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[066] Para além das escolas (um balanço pessoal - até 1992-93)

Memórias

Desde o meu primeiro ano como professor estive em contacto com o imenso mundo que se actua nos bastidores das escolas.

Em 1979-80, quando começara a leccionar no Liceu Nacional de Almada (actual Escola Secundária Fernão Mendes Pinto), participei, durante duas semanas, em São Pedro do Muel, num encontro de preparação do lançamento da Educação Recorrente em Portugal. Tinham-me proposto vir a ser um dos professores experimentadores, pelo que, ao longo dos três anos lectivos seguintes (1980-83), leccionei o 2º Ciclo a adultos na Empresa Pública das Águas de Lisboa (EPAL). E, paralelamente, estive fui mantendo o contacto com as estruturas que coordenavam esta experiência, tanto na Direcção-Geral da Educação de Adultos como na própria EPAL.

A posterior passagem pelos Cursos de Formação de Jovens na Siderurgia Nacional, em 1985-87, assemelhou-se, na forma de trabalhar, ao que se passara na EPAL [testemunhos «001» a «005», «007», «011» e «012»]; mas o contacto com a respectiva coordenação foi muito diferente, pois esteve a cargo de gente da empresa que vinha falar directamente com os professores e os alunos. Senti-me muito mais livre para trabalhar deste modo.

O meu gradual envolvimento na Associação de Professores de Matemática (APM) iniciou-se através da participação num ou dois encontros organizados pelo seu Núcleo de Lisboa, ainda antes de, em Almada e Seixal, se ter fundado o respectivo Núcleo [ver testemunho «040»].
Um dos resultados desse contacto surgiu pouco tempo depois (em 1989): o José Paulo Viana, a Odete Bernardes, a Paula Teixeira e eu publicámos, através da APM, um livrinho que intitulámos «mais JOGOS, mais ENIGMAS, mais PROBLEMAS».

Não me recordo das circunstâncias que levaram o José Paulo e eu a fazer parte da redacção da revista da APM, a Educação e Matemática. Era então coordenada pela Leonor Moreira, e dela também faziam parte o António Bernardes, o Eduardo Veloso, o Henrique Guimarães e o Paulo Abrantes.
Estive lá cerca de um ano, aproximadamente coincidente com o ano lectivo de 1989-90.
Foi durante esse tempo que o Henrique e eu escrevemos (para o Nº 24, publicado com a data de Março de 1990) um artigo intitulado: «Que papel para os manuais de Matemática? Uma sondagem junto dos autores.»

Em 1990-91 a minha escola, a Secundária do Seixal, achou que eu aí deveria vir a ser o coordenador do Projecto Vida, que estava a ser preparado, a nível nacional, pela Catalina Pestana. Tinha como finalidade a prevenção em relação as comportamentos de risco dos alunos, como o consumo de droga. O método usado para preparar os coordenadores escolares foi, mais uma vez, um «retiro», desta vez mais curto: três dias (19 a 21 de Março) no Vimeiro, para ouvir preleções sapientes.
Mas não gostei do que ouvi, pelo que, ao regressar, pedi à escola que me substituísse.

Em 1992-93, não me recordo novamente em que circunstâncias, fui desafiado a integrar um Grupo de Trabalho que tinha por objectivo criar o Centro de Formação da APM. Lembro-me de também lá estarem o Albano Silva, a Cristina Loureiro, a Graciosa Veloso e o Paulo Abrantes.
Depois de um processo que passou pela Direcção e pelo Conselho Nacional da associação, o Centro de Formação foi criado, no final do ano lectivo, tendo sido criada uma Comissão Pedagógica onde estavam os membros do Grupo de Trabalho mais a Helena Correia, a Margarida Goulão e a Maria José Oliveira.
Os sócios ficaram a saber da novidade através do boletim «APMinformação» (nº 16, Julho de 1993), onde, por um lado, se fazia uma queixa sobre a “relação estabelecida [na lei] entre formação contínua e progressão na carreira docente” e, por outro, se resumia a aposta feita pela APM como uma ”simbiose entre projectos e formação”.
E, de facto, o Plano de Formação anexo a este boletim reconhecia que “Praticamente toda a actividade da Associação, desde o seu nascimento, tem uma componente de formação (nalguns casos mais informal, noutros mais explícita e organizada)”, pelo que propunha que os seus objectivos fossem os da “formação centrada em projectos”, considerando que um “projecto” tanto seria o “contexto geral no qual se desenvolve uma grande variedade de processos e formas de trabalho” como “uma acção ou intervenção pedagógica, na sala de aula ou na escola, com objectivos definidos, que é planeada, desenvolvida e avaliada de modo cooperativo por um grupo de professores, e na qual eles se envolvem de uma forma interessada e empenhada”, ou seja, não se destina a formandos que sejam «consumidores passivos» nem «correias de transmissão».

A primeira página (de quatro) do Plano de Formação

Acabei por ficar dois anos (1993-95) na Comissão Pedagógica do Centro de Formação; mas, de novo, não gostei do rumo tomado, e decidi sair.

Talvez por estarmos envolvidos na criação do Centro de Formação, o Albano Silva e eu fomos desafiados a animar sessões práticas para os sócios do Núcleo de Coimbra da APM. Fizemo-lo no dia 29 de Março de 1993. Mas não apreciei muito o trabalho que preparei.

Um mês e meio mais tarde, em 15 e 16 de Maio de 1993, foi realizado o 4º Interescolas de Xadrez do Seixal, organizado pelos mesmos professores que já o haviam feito nas anteriores edições (o Emílio Quaresma, o Francisco Caetano e eu). Desta vez, por proposta da Câmara Municipal, a iniciativa foi integrada nas Xas Seixalíadas Escolares.
Individualmente, o vencedor foi o Ricardo Sousa (ES da Amora), tendo as melhores equipas sido, em sub 20, a ES da Amora; em sub 16, a ES Nº 1 do Seixal; e em sub 12, a EP de Corroios.
Esta iniciativa não voltaria a ser realizada, tendo sido substituída pelos Interescolas de Jogos de Reflexão de Almada e Seixal [testemunho «065»].
Breve balanço destes quatro interescolas:



Comentários

Há várias razões para as escolas precisarem de parceiros educativos a actuar nos seus bastidores: eles organizam, coordenam, apoiam, investigam, constroem, divulgam, etc., etc.. No entanto, também é nos bastidores da Educação que se concentra o poder de decidir, o que os torna espaços particularmente problemáticos.

