[095] Projectos ligados à Matemática nas Escolas Básicas de Almada e Seixal (balanço no final de 1995-96)
No testemunho «058» fiz o balanço do que sabia sobre os projectos relacionados com a Matemática nas escolas da Margem Sul em finais de 1991-92.
Mas essa recolha de dados prosseguiu, associada às actividade do Núcleo da APM e, a dada altura, também em função da dissertação da tese de mestrado. Foi, tanto quanto possível, sistemática.
Apresento a seguir o que respiguei acerca das Escolas Básicas.
Escola Preparatória da Amora (actual Escola Básica Pedro Eanes Lobato)
1992-96
A Ana Paula, a Celeste Ganço e a Maria José Marques, depois de criarem uma Ludoteca em 1991-92, na Biblioteca, obtiveram da escola um espaço próprio para as actividades aí realizadas. A escola prestou apoio financeiro, para a compra de jogos, e concedeu às três dinamizadoras (e a outros professores e também a uma Funcionária) tempos para a abertura da Sala e para a preparação e coordenação das actividades aí realizadas, nomeadamente as Semanas do Jogo e os Campeonatos de Escola. No relatório sobre 1994-95 as coordenadoras escreveram que “Sem preocupação de explorar conteúdos científicos, o projecto pretendeu proporcionar, aos alunos, vivências lúdicas que desenvolvessem capacidades e atitudes do domínio afectivo e educasse para a cidadania”.
Escola Preparatória de Corroios (actual Escola Básica de Corroios)
1992-96
Nas actividades do Clube de Jogos Matemáticos, criado por sete professores em 1991-92, os alunos preferiam os “materiais manuseáveis” (quebra-cabeças com fósforos, Tangram) aos passatempos com “o lápis e o papel”. Foi com vase neste clube que foram organizados os “Campeonatos de Jogos de Reflexão”, as “Jornadas da Matemática” e um “Concurso de Problemas Interturmas” e criada uma “Janela da Matemática”, onde se foram mostrando trabalhos dos alunos (como um sobre pavimentações que cruzava a ideia do puzzle com o recorte de fotografias) e prestadas informações, por exemplo sobre as regras do jogo de Xadrez (pois, paralelamente, também foi criado um “Clube de Xadrez”, pelo professor Gastão Cristelo).
Escola Preparatória da Costa da Caparica (actual Escola Básica da Costa da Caparica)
1995-96
A Ludoteca desta escola só foi criada tardiamente, disponibilizando aos alunos diversos jogos de reflexão (Xadrez, Abalone, Quarto, Othelo, etc.).
Escola Preparatória da Cova da Piedade (actual Escola Básica Comandante Conceição e Silva)
1992-96
A Janela da Matemática manteve-se em funcionamento desde 1991-92, animada pela Teresa Nascimento e por vários outros professores. Apoiou um Concurso de Problemas de Matemática, diversos Torneios de Jogos e cursos de iniciação ao Xadrez promovidos pela Câmara Municipal de Almada, com um monitor próprio (os alunos mais interessados no Xadrez puderam também dirigir-se ao Clube Recreativo Piedense, situado nas proximidades, onde, de 2ª feira a Sábado, tinham o apoio do mesmo monitor).
Escola Preparatória do Feijó (actual Escola Básica do Feijó)
1992-96
A Nazaré Antunes animou durante alguns anos um Clube de Matemática nesta escola, que só interrompeu devido à sua participação no projecto da sua escola, o «InforCom», que associava informação e telemática, de que uma parte dizia respeito à Matemática, o InforMat. Esse projecto candidatou-se em 1994-95 ao 7º Concurso do Instituto de Inovação Educacional, tendo a Nazaré, a Helena Mesquita e o Américo sido os seus animadores.
Escola Preparatória de Vale de Milhaços (actual Escola Básica de Vale de Milhaços)
1992-96
Em 1991-92 a Lídia Matias criou um Clube de Matemática, depois designado Núcleo de Matemática e, mais tarde, transformado em Ludoteca. Foi aí que ela começou a animar o concurso “Problemas para Pensar”. Em 1993-94, com a Célia Madeira, face à existência de muito pouco material didático na Escola, estas duas professoras decidem comprá-lo e/ou fabricá-lo; e assim constituíram um conjunto de jogos, de passatempos e de notícias. Em 1995-96 acentuou-se a exploração da vertente lúdica, possível devido à disponibilização de espaço próprio, com funcionamento contínuo, inclusive nos intervalos entre as aulas.
Comentários
Destas seis escolas, três estiveram em contacto com o Projecto MATlab, em 1991-93, e cinco com o Grupo Extracurricular do Projecto INTERMAT, em 1993-94.
Poucas vezes estão explícitas os problemas iniciais que levaram os professores a escolher estas iniciativas (a falta de materiais didácticos na escola é uma das excepções e a falta de as situações que desenvolvam a cidadania é outra), embora, implicitamente, eles estejam quase sempre claros (em particular a desmotivação que muitos alunos demonstram perante a Matemática quando é abordada curricularmente).
Muito mais claras estão as hipóteses iniciais formuladas para responder a esses problemas: no caso da motivação dos alunos, a hipótese foi a de que o seu interesse pela Matemática iria crescer com a abordagem (ou até imersão) desta em contextos extracurriculares (concursos, jogos e quebra-cabeças reflexivos, etc.).
A organização prática destas respostas foi variada e esteve quase sempre explícita: Clube, Janela, Ludoteca, Núcleo.
