Memórias
Depois de no 1º Círculo de Estudo terem sido focados “Os Problemas do Ensino /
Aprendizagem da Matemática na nossa Escola”, propusemo-nos, agora, começar a
enfrentá-los através do “Desenvolvimento de um Laboratório de Matemática”.
Ainda antes da 1ª sessão definimos cinco temas, três ligados à produção e
experimentação de materiais pedagógicos (Cálculo Aritmético e Algébrico;
Geometria no 3º Ciclo; e Geometria no Secundário) e dois ligados à exploração e
experimentação de ferramentas pedagógicas (ambas destinadas ao Secundário: Calculadoras
Gráficas; e Computadores) e decidimos que cada professor escolheria dois destes
temas. Formar-se-iam assim cinco grupos de trabalho. Quanto à avaliação, seria
feita através de um debate final, onde apresentaríamos os trabalhos de cada
professor e de cada grupo e apreciaríamos o impacto dos dois primeiros Círculos
de Estudos na Escola.
Em relação ao primeiro Círculo de Estudos este tinha quatro novas participantes,
a Arminda Azevedo, a Paula Falcão e a Paula Morais, acabadas de chegar à José
Afonso, e a Ana Pontes. Éramos portanto onze professores, número que estava dentro
das novas regras impostas às «acções de formação» (os seus grupos deveriam ter entre
10 e 15 participantes). E destes onze, a Ana Almeida, o Olímpio Pereira fomos
designados como formadores «oficiais».
Não estive em todas as sessões, pelo que só anotei um ou
outro aspecto mais relevante de algumas delas:
* Na 1ª sessão (em 24 de Outubro) soubemos que os colegas de Português e de Inglês
também gostariam de ter o seu próprio Círculo de Estudos;
* Na 2ª sessão (em 7 de Novembro), decidimos escolher apenas três dos cinco temas
que prevíramos, e todos nós participaríamos neles: Calculadoras Gráficas;
Poliedros; Cálculo Numérico e Algébrico);
* Como faltei às três sessões seguintes (estava a trabalhar na tese de mestrado,
em Frankfurt am Main), escrevi aos meus colegas (em 14 de Dezembro) para lhes
relatar alguns pormenores dos Laboratórios de Matemática que tinham estado no
ProfMAT da Figueira da Foz, para lhes sugerir uma ideia que me surgira por lá e
para concluir assim: “Espero que, entretanto,
avancem e aprendam uns com os outros umas boas coisas sobre as calculadoras
gráficas. Eu vou perder essa parte, mas depois, com mais pessoal a saber do
assunto, hei-de recuperar a matéria …”
* Na 6ª sessão (em 6 de Março) anotei que o Laboratório de Matemática que propuzéramos
tinha sido oficializado, estando situado ao fundo do Pavilhão B (uma sala
enorme); estaria à partida ocupado 18 horas por semana com aulas, nomeadamente
de Matemática;
* A 7ª sessão decorreu em 13 de Março e a 8ª sessão em 20 de Março;
* Na 9ª sessão (em 27 de Março), que deveria ser a última, reconhecemos que o nosso
principal trabalho fora sobre as Calculadoras Gráficas;
* Ainda houve pelo menos mais duas sessões, para terminar os materiais
produzidos: em 8 de Maio, dia em que decidimos produzir e editar um “calendário com régua” tendo, no verso, temas
matemáticos; e em 5 de Junho, dia em que soubemos do imenso dinheiro com este
Círculo de Estudos recebera, 200 contos pela acção de formação (na altura estas
eram pagas!), 187,5 doados pelos formadores (decisão tomada no 1º Círculo de
Estudos e desde aí nunca contrariada) e 20 atribuído pelo Centro de Formação, o
que nos levou a tomar a decisão de adquirir um computador (a ligar à internet), uma impressora a cores (mais
os respectivos tinteiros), um scaner
e o programa Derive.
Comentários
A minha decisão de propor o 1º Círculo de Estudos assentara sobre pelo menos
duas experiências que me tinham mostrado limites da acção colectiva: por um
lado, os projectos interescolas ligados ao Núcleo Regional da APM não tinham
tido continuidade; por outro, a elaboração do Projecto Educativo da José Afonso
estava a revelar demasiada indiferença de grande parte da comunidade educativa
da escola e, nalguns casos (mais ou menos visíveis), a revelar envolvimentos interesseiros.
Não admira que, como consequência, me tenha interrogado, após uma das primeiras
sessões deste Círculo de Estudos, sobre para que serviria um “projecto do grupo”,
ou um “projecto educativo”, comparados com o que estava a acontecer com estes
Círculos de Estudos (que não eram um «projecto», apenas um «processo»), onde,
concluí eu, “Parece haver convergência e articulação
de esforços e de pessoas”.
Na minha auto-avaliação como participante neste 2º Círculo de Estudos (os «formadores»
também eram «participantes»: aliás, todos éramos formadores e formandos)
desejei que não perdêssemos de vista a cooperação com professores de outras
disciplinas e de outras escolas e que envolvêssemos nos nossos futuros
trabalhos em comum as “perspectivas culturais das
comunidades de onde provém os alunos.”
Trinta anos depois tenho de confessar que nunca recuperei as sessões que
perdera sobre as Calculadoras Gráficas: aprender em conjunto é muito diferente
de aprender individualmente!
Fontes: Pedro Esteves / Arquivador
analógico ESJA Sete (doc.s 96, 98, 100 e 101)
Fotografia: Pedro Esteves / Álbum ESJA Dez (F134: 32A)