As minhas passagens por estes espaços, tal como pelos órgãos de administração e gestão da Escola Nº 1 do Seixal (actual José Afonso) foram, por isso, sempre conflituosas. Aprendi aí o que só passando por lá se pode aprender. Mas também discordei, frequentemente, do modo como aí se actuava, em particular devido ao autoconvencimento e aos jogos de poder.


Fontes: Pedro Esteves / Arquivador analógico APM Três (Doc. 123) / Arquivador analógico ESJA Cinco (Doc.s 122 e 132)

[058] Projectos ligados à Matemática nas escolas de Almada e Seixal (balanço em 1991-92)

Memórias

O grupo de professores estudado na minha tese de mestrado tinha como um dos seus contextos de acção as escolas dos concelhos de Almada e Seixal. Por isso procedi, entre outras recolhas, ao levantamento dos projectos ligados ao ensino e aprendizagem da Matemática (a disciplina em causa) que aí estavam em curso.
As iniciativas que identifiquei estão a seguir ordenadas alfabeticamente por escolas (e, dentro destas, por ano lectivo).


Escola Preparatória da Amora (actual Escola Básica Pedro Eanes Lobato)

1991-92

A Celeste Ganço e a Maria José Marques criam, na Biblioteca da escola, um espaço tipo Ludoteca, onde os alunos dispõem de jogos e de desafios.


Escola Preparatória de Corroios
(actual Escola Básica de Corroios)

1991-92

É criado um Clube de Jogos Matemáticos, “numa perspectiva do complemento curricular e a título experimental”. Funciona com o apoio de sete professores, que garantem uma hora semanal para cada um dos 5 grupos de alunos do 6º ano inscritos; os alunos preferem utilizar os “materiais manuseáveis” (quebra-cabeças com fósforos, Tangram) aos passatempos com “o lápis e o papel”. Foram organizados campeonatos de jogos de reflexão. E o Clube editou, com o apoio da Associação de Pais, uma colecção de cartas com «Quebra-cabeças com Fósforos», que pensam vender como forma de auto-financiamento.

As regras, o primeiro e o último quebra-cabeças desta colecção

Segundo uma das professoras, a Fernanda Coelho, “Acreditamos que os passatempos, problemas e quebra-cabeças seleccionados são motivantes para os alunos e lhes permitem desenvolver capacidades contempladas nos currículos de Matemática, embora por caminhos diferentes”; para a Escola, “esta experiência poderá vir a ter reflexos na própria área curricular, não só pela relação criada com os alunos como pelo aproveitamento de estratégias e materiais utilizados no clube”; “A natureza e a classificação dos jogos, a sua relação com a Matemática, o interesse da sua integração nas aulas, a comunicação de estratégias e de soluções, são algumas questões que se levantaram ao longo deste trabalho”, sendo também de destacar o “interesse que os jogos podem suscitar em professores de outras disciplinas ...”


Escola Preparatória da Cova da Piedade
(actual Escola Básica Comandante Conceição e Silva)

1991-92

Por decisão dos professores de Matemática é criada uma Janela da Matemática, com os objectivos de motivar os alunos para a Matemática, sob aspectos diferentes do habitual, e de a mostrar à Escola. O recurso a um expositor resultou de não haver na escola “condições físicas e humanas” para “assegurar o funcionamento de uma sala” para actividades extracurriculares; o conteúdo afixado no expositor é renovado de mês a mês e inclui “Matemáticos portugueses célebres, História do mês, Curiosidades e Problemas”; os alunos também participam, “inclusivamente recolhendo e levando para a Escola problemas”, bem como os professores de Educação Visual e de Trabalhos Manuais.

No Nº 1 do «Boletim Informativo» do Núcleo Regional da APM
esta «Janela» aparece desenhada assim (já que não havia uma fotografia)


A Teresa Nascimento, uma das promotoras desta «Janela», foi uma das autoras do MATlab interescolas.


Escola Preparatória Elias Garcia (actual Escola Básica Elias Garcia)

1991-92

É criado um expositor e organizado um armário com materiais dedicados à Matemática.


Escola Primária Nº 2 do Laranjeiro (actual Escola Básica Nº 2 do Laranjeiro)

1988-92

Integrada numa larga rede de Escolas Primárias, cada uma com um ou dois Professores, a Nº 2 do Laranjeiro está envolvida no projecto Ensinar a Investigar.
Os seus principais dinamizadores utilizam o método global / natural (oposto ao mais comum analítico / sintético) e têm apoio do Ministério da Educação (os novos currículos do 1º Ciclo, acabados de ser generalizados ao 1º ano de escolaridade, inspiraram-se nesta experiência).


Escola Secundária Anselmo de Andrade

1990-91

A professora Ana Paula Natal faz uma experiência de produção de materiais para o ensino e aprendizagem da Geometria do 7º ano, e de utilização nas suas aulas, designando-a por Materiais na Geometria do 7º ano.

O projecto Novas Tecnologias no Ensino da Matemática, da responsabilidade do Sérgio Valente, foi implementado a “dois níveis: a) com os alunos (utilização do computador na sala de aula e em propostas de trabalho de grupo); b) concepção, em colaboração com o Pólo do Projecto Minerva da Faculdade de Ciências e Tecnologia, de software específico para esta disciplina”.
São usados os programas Microcalc e Logo, em turmas normais do 11º ano, com 30 Alunos e metodologia de trabalho de grupo. No debate que se seguiu à apresentação deste trabalho no 1º Encontro de Professores de Matemática, organizado pelo Núcleo A. P. M. de Almada e Seixal, o Sérgio disse que “depois do trabalho no computador fazia sempre o feed-back e que este ano houve pessoas que pegaram nas fichas deles e as reformularam o que acha positivo”; depois, lançou a questão sobre se é preferível utilizar apenas um computador na sala de aula, com o Professor centrando em si a discussão, mais ou menos aberta, ou se seria melhor, havendo mais do que um computador na Sala, deixar os Alunos experimentarem os programas.