Já os balanços das sucessivas soluções encontradas em cada escola estão pouco claros, o que pode ter sido uma das limitações para o seu sucesso a longo prazo (podendo no entanto o seu desconhecimento por mim resultar das minhas enormes limitações documentais sobre estas iniciativas).
Fontes:
Pedro Esteves / Documentos digitais (tese de mestrado, ficheiro «4EXPR16»);
Testemunho «058» e «o79» deste blogue.
[058] Projectos ligados à Matemática nas escolas de Almada e Seixal (balanço em 1991-92)
Memórias
O grupo de professores estudado na minha tese de mestrado tinha como um dos seus contextos de acção as escolas dos concelhos de Almada e Seixal. Por isso procedi, entre outras recolhas, ao levantamento dos projectos ligados ao ensino e aprendizagem da Matemática (a disciplina em causa) que aí estavam em curso.As iniciativas que identifiquei estão a seguir ordenadas alfabeticamente por escolas (e, dentro destas, por ano lectivo).
Escola Preparatória da Amora (actual Escola Básica Pedro Eanes Lobato)
1991-92
A Celeste Ganço e a Maria José Marques criam, na Biblioteca da escola, um espaço tipo Ludoteca, onde os alunos dispõem de jogos e de desafios.
Escola Preparatória de Corroios (actual Escola Básica de Corroios)
1991-92
É criado um Clube de Jogos Matemáticos, “numa perspectiva do complemento curricular e a título experimental”. Funciona com o apoio de sete professores, que garantem uma hora semanal para cada um dos 5 grupos de alunos do 6º ano inscritos; os alunos preferem utilizar os “materiais manuseáveis” (quebra-cabeças com fósforos, Tangram) aos passatempos com “o lápis e o papel”. Foram organizados campeonatos de jogos de reflexão. E o Clube editou, com o apoio da Associação de Pais, uma colecção de cartas com «Quebra-cabeças com Fósforos», que pensam vender como forma de auto-financiamento.
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| As regras, o primeiro e o último quebra-cabeças desta colecção |
Segundo uma das professoras, a Fernanda Coelho, “Acreditamos que os passatempos, problemas e quebra-cabeças seleccionados são motivantes para os alunos e lhes permitem desenvolver capacidades contempladas nos currículos de Matemática, embora por caminhos diferentes”; para a Escola, “esta experiência poderá vir a ter reflexos na própria área curricular, não só pela relação criada com os alunos como pelo aproveitamento de estratégias e materiais utilizados no clube”; “A natureza e a classificação dos jogos, a sua relação com a Matemática, o interesse da sua integração nas aulas, a comunicação de estratégias e de soluções, são algumas questões que se levantaram ao longo deste trabalho”, sendo também de destacar o “interesse que os jogos podem suscitar em professores de outras disciplinas ...”
Escola Preparatória da Cova da Piedade (actual Escola Básica Comandante Conceição e Silva)
1991-92
Por decisão dos professores de Matemática é criada uma Janela da Matemática, com os objectivos de motivar os alunos para a Matemática, sob aspectos diferentes do habitual, e de a mostrar à Escola. O recurso a um expositor resultou de não haver na escola “condições físicas e humanas” para “assegurar o funcionamento de uma sala” para actividades extracurriculares; o conteúdo afixado no expositor é renovado de mês a mês e inclui “Matemáticos portugueses célebres, História do mês, Curiosidades e Problemas”; os alunos também participam, “inclusivamente recolhendo e levando para a Escola problemas”, bem como os professores de Educação Visual e de Trabalhos Manuais.
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No Nº 1 do «Boletim
Informativo» do Núcleo Regional da APM |
A Teresa Nascimento, uma das promotoras desta
«Janela», foi uma das autoras do MATlab interescolas.
Escola
Preparatória Elias Garcia (actual Escola Básica Elias Garcia)
1991-92
É criado um expositor
e organizado um armário
com materiais dedicados à Matemática.
Escola
Primária Nº 2 do Laranjeiro (actual Escola Básica Nº 2 do Laranjeiro)
1988-92
Integrada numa larga rede de Escolas Primárias, cada uma com um ou dois
Professores, a Nº 2 do Laranjeiro está envolvida no projecto Ensinar a
Investigar.
Os seus principais dinamizadores utilizam o método global / natural (oposto ao
mais comum analítico / sintético) e têm apoio do Ministério da Educação (os
novos currículos do 1º Ciclo, acabados de ser generalizados ao 1º ano de escolaridade,
inspiraram-se nesta experiência).
Escola
Secundária Anselmo de Andrade
1990-91
A professora Ana
Paula Natal faz uma experiência de produção de materiais para o
ensino e aprendizagem da Geometria do 7º ano, e de utilização nas suas aulas,
designando-a por Materiais na Geometria do 7º ano.
O projecto Novas
Tecnologias no Ensino da Matemática, da responsabilidade do Sérgio Valente,
foi implementado a “dois níveis: a) com os alunos (utilização do computador na sala
de aula e em propostas de trabalho de grupo); b) concepção, em colaboração com
o Pólo do Projecto Minerva da Faculdade de Ciências e Tecnologia, de software específico para esta
disciplina”.
