[123] Em 1998-99, na Escola Secundária José Afonso, em vez de uma Ludoteca em espaço próprio, uma «Ludoteca no Papel»

Memórias

No dia 23 de Setembro de 1998 a Ludoteca completou uma década de existência.

O presidente da Comissão Instaladora mobilizou a Direcção da Associação de Estudantes (constituída quase exclusivamente por alunos do 11º E) para assumirem um papel de apoio à Ludoteca. Esta seria transferida para o chamado «Ginásio Pequeno» (que fizera parte da antiga Escola Básica Vale da Romeira Nº 2 e fazia entretanto parte do «Pavilhão D» da nossa escola). A razão comunicada para esta tentativa de deslocação teria a ver com a gradual desactivação deste pavilhão, mas o facto foi que a transferência não se fez e o pavilhão continuou a ser usado - é bem possível que a verdadeira razão fosse a falta de funcionários, ou uma sua diferente gestão.

Sem um espaço próprio para a abertura regular lancei a iniciativa Uma Ludoteca no Papel. De duas em duas semanas publicava informações úteis para quem gostava de jogos, sobre quebra-cabeças, sobre labirintos, sobre jogos de reflexão, sobre a história da ludoteca e ainda informações destinadas a apoiar as inciativas concretas que foi possível realizar, como os Campeonatos de Escola, o Interescolas e, no final do ano lectivo, o Escola em Festa.
Foram publicadas 14 números de «Uma Ludoteca no Papel». A Dª Emília, agora colocada à entrada do Pavilhão D, ficou encarregue de distribuir fotocópias de apoio (labirintos, regras) e os interessados em jogar dispunham das tardes de 4ª feira no antigo espaço da Ludoteca e de diversos outros horas na sala B11, onde funcionava o Laboratório de Matemática.

No Nº 12 deste boletim, além de lembrar as regras do jogo «Quadrados», lembrava-se o resultado da participação das equipas da José Afonso nos seis primeiros Interescolas:


Foram realizados três campeonatos de escola, com os seguintes resultados:
Quatro em Linha, 3 participantes: 1º Gonçalo Miranda (8º B); 2º João Caseiro (8º B); 3º Sandro Santos (8º B)
Damas Clássicas, 7 participantes: 1º Sandro Santos (8º B); 2º João Caseiro (8º B); 3º Nuno Varela (9º D):
Xadrez, 4 participantes: 1º Flávio Sousa (8º B); 2º Márcio Sousa (8º B); 3º João Caseiro (8º B).


Comentários

As dificuldades por que se passou com a Ludoteca, e que nunca mais deixaram de a afectar, podem bem ser mais uma das faces das transformações «em pézinhos de lã» (ver testemunho anterior) que estavam a transformar as escolas: aos reformistas (gestores do Ministério da Educação e académicos que os apoiavam) não interessava «desperdiçar» horas longe da «sala de aula» destinadas a acolher as suas orientações curriculares (ver como Maria do Céu Roldão o defendeu no testemunho «119»); e nas escolas, como foi o caso da minha, deverão ter começado a agitar-se os interessados em gerir localmente este tipo de política.

No entanto, o que estava a suceder, hoje mais claramente documentável e argumentável, não era ainda percebido na altura. Foi por isso que, a dada altura deste ano, tomei diversas notas sobre o «Futuro da Ludoteca», entre elas: a possibilidade de a transformar numa ludoteca mais abrangente, envolvendo diversas disciplinas, dispondo de quem nela trabalhasse após um Curso de Formação (o Instituto de Apoio da Criança, ligado à Gulbenkian, parecia estar a proporcioná-los), estabelecendo laços com as ludotecas dos escolas mais próximas e tentando ter um papel mais próximo dos currículos oficiais através da «Área de Projecto» da “flexibilização curricular” cuja preparação estava em curso. Cheguei mesmo a acrescentar, no final dessas notas, que deste esforço poderia resultar a elaboração de uma Declaração sobre as Ludotecas …
Foi com base nestas reflexões que, no fim do ano lectivo, apresentei o projecto para o 12º ano da Ludoteca, o ano lectivo de 1999-2000.



Fontes: Pedro Esteves / Arquivador analógico ESJA Oito (doc.s 55, 57 e 58)

[122] Um ano quase sem destaques na Escola Secundária José Afonso: em 1998-99, estar-se-ia a consolidar a sua «normalização»?

Memórias


A nova organização das escolas (o Decreto-Lei nº 115-A/98, referido no testemunho «119») determinara que este ano lectivo seria de transição. Entre as mudanças estava a dos Conselhos Directivos, que tinham um período de vigência de dois anos, e que dariam lugar a Conselhos Executivos, com a duração de três anos: no ano lectivo de 1998-99 far-se-ia a transição, através de uma Comissão Executiva Instaladora; e para ela foram eleitos o José Luís Vieira, a Luísa Gracioso, a Lucília Pita, a Maria do Carmo Jorge e a Zélia Tostão.

Muito pouca coisa «de escola» registei ao longo deste ano lectivo. E uma delas diz respeito aos diversos projectos. Houve pelo menos duas reuniões dos seus animadores, uma no dia 2 de Janeiro, outra já depois do encerramento das aulas, no dia 25 de Junho.
Na primeira destas reuniões soube anotei a existência de, no mínimo, «projectos» (ou «clubes». ou «grupos» com actividades extracurriculares) ligados à Comunicação (Jornal de Parede, Nova Maré e Rádio), à Floresta, ao Karting e ao Teatro; e ainda o Desporto Escolar, o Laboratório de Matemática, a Ludoteca e o Meteor. Debateram-se nela questões como a «informação, os «espaços», os «recursos» e os «funcionários». Mas nem nessa altura, nem talvez antes, nem mais tarde estas questões foram aguerridamente assumidas. O que parece hoje estranho, dado estarmos a sair de uma tentativa de elaborar um Projecto Educativo, que as deveria ligar a todas.
A segunda reunião foi ainda mais inútil, pois nem se fez uma avaliação do trabalho feito ao longo deste ano lectivo, nem se iniciou qualquer preparação do trabalho a fazer no ano seguinte.

Alguns dias antes desta última reunião havia-se realizado a Festa de Encerramento do ano lectivo. Eis a primeira e a terceira páginas do folheto (uma folha A4 dobrada a meio) que a anunciou:




Comentários

Saber que «projectos estiveram em acção em cada ano lectivo nem sempre foi fácil, quer porque os próprios interessados achavam não ser relevante declará-lo perante a «comunidade» dos animadores de projectos, quer porque a maioria destes não o fazer para se coordenar com os outros animadores, apenas para obter, se possível, mais alguns recursos.

Apesar desta fria constatação a posteriori, não é confundível o «ambiente extracurricular» que durante uns dez anos senti nesta escola com aquele que agora se estava a instalar. A origem do «movimento da escola» deixava de estar na «base» da sua «comunidade educativa» (ou melhor, na sua parte mais dinâmica) para começar a estar no «topo». E para tal contribuíam as pressões associadas à preparação das «reformulações curriculares» e o início da reorganização escolar.
Talvez houvesse ainda um terceiro factor, mais indirecto e muito mais subtil: com o ministro Marçal Grilo, o corpo docente das escolas estabilizara-se e os professores foram alvo de aumentos salariais não desprezáveis.


Fontes: Pedro Esteves / Arquivador analógico ESJA Oito (doc.s 47 e 59)