O projecto A viagem num mundo em transformação (de Eratóstenes a Pedro Nunes), das estagiárias Cristina Neto, Joana Guerreiro e Patrícia Cascais, apoiadas pela sua orientadora, a Filomena Teles, desenvolveu-se com os alunos do 8º ano, fora do espaço aula, não tendo havido preocupação com os conteúdos programáticos, apenas com as “noções” necessárias para a realização do trabalho (“ângulos, triângulos, polígonos, quadriláteros, proporções, semelhança de triângulos, Teorema de Thales”). No debate que se seguiu à apresentação deste trabalho no 1º Encontro de Professores de Matemática organizado pelo Núcleo A. P. M. de Almada e Seixal, a Patrícia reconheceu que “foi complicado e levou muito tempo, fins de semana, noites, etc.”, apesar de, como estagiárias, terem trabalhado “em condições especiais”, “em grupo, com menos turmas”.

É criado o Clube da Matemática, no qual colaboram a Ana Paula Natal e a Lídia Lourenço, tendo cada uma 2 horas semanais extra correspondente a horário lectivo. “Nesse espaço são construídos materiais de suporte a jogos e puzzles.” Um das horas da Lídia “é dedicada à resolução de problemas.” Uma das suas alunas, que frequentava este Clube, a Joana, ganhou as Olimpíadas de Matemática, por “mérito da aluna”, mas tendo o Clube “uma importância enorme na motivação e desenvolvimento do raciocínio matemático na resolução de problemas.”

1991-92

É realizada, com “resultados animadores”, Uma experiência interdisciplinar (Física-Matemática), “com alunos” de uma turma do 12º ano comum à Luísa Lopes e ao Sérgio Valente.
No 2º Encontro de Professores de Matemática organizado pelo Núcleo da A. P. M. de Almada e Seixal os autores afirmaram: “Pensamos que se deve dar aos alunos pelo menos uma oportunidade de contactarem com uma situação deste género. Para além do carácter interdisciplinar da experiência, é uma visão da matemática e da ciência em geral que está em jogo.”

É aberta uma Sala, designada Projecto MATlab, a utilizar “livremente pelos alunos”, para “a realização de actividades e para a exploração de desafios de carácter matemático (em sentido amplo)”. Começou a ser apetrechada com materiais, com o apoio financeiro do MATlab inter-escolas, de que a sua coordenadora, a Filomena Teles, é uma das autoras.
É aí realizada uma final interna das Olimpíadas da Matemática.


Escola Secundária da Cova da Piedade (actual Escola Secundária António Gedeão)

Antes de 1991-92

O grupo de Matemática organiza Concursos Inter-turmas, com questões de cultura geral e, também, de Matemática.

1991-92

Ao comemorar o “Dia da Matemática” no dia 9 de Abril, o Cantinho da Matemática foi inaugurado numa sala que, no ano seguinte, viria a ser reservada para este projecto. Nela se disponbilizavam jogos (alguém afirmou que esta Sala «até parece um casino») e materiais ligados à Matemática.
Os autores deste projecto começam a participar nas reuniões do MATlab interescolas (oficiosamente, pois não tinham sido dele autores).


Escola Secundária Emídio Navarro

Desde 1983 (ou 1985) até 1991-92

A Rita Vieira criou a Sala de Tempos Livres. Esta sala teve o apoio de uma funcionária e ajudou a completar o horário a professores de outras disciplinas, ao abrigo do artigo 20.
A Rita não se lembra de ter aberto esta Sala com intenção de a ligar às aulas, pretendendo, possivelmente e apenas, ocupar os miúdos, dar-lhes algo interessante para fazer; essencialmente, tratava-se de uma Ludoteca, que apoiou “O Problema da Semana”, o “Dia da Matemática”, a intervenção da Matemática na “Semana da Escola”; e que, durante alguns anos, albergou os TIMEX´s para uso dos alunos, e também uma mini-Biblioteca e o Clube de Filatelia, mantendo ligações transversais, através da sua coordenadora, ao Projecto Minerva, ao concurso “Problemas Via Telemática” e ao Laboratório de Meteorologia da Escola; foi ainda base de apoio para intervenções de divulgação noutras Escolas.
A Rita Vieira foi uma das autoras do MATlab interescolas.

1988-89

O Projecto GEODA foi uma experiência de ensino da Geometria em turmas do 7º ano, que envolveu o Ludgero Leote e a Rita Vieira, que utilizou o programa “Autosketch” e que esteve ligada ao Projecto Minerva, sendo inspiração para os projectos posteriores ligados ao Núcleo A. P. M. em Almada e Seixal.


Escola Secundária Nº 1 de Corroios (actual Escola Secundária João de Barros)

1991-92

Em 1990-91, numa reunião dos professores de Matemática destinada a analisar o insucesso escolar na sua disciplina, foi considerado que as “causas” deste se encontravam no «mito» associado à Matemática, nas reprovações consecutivas, no excessivo número de alunos por turma, na heterogeneidade de conhecimentos presente na mesma turma, na falta de hábitos de trabalho, na inadaptação dos programas, no não cumprimento destes nos anos anteriores, na falta de tempo para os professores trabalharem em conjunto e na indisciplina dos alunos.
Como consequência, no fim desse ano lectivo a Doroteia Costa e a Mirita Sousa redigem o Projecto da Matemática da Escola Secundária Nº1 de Corroios, pensado para três anos, ao longo do 3º Ciclo de escolaridade, para que os alunos desmotivados em relação à Matemática (nomeadamente por terem repetências sucessivas nesta disciplina) desenvolvam as suas capacidades e atitudes (construindo o “seu próprio saber”, com o seu “ritmo pessoal” e ganhando “maior confiança em si próprios”). Propõem que se utilize o trabalho de pesquisa, de grupo e de projecto, as visitas de estudo e a exposições, a comunicação oral, os jogos educativos, os materiais manipuláveis, as máquinas de calcular e os computadores.
E propõem a separação dos “alunos com sucesso em Matemática” dos “alunos desde sempre desmotivados na Matemática (com repetências sucessivas na disciplina)”, para se concentrarem nestes últimos, de acordo com “um programa no sentido do desenvolvimento das suas capacidades e atitudes”, de modo a eles construam o “seu próprio saber”, ao seu “ritmo pessoal” e ganhando “maior confiança em si próprios”.
No balanço feito no fim do primeiro deste projecto, durante o 2º Encontro de Professores de Matemática organizado pelo Núcleo da A. P. M. de Almada e Seixal, as autoras referem que os alunos com menor dificuldade nesta disciplina trabalharam com o “currículo normal” e “um pouco ao nível da investigação, circunscrita aos temas História da Matemática, Geometria e Pavimentações, enquanto que os alunos com mais dificuldades puderam, frequentemente, “escolher o tema e o material para trabalharem”, usaram, “exaustivamente […] os computadores e os materiais manipuláveis”, foram particularmente acompanhados no que respeita à “organização dos cadernos diários”, tendo sido todos classificados com o nível “3”, apenas com diferenças qualitativas expressas numa “grelha de observação”.