São usados os programas Microcalc e Logo, em turmas normais do 11º ano, com 30
Alunos e metodologia de trabalho de grupo. No debate que se seguiu à apresentação
deste trabalho no 1º Encontro de Professores de Matemática, organizado pelo
Núcleo A. P. M. de Almada e Seixal, o Sérgio disse que “depois do trabalho no computador
fazia sempre o feed-back e que este
ano houve pessoas que pegaram nas fichas deles e as reformularam o que acha
positivo”; depois, lançou a questão sobre se é preferível utilizar apenas um
computador na sala de aula, com o Professor centrando em si a discussão, mais
ou menos aberta, ou se seria melhor, havendo mais do que um computador na Sala,
deixar os Alunos experimentarem os programas.
O projecto A
viagem num mundo em transformação (de Eratóstenes a Pedro Nunes),
das estagiárias Cristina
Neto, Joana Guerreiro e Patrícia Cascais, apoiadas pela sua
orientadora, a Filomena
Teles, desenvolveu-se com os alunos do 8º ano, fora do espaço aula,
não tendo havido preocupação com os conteúdos programáticos, apenas com as
“noções” necessárias para a realização do trabalho (“ângulos, triângulos, polígonos,
quadriláteros, proporções, semelhança de triângulos, Teorema de Thales”). No
debate que se seguiu à apresentação deste trabalho no 1º Encontro de
Professores de Matemática organizado pelo Núcleo A. P. M. de Almada e Seixal, a
Patrícia reconheceu que “foi complicado e levou muito tempo, fins de semana,
noites, etc.”, apesar de, como estagiárias, terem trabalhado “em condições
especiais”, “em grupo, com menos turmas”.
É criado o Clube
da Matemática, no qual colaboram a Ana Paula Natal e a Lídia Lourenço,
tendo cada uma 2 horas semanais extra correspondente a horário lectivo. “Nesse
espaço são construídos materiais de suporte a jogos e puzzles.” Um das horas da
Lídia “é dedicada à resolução de problemas.” Uma das suas alunas, que
frequentava este Clube, a Joana, ganhou as Olimpíadas de Matemática, por
“mérito da aluna”, mas tendo o Clube “uma importância enorme na motivação e
desenvolvimento do raciocínio matemático na resolução de problemas.”
1991-92
É realizada, com “resultados animadores”, Uma experiência interdisciplinar (Física-Matemática),
“com alunos” de uma turma do 12º ano comum à Luísa Lopes e ao Sérgio Valente.
No 2º Encontro de Professores de Matemática organizado pelo Núcleo da A. P. M.
de Almada e Seixal os autores afirmaram: “Pensamos que se deve dar aos alunos
pelo menos uma oportunidade de contactarem com uma situação deste género. Para
além do carácter interdisciplinar da experiência, é uma visão da matemática e
da ciência em geral que está em jogo.”
É aberta uma Sala, designada Projecto MATlab, a utilizar “livremente pelos
alunos”, para “a realização de actividades e para a exploração de desafios de carácter
matemático (em sentido amplo)”. Começou a ser apetrechada com materiais, com o
apoio financeiro do MATlab inter-escolas, de que a sua coordenadora, a Filomena Teles,
é uma das autoras.
É aí realizada uma final interna das Olimpíadas da Matemática.
Escola
Secundária da Cova da Piedade (actual Escola Secundária António Gedeão)
Antes de 1991-92
O grupo de Matemática organiza Concursos Inter-turmas, com questões de cultura
geral e, também, de Matemática.
1991-92
Ao comemorar o “Dia da Matemática” no dia 9 de Abril, o Cantinho da Matemática foi
inaugurado numa sala que, no ano seguinte, viria a ser reservada para este
projecto. Nela se disponbilizavam jogos (alguém afirmou que esta Sala «até
parece um casino») e materiais ligados à Matemática.
Os autores deste projecto começam a participar nas reuniões do MATlab
interescolas (oficiosamente, pois não tinham sido dele autores).
Escola
Secundária Emídio Navarro
Desde 1983 (ou 1985) até 1991-92
A Rita
Vieira criou a Sala de Tempos Livres. Esta sala teve o apoio de
uma funcionária e ajudou a completar o horário a professores de outras
disciplinas, ao abrigo do artigo 20.
A Rita não se lembra de ter aberto esta Sala com intenção de a ligar às aulas,
pretendendo, possivelmente e apenas, ocupar os miúdos, dar-lhes algo
interessante para fazer; essencialmente, tratava-se de uma Ludoteca, que apoiou
“O Problema da Semana”, o “Dia da Matemática”, a intervenção da Matemática na
“Semana da Escola”; e que, durante alguns anos, albergou os TIMEX´s para uso
dos alunos, e também uma mini-Biblioteca e o Clube de Filatelia, mantendo
ligações transversais, através da sua coordenadora, ao Projecto Minerva, ao
concurso “Problemas Via Telemática” e ao Laboratório de Meteorologia da Escola;
foi ainda base de apoio para intervenções de divulgação noutras Escolas.
A Rita Vieira foi uma das autoras do MATlab interescolas.
1988-89
O Projecto GEODA
foi uma experiência de ensino da Geometria em turmas do 7º ano, que envolveu o Ludgero Leote
e a Rita
Vieira, que utilizou o programa “Autosketch” e que esteve ligada ao
Projecto Minerva, sendo inspiração para os projectos posteriores ligados ao
Núcleo A. P. M. em Almada e Seixal.
