Terão as escolas vantagem na existência de iniciativas interescolas?
A existirem, em que se distinguirão as que dependem principalmente das próprias escolas e as que dependem sobretudo do Ministério da Educação, das Câmaras Municipais e de outras instituições?
Haverá uma boa solução de compromisso entre estes diversos parceiros para este tipo de iniciativas?

A primeira das anteriores questões (terão as escolas vantagem em haver iniciativas interescolas?) levanta, aliás, uma outra: sendo as escolas «sistemas abertos» (porque os alunos, os professores e os funcionários de cada uma estão em contacto com outras gentes e vão sendo substituídos por novas gerações de alunos, de professores e de funcionários; e também porque o Ministério da Educação, e recentemente muitas outras instituições, determinam muito do que se faz e do que se pode fazer nas escolas), justificar-se-á que se isolem para competir com as outras, em vez de procurarem cooperat visando conseguir vantagens para todas?

Fontes: Pedro Esteves / Arquivador analógico ESJA Dois (Doc.s 62, 68 e 104) / Álbum de fotografias analógicas ESJA Dois (F3, F5, F6, F7, F8, F9 e F10)

[035] A Escola Secundária Nº 1 do Seixal em 1989-90: as minhas turmas do 7º ano no final do 2º período

Memórias

Devo ter combinado tirar fotografias às minhas turmas do 7º ano na tarde de 27 de Março, uma 3ª feira, a poucos dias do final do 2º período.
Cada turma escolheu o lugar da Escola que mais lhe agradou para ser fotografada, e o mesmo fizeram alguns grupos que pretenderam fotografias adicionais.
Não me recordo por que associeí a cada uma das turmas um «nome forte» no verso da respectiva fotografia, mas decerto teve a ver com uma característica evidente da sua dinâmica colectiva:

O MAGNÍFICO 7º F:


O EXPLOSIVO 7º I:


Onde estavam a Carla, a Ana, a Sandra, a Élia, a Olga, a Sandra e a Cátia:

E ainda o Armando, o Luís, o Ezequiel, o Raúl e o Rui:

O ULTRADINÂMICO 7º H

Onde estavam o João, o Vítor, o Paulo, o Zé Carlos, o Ricardo e o Pedro:


Comentários

Ver velhas fotografias é agradável para quem esteve nelas implicado, ou como fotógrafo, ou como fotografado, ou até como mirone. Mas, para todos os outros, ver velhas fotografias pode limitar-se a uma curiosidade, a um enigma, ou, até, a um engano.
Tomando como exemplo as fotografias que relembrei acima: para mim que as tirei, voltar a ver estes breves momentos destas turmas e dos seus grupos, tanto traz lembranças, como traz interrogações.
Em primeiro lugar, as lembranças. Há nas poses instantâneas destas alunas e destes alunos uma mistura de «individualidade» e de «colectivo», que me recorda cada um(a) era e o estilo da sua turma ou do seu grupinho. Mas também há, como contexto, «o dia» em que todos estávamos, com o Sol, com a proximidade das férias da Páscoa e, claro, com «um sítio» da escola (um dos espaços abertos e dos recantos que esta malta já explorara nesta sua «outra casa»).
Depois, as interrogações. Como estaria a ser «este ano lectivo» para cada uma destas moças e para cada um destes moços? Como se acumularia isso com a memória das sucessivas «escolas por onde já tinham passado», sentir-se-iam a «crescer» ou a «minguar» como pessoas? Como iria ser o seu futuro, nesta «escola» e na sua «vida»?
E ainda posso acrescentar uma outra interrogação, mais perturbante, por se referir a «ausências»: que teria entretanto acontecido aos que já não podiam estar nestas fotografias, por terem abandonado a escola durante os meses anteriores?
Tenho de olhar assim para estas fotografias, se não me quero limitar a repetir (e mal) o que já passou. Mas, até que ponto é possível voltar a olhar para estas e outras imagens do passado de modo a que elas me tragam (e a quem mais as olhar) algo mais do que o momento e a circunstância em que foram tiradas?

Fontes: Pedro Esteves / Álbum de fotografias analógicas ESJA Dois (F31, F32, F34, F35, F36 e F36A)