Já tinha havido nesta escola o Clube de Matemática, mais tarde transformado em Clube de Ciência, que a seguir se dividiu de tal modo que os Professores de Matemática ficaram sozinhos, com a “sala de jogos”. A dada altura de 1991-92 esses professores começaram a participar oficiosamente nas reuniões do MATlab interescolas.


Escola Secundária Nº 1 do Laranjeiro (actual Escola Secundária Rui Luís Gomes)

1989-90

O
José Tomás (quando estava na Nº 2 do Laranjeiro) e a Palmira Barroso implementam uma experiência pedagógica no 7º ano, que designam por Geoplano. Constroem geoplanos, com a colaboração dos alunos, e produzem uma planificação geral e 14 fichas de trabalho.

Este foi um dos projectos que inspirou o AlterMATivas interescolas.

1990-91

A partir de uma preocupação comum de professores de Matemática, Português e Francês, a “necessidade de em determinados momentos da aprendizagem agrupar os alunos e envolvê-los em actividades diversificadas de modo a possibilitar-lhes um acompanhamento mais individualizado, consoante as dificuldades e respeitando os seus ritmos de trabalho”, é implementado o Projecto «Mais uma Proposta para o Sucesso» em 3 turmas do 7º ano com horários coincidentes naquelas disciplinas, permitindo a “rotatividade dos alunos ao longo do ano”.
Na opinião de 6 dos Professores envolvidos, apresentada no 1º Encontro de Professores de Matemática organizado pelo Núcleo da A. P. M. de Almada e Seixal, “Foi uma aposta contra o cepticismo reinante”, pois “é necessário inventar, recriar sempre algo de diferente para os nossos alunos”.

1991-92

É realizado um “projecto” intitulado Descobrir a Geometria com o CABRI-Géomètre, tendo como “dinamizadoras” a Ana Teresa Mateus e a Palmira Barroso, com o apoio da Margarida Junqueira, sendo concretizado com uma turma do 9º ano, da Ana Teresa, dividida em duas metades de 12 alunos, que alternam na utilização do programa CABRI e na resolução de outros problemas sobre o mesmo tema, com materiais tradicionais.

É inaugurado o Clube de Jogos, um espaço destinado a funcionar como sala de jogos, estando envolvidos nele 4 professores, um deles com 2 horas de redução de serviço lectivo para a dinamizar; alguns alunos ajudam no arranjo da sala e no arranque das actividades.
O José Tomás, coordenador deste espaço, e a Palmira Barroso foram dois dos autores do MATlab interescolas.


Escola Secundária Nº 2 do Laranjeiro (actual Escola Secundária Francisco Simões)

1991-92

Os professores de Matemática organizaram, durante a Semana da Escola (1 a 5 de Junho), uma sala onde os alunos puderam “«jogar», «pensar» e divertir-se com jogos, problemas, puzzles e labirintos”.


Escola Secundária Nº 1 do Seixal (actual Escola Secundária José Afonso)

1988-92

Em 1991-92 a Sala de Dinamização Cultural foi equipada pelo Pedro Esteves com jogos de reflexão, puzzles e desafios matemáticos; a primeira actividade pública, durante a recepção aos novos alunos da Escola, é uma exposição intitulada “A Outra Face da Matemática”; é comemorado o Dia Mundial do Xadrez, em 19 de Novembro (o que se repetirá nos anos seguintes), e realizado o 1º Campeonato de Xadrez da Escola; neste ano o Xadrez está associado ao Núcleo do Desporto Escolar e a escola é a principal organizadora e sede de realização do 1º Torneio de Xadrez Interescolas do Concelho do Seixal. Com uma funcionária própria, esta sala também teve, durante o 2º e o 3º períodos, a colaboração de mais dois professores de Matemática e, para a fabricação de vários jogos e quebra-cabeças, a de diversos alunos.
Em 1990-91 esta sala, além de ser uma Ludoteca, começa a integrar actividades de Laboratório de Matemática; é nela iniciada a produção sistemática de materiais de apoio (jogos, puzzles, problemas, labirintos, desafios matemáticos, ...) e a edição de um boletim informativo; e estabelece-se uma ligação ao Projecto Viva a Escola, e, em 1991-92, ao MATlab interescolas (de que o Pedro Esteves foi um dos autores) e ao Clube Recreativo e Desportivo das Cavaquinhas.

1989-90

Realizada uma experiência pedagógica, pelo Pedro Esteves, intitulada Projecto AlterMATivas (outro dos projectos que inspirou o AlterMATivas interescolas). Prevista inicialmente para 4 anos (primeiro ano, turmas do 7º ano deste professor; segundo ano, turmas do 8º e 10º; terceiro ano, turmas do 9º e 11º; quarto ano, turmas do 12º), o plano foi alterado com a integração no projecto comum com as outras escolas.
Tinha como “objectivos: inovação de metodologias, produção de materiais, animação do colectivo de professores de Matemática da Escola, divulgação para o exterior, reflexão, eventualmente investigação“; foram produzidas algumas fichas de trabalho para utilização pelos alunos das turmas do 7º ano.