Escola
Secundária Nº 1 de Corroios (actual Escola Secundária João de Barros)
1991-92
Em 1990-91, numa reunião dos professores de Matemática destinada a analisar o
insucesso escolar na sua disciplina, foi considerado que as “causas” deste se
encontravam no «mito» associado à Matemática, nas reprovações consecutivas, no excessivo
número de alunos por turma, na heterogeneidade de conhecimentos presente na
mesma turma, na falta de hábitos de trabalho, na inadaptação dos programas, no
não cumprimento destes nos anos anteriores, na falta de tempo para os
professores trabalharem em conjunto e na indisciplina dos alunos.
Como consequência, no fim desse ano lectivo a Doroteia Costa e a Mirita Sousa
redigem o Projecto
da Matemática da Escola Secundária Nº1 de Corroios, pensado para
três anos, ao longo do 3º Ciclo de escolaridade, para que os alunos
desmotivados em relação à Matemática (nomeadamente por terem repetências
sucessivas nesta disciplina) desenvolvam as suas capacidades e atitudes
(construindo o “seu próprio saber”, com o
seu “ritmo pessoal” e ganhando “maior confiança em si próprios”). Propõem que se
utilize o trabalho de pesquisa, de grupo e de projecto, as visitas de estudo e
a exposições, a comunicação oral, os jogos educativos, os materiais
manipuláveis, as máquinas de calcular e os computadores.
E propõem a separação dos “alunos com sucesso em Matemática” dos “alunos desde
sempre desmotivados na Matemática (com repetências sucessivas na disciplina)”,
para se concentrarem nestes últimos, de acordo com “um programa no sentido do
desenvolvimento das suas capacidades e atitudes”, de modo a eles construam o
“seu próprio saber”, ao seu “ritmo pessoal” e ganhando “maior confiança em si
próprios”.
No balanço feito no fim do primeiro deste projecto, durante o 2º Encontro de
Professores de Matemática organizado pelo Núcleo da A. P. M. de Almada e Seixal,
as autoras referem que os alunos com menor dificuldade nesta disciplina
trabalharam com o “currículo normal” e “um pouco ao nível da investigação,
circunscrita aos temas História da Matemática, Geometria e Pavimentações,
enquanto que os alunos com mais dificuldades puderam, frequentemente, “escolher
o tema e o material para trabalharem”, usaram, “exaustivamente […] os
computadores e os materiais manipuláveis”, foram particularmente acompanhados
no que respeita à “organização dos cadernos diários”, tendo sido todos
classificados com o nível “3”, apenas com diferenças qualitativas expressas
numa “grelha de observação”.
Já tinha havido nesta escola o Clube de Matemática, mais tarde transformado em
Clube de Ciência, que a seguir se dividiu de tal modo que os Professores de
Matemática ficaram sozinhos, com a “sala de jogos”. A dada altura de 1991-92 esses
professores começaram a participar oficiosamente nas reuniões do MATlab
interescolas.
Escola
Secundária Nº 1 do Laranjeiro (actual Escola Secundária Rui Luís Gomes)
1989-90
O José
Tomás (quando estava na Nº 2 do Laranjeiro) e a Palmira Barroso implementam uma
experiência pedagógica no 7º ano, que designam por Geoplano. Constroem geoplanos, com a
colaboração dos alunos, e produzem uma planificação geral e 14 fichas de
trabalho.
1990-91
A partir de uma preocupação comum de professores de Matemática, Português e Francês, a “necessidade de em determinados momentos da aprendizagem agrupar os alunos e envolvê-los em actividades diversificadas de modo a possibilitar-lhes um acompanhamento mais individualizado, consoante as dificuldades e respeitando os seus ritmos de trabalho”, é implementado o Projecto «Mais uma Proposta para o Sucesso» em 3 turmas do 7º ano com horários coincidentes naquelas disciplinas, permitindo a “rotatividade dos alunos ao longo do ano”.
Na opinião de 6 dos Professores envolvidos, apresentada no 1º Encontro de Professores de Matemática organizado pelo Núcleo da A. P. M. de Almada e Seixal, “Foi uma aposta contra o cepticismo reinante”, pois “é necessário inventar, recriar sempre algo de diferente para os nossos alunos”.
1991-92
É realizado um “projecto” intitulado Descobrir a Geometria com o CABRI-Géomètre, tendo como “dinamizadoras” a Ana Teresa Mateus e a Palmira Barroso, com o apoio da Margarida Junqueira, sendo concretizado com uma turma do 9º ano, da Ana Teresa, dividida em duas metades de 12 alunos, que alternam na utilização do programa CABRI e na resolução de outros problemas sobre o mesmo tema, com materiais tradicionais.
É inaugurado o Clube de Jogos, um espaço destinado a funcionar como sala de jogos, estando envolvidos nele 4 professores, um deles com 2 horas de redução de serviço lectivo para a dinamizar; alguns alunos ajudam no arranjo da sala e no arranque das actividades.
O José Tomás, coordenador deste espaço, e a Palmira Barroso foram dois dos autores do MATlab interescolas.
Escola Secundária Nº 2 do Laranjeiro (actual Escola Secundária Francisco Simões)
1991-92
Os professores de Matemática organizaram, durante a Semana da Escola (1 a 5 de Junho), uma sala onde os alunos puderam “«jogar», «pensar» e divertir-se com jogos, problemas, puzzles e labirintos”.
