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[123] Em 1998-99, na Escola Secundária José Afonso, em vez de uma Ludoteca em espaço próprio, uma «Ludoteca no Papel»

Memórias

No dia 23 de Setembro de 1998 a Ludoteca completou uma década de existência.

O presidente da Comissão Instaladora mobilizou a Direcção da Associação de Estudantes (constituída quase exclusivamente por alunos do 11º E) para assumirem um papel de apoio à Ludoteca. Esta seria transferida para o chamado «Ginásio Pequeno» (que fizera parte da antiga Escola Básica Vale da Romeira Nº 2 e fazia entretanto parte do «Pavilhão D» da nossa escola). A razão comunicada para esta tentativa de deslocação teria a ver com a gradual desactivação deste pavilhão, mas o facto foi que a transferência não se fez e o pavilhão continuou a ser usado - é bem possível que a verdadeira razão fosse a falta de funcionários, ou uma sua diferente gestão.

Sem um espaço próprio para a abertura regular lancei a iniciativa Uma Ludoteca no Papel. De duas em duas semanas publicava informações úteis para quem gostava de jogos, sobre quebra-cabeças, sobre labirintos, sobre jogos de reflexão, sobre a história da ludoteca e ainda informações destinadas a apoiar as inciativas concretas que foi possível realizar, como os Campeonatos de Escola, o Interescolas e, no final do ano lectivo, o Escola em Festa.
Foram publicadas 14 números de «Uma Ludoteca no Papel». A Dª Emília, agora colocada à entrada do Pavilhão D, ficou encarregue de distribuir fotocópias de apoio (labirintos, regras) e os interessados em jogar dispunham das tardes de 4ª feira no antigo espaço da Ludoteca e de diversos outros horas na sala B11, onde funcionava o Laboratório de Matemática.

No Nº 12 deste boletim, além de lembrar as regras do jogo «Quadrados», lembrava-se o resultado da participação das equipas da José Afonso nos seis primeiros Interescolas:


Foram realizados três campeonatos de escola, com os seguintes resultados:
Quatro em Linha, 3 participantes: 1º Gonçalo Miranda (8º B); 2º João Caseiro (8º B); 3º Sandro Santos (8º B)
Damas Clássicas, 7 participantes: 1º Sandro Santos (8º B); 2º João Caseiro (8º B); 3º Nuno Varela (9º D):
Xadrez, 4 participantes: 1º Flávio Sousa (8º B); 2º Márcio Sousa (8º B); 3º João Caseiro (8º B).


Comentários

As dificuldades por que se passou com a Ludoteca, e que nunca mais deixaram de a afectar, podem bem ser mais uma das faces das transformações «em pézinhos de lã» (ver testemunho anterior) que estavam a transformar as escolas: aos reformistas (gestores do Ministério da Educação e académicos que os apoiavam) não interessava «desperdiçar» horas longe da «sala de aula» destinadas a acolher as suas orientações curriculares (ver como Maria do Céu Roldão o defendeu no testemunho «119»); e nas escolas, como foi o caso da minha, deverão ter começado a agitar-se os interessados em gerir localmente este tipo de política.

No entanto, o que estava a suceder, hoje mais claramente documentável e argumentável, não era ainda percebido na altura. Foi por isso que, a dada altura deste ano, tomei diversas notas sobre o «Futuro da Ludoteca», entre elas: a possibilidade de a transformar numa ludoteca mais abrangente, envolvendo diversas disciplinas, dispondo de quem nela trabalhasse após um Curso de Formação (o Instituto de Apoio da Criança, ligado à Gulbenkian, parecia estar a proporcioná-los), estabelecendo laços com as ludotecas dos escolas mais próximas e tentando ter um papel mais próximo dos currículos oficiais através da «Área de Projecto» da “flexibilização curricular” cuja preparação estava em curso. Cheguei mesmo a acrescentar, no final dessas notas, que deste esforço poderia resultar a elaboração de uma Declaração sobre as Ludotecas …
Foi com base nestas reflexões que, no fim do ano lectivo, apresentei o projecto para o 12º ano da Ludoteca, o ano lectivo de 1999-2000.



Fontes: Pedro Esteves / Arquivador analógico ESJA Oito (doc.s 55, 57 e 58)

[113] O Laboratório de Matemática e a Ludoteca da ESJA em 1997-98: tenho pouca informação!

Memórias

Este foi o 10º ano da Ludoteca.
Na apresentação do projecto para este ano (em 5 de Junho de 1997), lembrei o seu objectivo principal, “o envolvimento dos alunos, nos seus tempos livres, em actividades educativas meta-desciplinares com carácter lúdico, contribuindo desse modo para o seu desenvovimento pessoal” e os seus objectivos complementares, “constituir um apoio a outras actividades da Escola (inclusivé as lectivas) e uma área de realização profissional (para os professores e funcionários envolvidos).”
E lembrei os anos de envolvimento que nela tiveram as funcionárias Ana Teigão (1993-94) e Emília Ferreira (1994-97) e os professores José Calado (1995-96), Manuel Neto (1995-97) e Pedro Esteves (1989-97).

E este foi o 4º ano do Laboratório.
Na apresentação do projecto para este ano (não a datei), lembrei o duplo papel deste espaço, “por um lado como Cento de Recursos da apoio às actividades curriculares da disciplina de Matemática” e à “formação de professores” e, por outro, “como condição para pequenas realizações do tipo Clube de Matemática, Concurso de Problemas, etc..”
Coube à Ana Almeida e à Ana Chorincas, organizar este ano o Laboratório.
Estando ele agora situado no Pavilhão B, iria proporcionar 13 horas lectivas semanais de aulas (das 50 horas do horário definido para toda a escola), em parte justificadas para o uso dos computadores no Secundário.