Comentários

Todos os projectos destinados a fomentar actividades extracurriculares que foram acima descritos envolveram-se no Projecto MATlab (interescolas), ou oficialmente (através dos autores deste), ou oficiosamente (participando, a partir de dada altura, nas reuniões, que para o permitirem se tornaram abertas). O mesmo já não sucedeu com o Projecto AlterMATivas, que se manteve em exclusivo nas mãos dos seus autores, embora tenha sido pródigo em deixar pistas para que outros professores o pudessem diversificar.

No quadro seguinte, que agrupa esses projectos, se são patentes pequenas iniciativas pioneiras, é sobretudo evidente a explosão de iniciativas que se verificou após 1989-90, ano em que foi fundado o Núcleo da A. P. M. em Almada e Seixal. Terá pois sido o associativismo o factor decisivo na enorme expansão dos projectos relacionados com a Matemática nas escolas desta região:



Fontes: Pedro Esteves / Arquivador digital Tese de Mestrado (Doc. T005) / Caixa com materiais do Núcleo (QUEBRA-CABEÇAS COM FÓSFOROS)

[040] Novidades no associativismo docente em Almada e Seixal

Memórias

Já não me recordo do ano em que me fiz sócio da Associação de Professores de Matemática (adiante refiro-a como APM). De início, limitei-me a adquirir algumas das publicações da minha nova associação; mas, em meados de 1988-89, recebi um folheto anunciando a realização de quatro sessões, a organizar pelo Núcleo Regional de Lisboa da APM:



Tratava-se de um folheto, dobrado em quatro partes, como se depreende da observação das dobras nas imagens da sua «frente» e do seu «verso». Nele estavam escritas três frases que me decidiram a participar (não me lembro se foi numa ou se foi em duas das sessões): «mudança da escola», «renovação do currículo em acção» e «encontros para intercâmbio e ideias».
Lembro-me de aí ter conhecido a Rita Vieira e a Paula Teixeira, uma leccionando em Almada, a outra na Amadora. Pouco depois, com elas e com o José Paulo Viana, que tinha sido meu colega no Pragal (quando me iniciei como professor, em 1979-80), escrevemos um livrinho de problemas que a APM pôs à venda.

Depois, no início de 1989-90, a dinâmica deste associativismo trouxe-me outra surpresa: havia, em Almada e Seixal, professores de Matemática interessados em criar aí um Núcleo Regional da APM!
A iniciativa foi do José Tomás, que argumentou assim:


Depois de uma reunião inicial, os professores que nela apareceram não perderam tempo.
Durante o ano lectivo, o José Tomás e a Palmira Barroso, na Escola Secundária Nº 1 do Laranjeiro (actual Rui Luís Gomes), exploraram o ensino da Geometria no 7º ano; e o Sérgio Valente, na Escola Secundária Anselmo de Andrade, explorou a utilização didáctica dos Computadores.
Adicionalmente, alguns professores decidiram organizar uma final regional das Pré-Olimpíadas de Matemática. Habitualmente, estas eram destinadas aos alunos mais jovens, enquanto as Olimpíadas eram destinadas aos alunos entre o 8º e o 12º ano, sendo umas e outras organizadas pela Sociedade Portuguesa de Matemática. No entanto, apenas as segundas, depois de uma fase inicial, em cada escola, dispunham de uma continuação regional e de uma final nacional. Portanto, a ideia destes professores foi proporcionar uma «final regional» aos alunos mais jovens de Almada e Seixal. Na reunião de preparação, em 29 de Março, estiveram presentes o Adelino Santos (E. S. da Sobreda), a Ângela Queiroz (E.S. Anselmo de Andrade), a Ana Baltazar (E. S. Nº 1 do Laranjeiro) a Ana Paula Machado (E. S. da Cova da Piedade), o Carlos Fonseca (E. B. do Feijó), a Isabel Amaro (E. S. Fernão Mendes Pinto) o Pedro Esteves (E. S. Nº 1 do Seixal) e a Rita Vieira (E. S. Emídio Navarro). A final aconteceu no dia 9 de Maio e os alunos tiveram pela frente os seguintes problemas (penso que foram a Filomena Teles, o Sérgio Valente e eu que os formulámos):


Houve entrega de prémios (em 19 de Maio) e agradecimentos aos apoios dados por um dos municípios.

Para terminar este primeiro ano do Núcleo Regional, ainda foi organizada, desta vez para professores, uma Oficina de Materiais: decorreu num Sábado de manhã (26 de Maio), tendo sido anunciada através deste folheto (frente e verso; para dobrar em dois):




Comentários


O associativismo docente junta professores de diversas escolas e de diversas regiões, proporcionando-lhes dinâmicas de colaboração e de partilha que não são fáceis de encontrar no espaço fechado de cada escola.

Fontes:

Pedro Esteves / Arquivador analógico Núcleo APM Um (Doc. 1) / Arquivador analógico APM Um (Doc. 1) / Arquivador digital Tese de Mestrado (4EXPR61)

Núcleo / Arquivador analógico Encontros Um

[039] O sistema educativo em 1989-90

Memórias

1989-90 foi o último ano da Escola Cultural.

Tal como nos anos anteriores, as lutas sindicais dos professores deixaram marcas nas escolas. Não me recordo das razões que estavam em causa, mas os quatro desenhos seguintes (que quase de certeza afixei na sala de Professores da Escola Secundária Nº 1 do Seixal) dão uma ideia do que se pensava acerca de quem estava do «outro lado da barricada»: o primeiro é de 1988 (representa aquilo que se esperava dos professores e as condições que se lhes não dava); o segundo e o terceiro são de 1989 (um mostra as incoerências de quem governava; o outro glosa uma frase do Ministro da Educação publicada no «Diário de Notícias»); e o último é de 1990 (refere um «aumento» salarial prometido no âmbito de uma campanha de «modernização administrativa»):









Comentários

Desconheço as razões que levaram ao encerramento da Escola Cultural. Mas em 1991, num encontro da Associação da Educação Pluridimensional e da Escola Cultural (AEPEC), o mentor da Escola Cultural, Manuel Patrício, revelou haver, após 4 anos deste projecto, 77 escolas do continente nele envolvidas, apesar do fraco apoio prestado pelo Ministério da Educação. Nesse encontro, Adalberto de Carvalho afirmou que “o projecto educativo dos alunos é que deve estar no centro da actividade escolar e não o projecto da sociedade ou da ciência.”
É possível que, sob o ponto de vista do Ministério da Educação, tenha sido preferível substituir a «Escola Cultural» pela «Área Escola», pois esta em breve entraria em vigor em vez daquela.