Escola Secundária Nº 1 do Seixal (actual Escola Secundária José Afonso)
1988-92
Em 1991-92 a Sala de Dinamização Cultural foi equipada pelo Pedro Esteves com jogos de reflexão, puzzles e desafios matemáticos; a primeira actividade pública, durante a recepção aos novos alunos da Escola, é uma exposição intitulada “A Outra Face da Matemática”; é comemorado o Dia Mundial do Xadrez, em 19 de Novembro (o que se repetirá nos anos seguintes), e realizado o 1º Campeonato de Xadrez da Escola; neste ano o Xadrez está associado ao Núcleo do Desporto Escolar e a escola é a principal organizadora e sede de realização do 1º Torneio de Xadrez Interescolas do Concelho do Seixal. Com uma funcionária própria, esta sala também teve, durante o 2º e o 3º períodos, a colaboração de mais dois professores de Matemática e, para a fabricação de vários jogos e quebra-cabeças, a de diversos alunos.
Em 1990-91 esta sala, além de ser uma Ludoteca, começa a integrar actividades de Laboratório de Matemática; é nela iniciada a produção sistemática de materiais de apoio (jogos, puzzles, problemas, labirintos, desafios matemáticos, ...) e a edição de um boletim informativo; e estabelece-se uma ligação ao Projecto Viva a Escola, e, em 1991-92, ao MATlab interescolas (de que o Pedro Esteves foi um dos autores) e ao Clube Recreativo e Desportivo das Cavaquinhas.
1989-90
Realizada uma experiência pedagógica, pelo Pedro Esteves, intitulada Projecto AlterMATivas (outro dos projectos que inspirou o AlterMATivas interescolas). Prevista inicialmente para 4 anos (primeiro ano, turmas do 7º ano deste professor; segundo ano, turmas do 8º e 10º; terceiro ano, turmas do 9º e 11º; quarto ano, turmas do 12º), o plano foi alterado com a integração no projecto comum com as outras escolas.
Tinha como “objectivos: inovação de metodologias, produção de materiais, animação do colectivo de professores de Matemática da Escola, divulgação para o exterior, reflexão, eventualmente investigação“; foram produzidas algumas fichas de trabalho para utilização pelos alunos das turmas do 7º ano.
Comentários
Todos os projectos destinados a fomentar actividades extracurriculares que foram acima descritos envolveram-se no Projecto MATlab (interescolas), ou oficialmente (através dos autores deste), ou oficiosamente (participando, a partir de dada altura, nas reuniões, que para o permitirem se tornaram abertas). O mesmo já não sucedeu com o Projecto AlterMATivas, que se manteve em exclusivo nas mãos dos seus autores, embora tenha sido pródigo em deixar pistas para que outros professores o pudessem diversificar.
No quadro seguinte, que agrupa esses projectos, se são patentes pequenas iniciativas pioneiras, é sobretudo evidente a explosão de iniciativas que se verificou após 1989-90, ano em que foi fundado o Núcleo da A. P. M. em Almada e Seixal. Terá pois sido o associativismo o factor decisivo na enorme expansão dos projectos relacionados com a Matemática nas escolas desta região:
[055] O primeiro ano do Projecto MATlab
A intuição de que os chamados «materiais manipuláveis» poderiam ser importantes recursos no ensino e aprendizagem da Matemática, e que eles deveriam ser utilizados também em circunstâncias extracurriculares, era comum, desde o princípio, a vários dos animadores do Núcleo Regional da A. P. M.. Foi essa a base que conduziu, em 1990-91, à candidatura do Projecto MATlab ») aos apoios do Instituto de Inovação Educacional / I. I. E. (testemunho «049.
Foi uma aposta ganha: dos 400 projectos que se candidataram, cerca de um terço foram financeiramente apoiados, tendo o MATlab sido aquele que teve o maior apoio: 700 contos! A seguir houve um projecto apoiado com 550 contos, seguido por dois com 500 contos (um deles era o AlterMATivas!).
O I. I. E. colocou o AlterMATivas e o MATlab entre os 26 «Projectos de Rede de Escolas».
Um dos argumentos destas duas equipas (que diferiam em poucos nomes) foi a anexação de bastante «material» já produzido à ficha de candidatura (de facto, tínhamos começado a trabalhar bem antes de pensarmos em procurar apoios financeiros). E o I. I. E. foi sensível a esse facto, pois, na apresentação destes dois projectos (editou um livro em que refere todos os que foram apoiados em 1991-92), mostrou alguns desses materiais.
Eis como:
Embora a equipa inicial do MATlab dissesse apenas respeito a 6 escolas, com o tempo esse número foi-se alargando, dado o interesse de muitos outros professores.
Na reunião realizada no dia 20 de Setembro de 1991 foi feito um primeiro levantamento dos apoios dado em cada uma das 6 escolas inicialmente envolvidas neste projecto:
As reuniões da equipa sucederam-se, aproximadamente, ao
ritmo de uma por mês.
Na reunião realizada no dia 9 de Abril de 1992 soube-se que tinha sido fechado o
espaço na Emídio Navarro, que tinha sido aberto um numa nova escola, a Básica
de Corroios (dinamizado por 7 professores!) e que se estava a preparar a
abertura em duas outras novas escolas, a Secundária da Cova da Piedade (actual
António Gedeão) e a Secundária Nº 1 de Corroios (actual João de Barros):
Nessa reunião foram ainda colocadas algumas “questões de fundo”:
deveríamos utilizar estes espaços de modo “aberto” (tipo Ludoteca), ou de modo “fechado” (tipo Clube)?
deveríamos proporcionar neles somente actividades de “iniciação”, ou acrescentar-lhes actividades que “levem mais longe”?
e cada escola deveria preocupar-se apenas consigo, ou também com iniciativas inter-escolas?
