[122] Um ano quase sem destaques na Escola Secundária José Afonso: em 1998-99, estar-se-ia a consolidar a sua «normalização»?

Memórias


A nova organização das escolas (o Decreto-Lei nº 115-A/98, referido no testemunho «119») determinara que este ano lectivo seria de transição. Entre as mudanças estava a dos Conselhos Directivos, que tinham um período de vigência de dois anos, e que dariam lugar a Conselhos Executivos, com a duração de três anos: no ano lectivo de 1998-99 far-se-ia a transição, através de uma Comissão Executiva Instaladora; e para ela foram eleitos o José Luís Vieira, a Luísa Gracioso, a Lucília Pita, a Maria do Carmo Jorge e a Zélia Tostão.

Muito pouca coisa «de escola» registei ao longo deste ano lectivo. E uma delas diz respeito aos diversos projectos. Houve pelo menos duas reuniões dos seus animadores, uma no dia 2 de Janeiro, outra já depois do encerramento das aulas, no dia 25 de Junho.
Na primeira destas reuniões soube anotei a existência de, no mínimo, «projectos» (ou «clubes». ou «grupos» com actividades extracurriculares) ligados à Comunicação (Jornal de Parede, Nova Maré e Rádio), à Floresta, ao Karting e ao Teatro; e ainda o Desporto Escolar, o Laboratório de Matemática, a Ludoteca e o Meteor. Debateram-se nela questões como a «informação, os «espaços», os «recursos» e os «funcionários». Mas nem nessa altura, nem talvez antes, nem mais tarde estas questões foram aguerridamente assumidas. O que parece hoje estranho, dado estarmos a sair de uma tentativa de elaborar um Projecto Educativo, que as deveria ligar a todas.
A segunda reunião foi ainda mais inútil, pois nem se fez uma avaliação do trabalho feito ao longo deste ano lectivo, nem se iniciou qualquer preparação do trabalho a fazer no ano seguinte.

Alguns dias antes desta última reunião havia-se realizado a Festa de Encerramento do ano lectivo. Eis a primeira e a terceira páginas do folheto (uma folha A4 dobrada a meio) que a anunciou:




Comentários

Saber que «projectos estiveram em acção em cada ano lectivo nem sempre foi fácil, quer porque os próprios interessados achavam não ser relevante declará-lo perante a «comunidade» dos animadores de projectos, quer porque a maioria destes não o fazer para se coordenar com os outros animadores, apenas para obter, se possível, mais alguns recursos.

Apesar desta fria constatação a posteriori, não é confundível o «ambiente extracurricular» que durante uns dez anos senti nesta escola com aquele que agora se estava a instalar. A origem do «movimento da escola» deixava de estar na «base» da sua «comunidade educativa» (ou melhor, na sua parte mais dinâmica) para começar a estar no «topo». E para tal contribuíam as pressões associadas à preparação das «reformulações curriculares» e o início da reorganização escolar.
Talvez houvesse ainda um terceiro factor, mais indirecto e muito mais subtil: com o ministro Marçal Grilo, o corpo docente das escolas estabilizara-se e os professores foram alvo de aumentos salariais não desprezáveis.


Fontes: Pedro Esteves / Arquivador analógico ESJA Oito (doc.s 47 e 59)