Como era de esperar, as divergências sobre as questões económicas eram o principal motivo das lutas sindicais. Mas também havia algum mal-estar em relação às mudanças reformistas que estavam a ser preparadas.

É possível que a grande maioria dos professores não tenha dado a atenção adequada ao Estatuto da Carreira Docente, que foi redigido «de cima para baixo». Os Sindicatos procuraram discuti-lo, mas teria sido necessário que os docentes se apercebessem mais profundamente das grandes questões que nele estavam envolvidas, em particular as formas de hierarquização que através dele se iriam começaram a introduzir nas escolas.

Fontes: Pedro Esteves / Arquivador analógico ESJA Dois (Doc.s 90, 96, 97 e 99) / Arquivador analógico Tese de Mestrado (Doc. 2)

[038] A Escola Secundária Nº 1 do Seixal em 1989-90: alguns balanços

Memórias e Comentários

A colaboração entre várias disciplinas na Sala de Dinamização Cultural, tal como prevista no projecto de Clube Galileu de Ciências, não se concretizou. Mas duas das suas facetas começaram a articular-se, a de «Ludoteca» e a de «Laboratório de Matemática». Sob o ponto de vista da «articulação», pode ter sido pena que estas duas facetas se tenham fisicamente separado nos anos seguintes, pois cada uma passou a ter um «espaço» próprio.

Um exemplo de articulação, entre «Jogo» e «Matemática», é o da seguinte ficha de actividade para alunos, o HEX da MULTIPLICAÇÃO, fabricada durante este ano e disponível desde então nesta Sala (foram fabricadas outras e todas elas divulgados junto de colegas de Matemática da margem Sul e da margem Norte do Tejo):


E um outro exemplo, baseado na articulação de «Quebra-cabeças» e «Matemática», foi o do CIRCUITO FECHADO (de que falarei noutra ocasião), que teve um grande sucesso no 2º e 3º período deste ano. As soluções apresentadas pelos alunos eram afixadas num expositor da Sala. E o Nuno Palhinhas construiu um exemplar em cartolina e começou a fazer experiências em casa, para determinar o circuito mais longo (este era o «desafio» complementar do Circuito Fechado).

No final do ano lectivo elaborei uma estatística à prática do XADREZ, contando com «treinos» e campeonatos internos e inter-escolas. Ela dá uma ideia de quem e quão intensamente praticava esta modalidade (não estão aqui incluídas as inúmeras partidas jogadas nos intervalos e noutras ocasiões):


Não me recordo das razões pelas quais não se desenvolveu na Sala de Dinamização Cultural a colaboração com a Biologia, a Física-Química e a Geografia no âmbito do Clube Galileu de Ciência. Mas lembro-me que Francês (salvo erro) quis aí ter um armário, e ele lá esteve durante dois ou três anos. E lembro-me também de ter desafiado a equipa do jornal Nova Maré a partilhar a Sala e de nunca me ter sido respondido que «não queriam».
Pelo menos no ano lectivo anterior e neste ano eu tinha colaborado com o jornal da escola. Estive várias vezes em casa do Sérgio Contreiras e da Alice Santos, depois de jantar, onde pegava nas colunas com os diversos artigos já «batidos» (na máquina de escrever), as recortava, para experimentar diversas paginações, até que conseguia uma solução; que, depois de aceite, colava numa folha, com um spray (descobri mais tarde que aquilo me fazia cair as pestanas); e assim ficava pronta mais uma página do jornal.
Mas eu não sentia que o jornal fosse «da escola», sendo sim «do curso de jornalismo», pelo que acabei por me desinteressar desta colaboração (o João Louro, que, no âmbito da candidatura à Escola Cultural, propusera que o Nova Maré fosse o elo de ligação entre toda a actividade da escola, fez-me, um dia, um comentário lamentando que as coisas não tivessem seguido na direcção que ele imaginara).

Os tempos em que havia «colaboração» nesta escola, segundo o que ouvia dizer a alguns que nela trabalhavam há mais tempo do que eu, estavam mesmo a transformar-se em tempos de «individualização». Por quê?

Depois dos dois anos em que estive no Conselho Directivo, e de mais estes dois anos como delegado do Grupo de Matemática e como membro do Conselho Pedagógico, o meu interesse em experimentar as potencialidades transformadoras dos «cargos» tinha sido radicalmente reduzido. Aprendera imenso sobre a escola, propusera diversas intervenções «a partir de cima», mas muito pouco ou mesmo nada resultou desse esforço.

No caso do Grupo de Matemática, eu os meus colegas apenas tiveram tempo, no final do ano, para nos pronunciarmos sobre o cargo de delegado (deveria ser rotativo; e o Olímpio Pereira auto-propôs-se e foi aceite por unanimidade para os próximos dois anos); sobre as regras a ter em conta na elaboração dos horários dos docentes e na constituição de turmas (os alunos repetentes deveriam ser colocados em turmas de não repetentes, sem os tornar aí maioritários); e sobre a falta de uma sala de trabalho para o grupo. Não surgiram alternativas para o patrono da Escola; e não foi debatido o que poderia vir a ser o «projecto para o grupo».

No caso do Conselho Pedagógico, a síntese do ano lectivo feita na reunião de 20 de Junho da Secção Pedagógica foi: “Pedagogicamente este ano correu mal: a Escola não assumiu nenhuma iniciativa própria (nem sequer a nível embrionário) […]; o M.E. e a D.R.E.L. agravaram as condições do nosso trabalho.” Não me recordo se esta conclusão foi partilhada, se apenas foi a «minha síntese» (é a única frase que tenho escrita sobre esta reunião).