É claro que estas questões, inicialmente, podiam ser
respondidas de ambos os modos; mas, com o tempo, seria natural que apenas a
primeira questão assim se mantivesse, enquanto as outras duas tenderiam a ser respondidas
do modo mais exigente.
Para ilustrar como os primeiros passos deste projecto ainda nos deixavam muitas
hesitações, nesta reunião nada se decidiu sobre quando começar a concretizar a
ideia central do MATlab, o Laboratório de Matemática (de que falarei num
próximo testemunho): o José Tomás dava-lhe prioridade imediata e a Rita Vieira
achava que podíamos esperar pelo próximo ano lectivo.
No final do 1º ano deste projecto o Relatório enviado para o I. I. E. incluiu
algumas observações interessantes:
os alunos “mais velhos” pouco se interessaram pelas actividades promovidas nas suas escolas, contrariamente aos mais novos (sobretudo os das turmas dos professores envolvidos no projecto, chegando ao ponto de fazer “propostas de actividades” (darei exemplos, num dos próximos testemunhos);
foram elaboradas os primeiros materiais destinados aos Laboratórios de Matemática, com a intenção de poderem servir de apoio às actividades curriculares;
e, resumindo bem o que fora este primeiro ano: “É fácil pôr os jovens a jogar, torna-se mais difícil criar situações em que não é só o «jogo pelo jogo» (onde se percebe como se joga e porquê, etc.); mas, mais difícil é aprender fazendo e experimentando, formular hipóteses, testá-las e depois tirar conclusões.”Foram muitos os materiais produzidos ou adquiridos neste primeiro ano (Textos; Desafios; Quebra-cabeças; Jogos; etc.), mas, de um modo quase geral, de uma forma um tanto dispersa.
O único material que ficou definitivamente pronto foi um conjunto de várias dezenas de Labirintos, provenientes de vários autores, quase todos disponibilizados pela Rita. Foram deles feitas cópias para todas as escolas; e aí fotocopiados e distribuídos aos alunos interessados nos espaços.
Comentários
Sentiu-se a dada altura do MATlab a necessidade de definir um logótipo que figurasse nas fichas que iam sendo elaboradas. Numa das reuniões apresentei diversas possibilidades:
Foi escolhido o símbolo situado mais baixo, à esquerda.
À medida que voltei a folhear os documentos a que tenho acesso relativos a 1991-92, com a finalidade de produzir este testemunho, fui aí deparando com muitas lacunas nos registos que tinha previsto fazer (por comparação, por exemplo, com o que fizera em 1990-91), o que me impossibilitou de perceber como tinham sido produzidos muitos dos materiais do MATlab (e do AlterMATivas), e até de ter um registo completo do que foi feito, quer no projecto, quer na Sala de Dinamização Cultural da minha escola (de que eu era responsável).
Este «choque» chamou-me a atenção para um fenómeno que eu memorizara com tendo ocorrido somente uns anos mais tarde, quando os «projectos inter-escolas» envolvendo professores do Núcleo Regional da A. P. M. já tinham terminado: percebi que a «falta de tempo» para fazer as coisas «com tempo» começou logo no segundo ano lectivo em que estes projectos foram implementados (devido a acumularmos, quase nas mesmas pessoas, dois projectos interescolas!).
A nossa generosidade seria muito, mas não as nossas capacidades. Isto viria a ter fortes impactos no futuro do nosso trabalho em conjunto.
O conceito de Laboratório de Matemática (que abordarei noutro testemunho) foi surgindo na equipa do MATlab à medida que começámos a imaginar como a Matemática pode ser aprendida de um modo parcialmente experimental. O José Tomás sugeriu o nome (que já fora usado e depois desaparecera) e alguns de nós começaram a juntar material que já haviam produzido de modo a transformá-lo em material do projecto comum. Um deles, sobre o «Cálculo de Π», foi usado durante este ano nas aulas de alguns dos que leccionavam o 8º ano.
Repito, mais uma vez: as actividades extracurriculares estabeleciam pontes com as actividades curriculares.
Fontes:
Pedro Esteves / Arquivador analógico ESJA Quatro (Doc.s 160, 171 e 175)
Instituto de Inovação Educacional / Livro (1995)
[049] Julho de 1991: o 1º Encontro Regional de Professores de Matemática
Memórias
Em 1990-91, a primeira actividade do Núcleo da APM em Almada e Seixal cuja data identifiquei foi a Assembleia Geral, ocorrida no dia 15 de Janeiro, na Escola Secundária Anselmo de Andrade.Os sócios apreciaram o que foi feito em 1989-90; definiram o Plano de Actividades para 1990-91 e elegeram a primeira Comissão Coordenadora (para o biénio de 1990-92): a Ângela Queiroz, a Cristina Fonseca, o Manuel Ribeiro, o Pedro Esteves, a Rita Vieira e a Teresa Nascimento (um grupo com professores do 1º, 2º e 3º Ciclos e do Secundário)
É possível que duas ou três reuniões destinadas a fundamentar propostas de revisão dos Estatutos da APM tenham sido realizadas antes desta Assembleia, durante o 1º período lectivo.
Depois, no dia 17 de Abril, foi concretizada a IIª Final Regional das Pré-Olimpídas de Matemática, na Escola Secundária Emídio Navarro, tendo nela estado envolvidos 57 alunos de 7 Escolas Preparatórias e Secundárias dos dois concelhos.
Eis os problemas que lhes foram propostos:
Partindo da experiência que já tinham, consideraram que o “processo de ensino-aprendizagem da Matemática sofre diversos bloqueamentos”, atribuíveis, entre outras origens, “ao seu encerramento na escola, à rigidez do espaço-tempo a ele dedicado (a aula), e à dificuldade de aproveitamento das explorações espontâneas realizadas pelos alunos.” E era sua convicção a possibilidade de “criar espaços exteriores às aulas, dentro da Escola, capazes de gerar interesse e iniciativa dos jovens em relação à Matemática”, os quais poderiam “favorecer o desenvolvimento de capacidades como a cooperação, o sentido de risco, a elaboração de projectos e estratégias e a definição de valores”, além de contribuir “para o melhoramento da Matemática feita na Escola”.
Com estas intenções, propuseram-se criar e institucionalizar em cada escola “um espaço, a ser utilizado livremente pelos alunos, com condições para a realização de actividades e para a exploração de desafios de carácter matemático (em sentido amplo)”, e que permitisse “a interacção com as actividades curriculares” e “a dinamização e integração de iniciativas a nível das comunidades” em que essas escolas se inseriam.
E, para “dar sentido mais profundo a cada uma das iniciativas tomada isoladamente”, propuseram o conceito de “Laboratório de Matemática, que deve ser aberto (as actividades), aprofundante (os desafios) e estruturante (os recursos).”
Metodologicamente, defenderam a “iteratividade processual”, com “mobilização gradual das comunidades escolares e não escolares” e com “obtenção do apoio dos órgãos de gestão das Escolas”, considerando-o um caso de “investigação-acção.”
Esperavam os autores, “sobretudo: o enraizamento das práticas de pesquisa matemática em cada Escola; o aligeiramento das fronteiras entre o curricular e o não-curricular; a dinamização das permutas da Escola com o meio circundante; e, finalmente, a institucionalização dos espaços físicos suporte das iniciativas realizadas e dos recursos (humanos e financeiros) nelas investido, de modo a que, globalmente, se desencadeie um processo irreversível.”
O Iº Encontro Regional de Professores de Matemática dos concelhos de Almada e Seixal, realizado nos dias 15, 16 e 17 de Julho, em três Escolas Secundárias, respectivamente Nº 1 do Seixal, Anselmo de Andrade e Nº 1 do Laranjeiro, foi organizado pela Filomena Teles e pelo Sérgio Valente, com o apoio dos membros da Comissão Coordenadora.
E foi constituído por cinco Sessões Práticas (quatro relacionadas com projectos que tinham sido implementados durante o ano lectivo e uma sobre o “valor educativo do problema em Matemática”) e ainda permitiu a apresentação do Projecto AlterMATivas. Nenhuma destas sessões se sobrepôs a qualquer outra, pelo que todos puderam participar em todas.
Dois dos projectos apresentados tinham carácter interdisciplinar, um ligando a Física e a Matemática, a propósito dos «movimentos dos corpos» (foi animado pela Cremilde Ribeiro e pela Margarida Junqueira) e o outro ligando a Geografia e a Matemática, dado se referir aos contributos de Eratóstenes e de Pedro Nunes (foi animado por três estagiárias de Matemática, orientadas pela Filomena Teles, a Ana Cristina Neto, a Joana Guerreiro e a Patrícia Cascais).
Um terceiro projecto (a cargo do Sérgio Valente), explorou as novas tecnologias no ensino da Matemática,
E o quarto projecto apresentou os resultados de uma experiência feita com três turmas do 7º ano, de modo a permitir a rotatividade dos alunos entre elas (foram responsáveis por esta apresentação, sendo só uma delas professora de Matemática, a Ana Paula Aguilar, a Palmira Barros e a Rosário Figueiredo).
A Sessão Prática esteve a cargo de dois professores na Faculdade de Ciências e Tecnologia, a Ana Boavida e o José Manuel Matos.
Todas estas sessões dispuseram de tempo para debate, mas as actas não registaram um resumo de todos os debates havidos.
Foram ainda divulgados um espaço extracurricular da Escola Secundária Anselmo de Andrade e um projecto curricular da Escola Secundária Nº 1 de Corroios.
Do «Debate Final» destaco a ideia de nem se poder «exigir militância reformista» a nenhum professor, nem se dever «impedir a militância reformista» dos que a desejarem ter.
Eis uma fotografia que ilustra a apresentação (na Escola Secundária Nº 1 do Seixal) do primeiro dos referidos projectos interdisciplinares:
Alguns tópicos sobre três dos projectos apresentados neste Encontro (retirados destas Actas):
O Sérgio Valente, com o objectivo de produzir software (programas Microcalc e Logo), tinha implementado nas suas turmas do 11º ano (Escola Secundária Anselmo de Andrade) o projecto Novas Tecnologias no Ensino da Matemática, a dois níveis: a) com os alunos, nas aulas; b) com o Pólo do Projecto Minerva da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT). As turmas tinham sido constituídas normalmente e tinham cerca de 30 alunos. A metodologia baseou-se no trabalho de grupo.
No debate que se seguiu à apresentação deste projecto, o Sérgio disse que depois do trabalho no computador fazia sempre um feed-back e que houve professores que pegaram nas suas fichas e as reformularam, o que achou positivo. Lançou ainda a questão sobre se é preferível utilizar apenas um computador na aula, com o professor centrando em si a discussão, mais ou menos aberta, ou se será melhor, havendo mais do que um computador na Sala, deixar mais margem para a experimentação pelos alunos.