Na reunião plenária do Conselho Pedagógico, no dia 11 de Julho, os participantes foram informados de que o insucesso escolar em 1989-90 fora de 22,3 % no 7º ano; de 23,2 % no 8º ano; de 23,5 % no 9º ano. E o CD não apresentou o balanço orçamental que prometera (e que, no princípio do ano, um dos membros do Conselho Administrativo - e futuro presidente do Conselho Directivo - achara «evidente» dever ser apresentado).

Ao confrontar estas percentagens do insucesso escolar com as das minhas turmas concluí que o Conselho Directivo as calculara a partir dos alunos que haviam sido avaliados no final do 3º período, ou seja: os alunos que haviam abandonado a escola durante o ano, ou perdido o ano por faltas, não eram considerados como tendo insucesso.

Eis as contas que fiz às minhas três turmas do 7º ano: desde o início do ano tive 78 alunos que participaram em pelo menos uma aula e que depois não foram transferidos para outra turma ou outra escola (houve mais do que um nestas condições); desses 78 alunos, apenas 45 transitaram para o 8º ano; dos outros, 14 não obtiveram classificação suficiente para transitar e 19 abandonaram a escola (ou por faltas, ou anulando a matrícula).

Nestas minhas três turmas do 7º ano, a percentagem de «insucesso sem contar com os abandonos» é muito próxima da percentagem calculada pela escola, pelo que deve ter sido este o modo de cálculo usado.

Não é indiferente calcular o «insucesso» de um ou de outro modo. Num caso, chama-se a atenção para a importância dos «abandonos» e no outro estes são encarados como se a escola lhes fosse indiferente.
Segundo a Lei 46 / 86, a Lei de Bases do Sistema Educativo [testemunho «006»], os alunos que entraram no 1º ano em 1987-88 passaram a ter 9 anos de escolaridade obrigatória; mas os alunos que tinham estado este ano lectivo no 7º ano tinham entrado na escolaridade antes de 1987-88, estando obrigados apenas à escolaridade de 6 anos (os que estavam obrigados aos 9 anos só chegariam ao 7º ano em 1993-94).
Se uma escola com 3º Ciclo se baseasse apenas na «lei», não se sentiria obrigada a pensar nos alunos que a abandonavam. Mas muitas famílias estavam a interessar-se cada vez mais pelo prosseguimento da escolarização dos jovens, desde há pelo menos duas décadas, isto é, mais ou menos desde que esta escola havia sido fundada. No seguinte gráfico, que abrange 30 anos de acesso ao Pré-escolar, ao Básico e ao Secundário, é possível visualizar aquilo a que tecnicamente se chama taxa real de escolarização (escolhi os seus valores de 5 em 5 anos):





Olhando apenas para o 3º Ciclo e para o final da década de 1980 (colunas roxa mais à direita), conclui-se que mais de metade dos jovens que poderiam estar inscritos neste nível de escolaridade o estavam a fazer (apesar de a isso não serem obrigados); as escolas deveriam, pois, preocupar-se com o fenómeno do «abandono». E este Conselho Pedagógico não se preocupara com isso no final deste ano lectivo; e também não retirara qualquer ilação da alta taxa de insucesso que as turmas do 3º Ciclo tinham tido (cerca de 1 em cada 4 alunos «reprovara»).

Como teria sido encarado o «sucesso», nesta e noutras escolas, nos tempos em que o «acesso» à escolaridade começara a crescer?

Algures no final do ano lectivo foi eleito um novo Conselho Directivo, que entrou em funções no dia 15 de Julho. Tal como para o biénio anterior, não houve concorrência, a única lista era composta por: Luís Carlos Carvalho, Manuela Vieira, José Calqueiro, Ana Chorincas e Rosário Leocádio.

Fontes: Pedro Esteves / Arquivador analógico ESJA Dois (Doc.s 62, 71, 87 e 104); Livro (Esteves, 2023; p. 39)

[037] A Escola Secundária Nº 1 do Seixal em 1989-90: Junho

Memórias

No dia 2 de Junho a Sala de Dinamização Cultural foi mais uma vez palco de um torneio de Xadrez, agora inserido nas actividades do Desporto Escolar, o Encontro de Clubes Escolares do Distrito de Setúbal:


Por impossibilidade da Escola Preparatória de Alcácer do Sal, participaram apenas quatro equipas, pelo que se acordou o confronto entre as duas dos «unificados» (actual «ensino básico»), a equipa da Escola Preparatória Nº 1 de Vale da Romeira (actual António Augusto Louro) e a da Escola Secundária Nº 1 do Seixal), ambas compostas por 6 jogadores, e entre as duas equipas  dos «complementares» (actual «ensino secundário»), a da Escola Secundária da Baixa da Banheira e a da Escola Secundária Nº 1 do Seixal, ambas compostas por 4 jogadores (a do Seixal incluía alguns alunos dos «unificados»).

Eis os resultados, tabuleiro a tabuleiro:




No dia 5 de Junho várias turmas, acompanhadas por um bom número de professores, foram passar uma manhã e uma tarde no Onda Parque (próximo da Costa da Caparica; entretanto, desde há anos, fechado).
Lembro-me de usufruir doe diversos «escorregas», de me terem pintado a cara e de disputar uma partida de Voleibol (com equipas mistas de alunos e professores).

No dia 11 de Junho uma camioneta alugada (ou seria mais de uma?) levou alunos (só do 7º ano?) a passar a manhã e a tarde na Praia da Figueirinha (entre o Portinho da Arrábida e Setúbal). Entre as poucas fotografias que tirei está uma com o «pessoal» a pedalar ou a remar em embarcações alugadas:




Comentários

No final dos anos 80 e no início dos anos 90 o mês de Junho, sobretudo para os alunos mais jovens, foi muitas vezes assim, sair da escola perto do final do ano, para festejar a chegada do Verão.

No jogo entre o José Carlos Lopes e o Jorge Coelho este, que dispunha de vantagem suficiente para ganhar, cometeu o erro de «esconder o seu Rei (branco) entre dois Peões adversários. O José Carlos apercebeu-se disso e virou o resultado a seu favor: as negras jogam e dão mate!



Fontes: Pedro Esteves / Arquivador analógico ESJA Dois (Doc.s 62, 68 e 104) / Álbum de fotografias analógicas ESJA Três (F21)

[036] A Escola Secundária Nº 1 do Seixal em 1989-90: Maio

Memórias

O 3º período lectivo decorreu de 23 de Abril a 22 de Junho.