A Cristina Neto, a Joana Guerreiro e a Patrícia Cascais (Escola Secundária Anselmo de Andrade) desenvolveram ao longo de 1990-91 um projecto, fora do espaço aula, com os alunos do 8º ano, intitulado A Viagem num Mundo em Transformação (de Eratóstenes a Pedro Nunes).
Não se preocuparam com os conteúdos programáticos, apenas com as “noções” necessárias para a realização do trabalho (“ângulos, triângulos, polígonos, quadriláteros, proporções, semelhança de triângulos, Teorema de Thales”).
No debate que se seguiu à apresentação deste projecto, a Patrícia reconheceu que “foi complicado e levou muito tempo, fins-de-semana, noites, etc.”, apesar de o seu trabalho como professoras ter decorrido “em condições especiais”, “em grupo, com menos turmas”.
Um grupo de 6 professores de Matemática, Português e Francês” (Ana Aguilar, Francisca Angelino, Maria Gardete, Rosário Figueiredo, Palmira Barroso e Regina Caeiro), tendo como “preocupação comum (…) agrupar os alunos e envolvê-los em actividades diversificadas de modo a possibilitar-lhes um acompanhamento mais individualizado, consoante as dificuldades e respeitando os seus ritmos de trabalho” promoveu o projecto Mais uma Proposta para o Sucesso em 3 turmas do 7º ano da Escola Secundária Nº 1 do Laranjeiro (actual Rui Luís Gomes), tendo para tal horários coincidentes naquelas disciplinas, o que lhes permitiu a “rotatividade dos alunos ao longo do ano”.
No debate que se seguiu à apresentação deste projecto, as autoras consideraram que ele “Foi uma aposta contra o cepticismo reinante”, pois pensam que “é necessário inventar, recriar sempre algo de diferente para os nossos alunos.”
E ainda mais algumas notas sobre outros projectos desenvolvidos ao longo deste ano lectivo, também divulgados no Encontro (mas não nas suas Actas):
A Ana Paula Natal (Escola Secundária Anselmo de Andrade) realizou com as suas 2 turmas do 7º ano uma experiência de produção de materiais para o ensino e aprendizagem da Geometria.
A Ana Paula Natal e a Lídia Lourenço criaram o Clube da Matemática na Escola Secundária Anselmo de Andrade, “tendo cada uma 2 horas semanais extra horário lectivo”. Nele foram “construídos materiais de suporte a jogos e puzzles.” Um das horas da Lídia foi “dedicada à resolução de problemas.” E uma das suas alunas, frequentadora do Clube, a Joana, ganhou as Olimpíadas de Matemática, por “mérito da aluna”, mas tendo o Clube “uma importância enorme” na sua “motivação e desenvolvimento do raciocínio matemático”.
Numa reunião dos professores do 1º grupo da Escola Secundária Nº 1 de Corroios (actual Básica de Corroios) foram analisadas as “causas” do “insucesso escolar” em Matemática.
Apontou-se para estarem entre essas causas: o «mito» associado a esta disciplina; as reprovações consecutivas; o excessivo número de alunos por turma; a heterogeneidade de conhecimentos presente na mesma turma; a falta de hábitos de trabalho; a inadaptação dos programas; o não cumprimento destes nos anos anteriores; a falta de tempo para os professores trabalharem em conjunto; e a indisciplina dos alunos.
Foi sugerido, como “estratégias”, o trabalho de motivação, o trabalho de grupo, as aulas de compensação, as verbas para materiais, as turmas mais pequenas e as turmas com alunos com o mesmo nível de conhecimento.
Como consequência, duas professoras redigigiram, no final do ano lectivo, o Projecto da Matemática da Escola Secundária Nº 1 de Corroios, que procura responder àquela análise. Propuzeram-se, nos três anos seguintes, utilizar trabalho de projecto, de pesquisa e de grupo, visitas de estudo, comunicações orais e exposições, jogos educativos, materiais manipuláveis, máquinas de calcular e computadores com alunos, acompanhando-os ao longo do 3º Ciclo de escolaridade, separando para tal os “alunos com sucesso em Matemática” dos “alunos desde sempre desmotivados na Matemática (com repetências sucessivas na disciplina)”, para se poderem concentrar nestes últimos. Visavam desenvolver as suas “capacidades e atitudes”, de modo a que sejam eles a construir o “seu próprio saber”, ao seu “ritmo pessoal” e com “maior confiança em si próprios”.
Foram produzidos diversos tipos de certificados de participação para os 56 participantes neste Encontro (4 eram provenientes dos concelhos da Amadora, Cascais, Oeiras e Sintra; e cerca de um terço animaram sessões de trabalho). Eis um desses certificados, produzido pelo Sérgio Valente:
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| De notar que a cercadura é constituída pelos primeiros N algarismos do Π |
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A distribuição, por escola, dos professores participantes neste Encontro foi a seguinte: 5 professores de 3 Escolas Preparatórias (actualmente Básicas), 46 professores de 15 Escolas Secundárias (com 3º Ciclo e Secundário) e 4 professores da Faculdade de Ciências e Tecnologia. Dezanove escolas no total!
Fontes:
Pedro Esteves / Álbum de fotografias analógicas 1º Encontro do Núcleo da APM (F102: 13) / Arquivador analógico Núcleo APM Um (Doc.s 4 e 11) / Arquivador digital Tese de mestrado (4EXPR1, 4EXPR7 e 4EXPR16)
Documentos analógicos (1º Encontro Regional da APM)
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