No Conselho Pedagógico soube-se que o Estatuto da Carreira Docente acabara de ser publicado no «Diário da República», e que entraria em vigor no dia 1 de Junho.
Nele se estipulava que os professores apenas com turmas dos Complementares (actual Secundário) teriam 20 horas lectivas semanais; e que os professores apenas com turmas do Básico teriam 22 horas lectivas semanais.
Soube-se também que o Conselho Directivo propusera o General Humberto Delgado como futuro patrono da Escola; muitos dos membros do Conselho Pedagógico opuseram-se a este nome e, até, à mudança de nome.
O Orçamento (desta vez para 1990-91) voltou a ser fortemente questionado (pelos seus montantes, pelos destinatários, pela metodologia); foram criadas «duas comissões», que trabalhariam estes assuntos durante o Verão (ou seja, longe da vista de quem estava insatisfeito).

Com data de Maio de 1990, mas provavelmente já em Junho, saiu o Nº 26 do jornal Nova Maré.

Nos dias 26 e 27 de Maio disputou-se nesta Escola o 1º Torneio de Xadrez Interescolas do Seixal.
Local: a Sala de Dinamização Cultural (Pavilhão D).
Na seguinte fotografia estão os responsáveis pela organização. Da esquerda para a direita, o Pedro Esteves (professor na Escola Secundária Nº 1 do Seixal), o António Toscano (jogador no Centro de Acção Social de Miratejo, ou CASM), o Francisco Caetano (professor na Escola Preparatória Nº 1 do Vale da Romeira, actual Escola Básica 2+3 António Augusto Louro) e o Henrique Cardoso (jogador e animador no Clube das Cavaquinhas):



O Torneio foi disputado no chamado «sistema suíço», em 7 sessões, com todos os participantes juntos, sem distinção de género, mas reconhecendo na classificação final as diferenças de idade.
Vencedora absoluta (e melhor Juvenil): Maria João Neves (Escola Secundária da Amora).
Melhor Júnior: Luís Almeida (Escola Secundária Nº 1 do Seixal).
Campeão Infantil: Pedro Martins (Escola Primária Nº 1 de Miratejo).
Melhor Escola Secundária: Nº 1 do Seixal.
Melhor Escola Preparatória: Nº 1 de Vale da Romeira.

Eis os primeiros 25 classificados, entre 48 participantes:


E eis a classificação das escolas:


Uma imagem da sala de Dinamização Cultural durante o Torneio (vista de Norte para Sul):


A equipa da Escola Secundária Nº 1 do Seixal:

Da esquerda para a direita:
Atrás, o Bruno Machado, o Sandro Matos, o Pedro Oliveira, o Rui Pinela, o Pedro Martins, o Nuno Palhinhas, o José Carlos Lopes, o Rui Neves, o Mário Barros, o Gil Ramalho e a Carla Sousa
À frente, o Alcino Romão e o Luís Almeida


A equipa da Escola Preparatória de Corroios (hoje Escola Básica de Corroios):


A equipa da Escola Secundária da Amora:

À esquerda, a Maria João Neves
E à direita o professor Emílio Quaresma, que seria co-organizador dos próximos Inter-escolas


E os participantes, por idades (Infantis / Juvenis / Juniores):




Comentários

Esta iniciativa pressupunha que os participantes tivessem convivido e jogado, ao longo do ano, nas suas escolas. Este seria um novo momento para tal, mas alargado a outras escolas.

Para os organizadores, exigia-se uma experiência prévia. Pelo menos três deles tinham-na, por estarem envolvidos em clubes federados; e dois deles eram animadores desportivos.

Houve uma tentativa, a partir do CASM, de envolver o concelho de Almada nesta iniciativa, com o apoio do respectivo animador municipal, mas a tentativa falhou.

A escolha do Xadrez justificava-se pelas mesmas razões que as de qualquer outra modalidade (os benefícios individuais e colectivos da sua prática: o Desporto Escolar também o adoptara entre as modalidades que apoiava). Mas, diferentemente das modalidades mais «físicas», o Xadrez visava desenvolver a «concentração, a «raciocínio lógico» (próximo da «demonstração»), etc..
Nesta primeira concretização dos «interescolas» não estava ainda tão claro o que estaria nos seguintes: procurava-se beneficiar «todos» e não apenas «futuros campeões».

Este foi o primeiro de 13 anos consecutivos em que algumas escolas organizaram iniciativas interescolass no concelho do Seixal (a partir de 1990-91 também seria envolvido o concelho de Almada), com diversos apoios exteriores (municípios; associações).
Essas iniciativas ocorreram em mais de uma dezena de escolas (por diversas vezes na Escola Secundária do Seixal / José Afonso), sendo umas destinadas a alunos (Jogos de Reflexão; Matemática e Realidade; projectos curriculares; projectos extracurriculares) e outras a professores (Encontros Regionais; acções de formação; Boletim Informativo).
Ficam para já no ar seguintes questões:
Terão as escolas vantagem na existência de iniciativas interescolas?
A existirem, em que se distinguirão as que dependem principalmente das próprias escolas e as que dependem sobretudo do Ministério da Educação, das Câmaras Municipais e de outras instituições?
Haverá uma boa solução de compromisso entre estes diversos parceiros para este tipo de iniciativas?

A primeira das anteriores questões (terão as escolas vantagem em haver iniciativas interescolas?) levanta, aliás, uma outra: sendo as escolas «sistemas abertos» (porque os alunos, os professores e os funcionários de cada uma estão em contacto com outras gentes e vão sendo substituídos por novas gerações de alunos, de professores e de funcionários; e também porque o Ministério da Educação, e recentemente muitas outras instituições, determinam muito do que se faz e do que se pode fazer nas escolas), justificar-se-á que se isolem para competir com as outras, em vez de procurarem cooperat visando conseguir vantagens para todas?

Fontes: Pedro Esteves / Arquivador analógico ESJA Dois (Doc.s 62, 68 e 104) / Álbum de fotografias analógicas ESJA Dois (F3, F5, F6, F7, F8, F9 e F10)