Comentários

Não encontrei nos documentos que me pertencem dados sobre os Campeonatos de Escola deste ano lectivo, não sendo a primeira vez que, até agora (nesta descrição comentada a que este blogue procede), isso me sucede.
Plausivelmente tratou-se de uma esquecimento provocado pelo meu contacto mais pontual com a escola ao longo deste ano.
Não é impossível que ainda venha a encontrar os dados na própria escola!

Os logotipos que tinha produzido, recentemente, para a Ludoteca e para o Laboratório de Matemática eram estes:


No caso da Ludoteca, a inspiração veio do Cubo de Rubik (3 x 3), recorre à simbologia do Xadrez (o Cavalo é a sua peça imageticamente mais específica) e, ao usar três faces para a escrita de «LUDOTECA», sugere as múltiplas actividades que este espaço proporciona.

E no caso do Laboratório de Matemática, a inspiração veio da Fita de Möbius, que tem uma só face (uma formiga, ao percorrrer longitudinalmente a fita, sem atravessar o seu bordo, não só voltaria ao ponto de partida como percorreria tanto a «face» como o «verso»); sugere-se assim a unidade da Matemática, bem como a cooperação entre a pesquisa teórica e a pesquisa experimental no desenvolvimento da Matemática.



Fontes: Pedro Esteves / Arquivador analógico ESJA Sete (doc.s 94, 95 e 101)

[107] A Escola Secundária José Afonso em 1996-97

Memórias

No âmbito dos muitos documentos que foram produzidos este ano, um deles mostra uma lista os Projectos que estavam a funcionar este ano na «José Afonso»:

- Actividades em Férias;
- Atelier de Fotografia;
- Centro de Recursos;
- Clube do Ambiente;
- Clube de Ciência;
- Clube Mãos Verdes;
- Coro;
- Desporto Escolas;

- Educar-se Comunicando (Nova Maré / TV3D; Rádio SOS);
- Expo Dança;
- Expressão Plástica;
- Karting;
- Laboratório de Matemática;
- Ludoteca;
- Mini Half Pipe;
- Núcleo de Teatro:
- Sala de Estudo;
- Viva a Escola.”

Além do que já referi sobre o Laboratório de Matemática e sobre a Ludoteca no testemunho «105», apenas possuo algumas notas sobre o Projecto «Viva a Escola» (que fazia parte do Projecto Vida, do Ministério da Educação): no dia 20 de Janeiro, o Luís (Cardoso?), a Luísa Gracioso, o José Calado, o José Calqueiro, a Maria do Céu e o Pedro Esteves reuniram-se para preparar o Dia «D» (de «Droga»), que viria a decorrer no dia 28 de Janeiro, misturando jogos físicos com jogos mentais (estes foram concretizados na Ludoteca, com relevância para jogos envolvendo mais de 2 jogadores).

Além desta, muitas outras reuniões foram realizadas este ano.

O Ministério da Educação (ME) quis que todos os grupos disciplinares apreciassem as suas propostas de Revisão Curricular: as reuniões decorreram no dia 20 de Novembro e delas foram feitos relatórios parciais, a partir dos quais se redigiu um relatório global, enviado para o ME.

Também prosseguiu a elaboração do Projecto Educativo de Escola (PEE), que envolveu várias reuniões e um considerável número de documentos auxiliares, que faziam a ligação entre o caminho já feito e o que faltava fazer.
As reuniões que registei ocorreram em 15 de Novembro, 16 de Dezembro, 29 de Janeiro e 30 de Abril e foram destinadas, contrariamente às reuniões dos anos anteriores (este processo começou em 1993!), a ir elaborando um documento final, pelo que a diversidade daqueles que nelas participaram diminuiu: anotei os nomes da Adelaide Duarte, do António Cardoso, da Célia, da Élia, da Dª Helena (da Biblioteca), do José Calqueiro, da Lucília Pita, da Paula Viegas, do Pedro Esteves e do Sílvio (da A. Estudantes); e anotei que a Lucília foi eleita coordenadora deste processo.
Pelo meio houve diversas outras reuniões, que se abriram à participação de toda a comunidade, visando recolher comentários críticos preparatórios do documento final.

Ao voltar a folhear os documentos que foram sendo produzidos gostei especialmente de três pequenos contributos:
Os princípios propostos para o PEE eram: “diversidade”, “convivialidade” e “solidariedade”;
A imagem de escola que se sugeria era: “Uma Escola que conta com Todos”;
E o comentário que se encontrava no topo de um dos documentos era: “Tratar do corpo da escola / mas também da sua alma”.

Perto do final do ano, em 13 de Junho, concretizou-se a 1ª fase da votação sobre a proposta de Projecto Educativo (a 2ª fase deveria concretizar-se em Setembro, envolvendo então as turmas). De 220 eleitores, votaram 140 (63,6 %); 114 aprovaram o PEE (81,4 %); 16 não o aprovaram (11,4 %); 8 votaram em branco (5,7 %); e 2 votaram nulo (1,4 %):



Penso que o comentário “Tratar do corpo da escola / mas também da sua alma” tinha a ver com o facto de, paralelamente ao processo de definição do Projecto Educativo decorrer, durante este ano lectivo, o processo de participação da comunidade educativa na definição das novas instalações da escola. Ou seja, tanto a alma como o corpo da escola estariam sob a atenção de todos nós.
Curiosamente, verifico ter registado mais reuniões respeitantes ao «corpo da escola» do que à «alma da escola», apesar de aquelas se terem realizado quase exclusivamente no 3º período lectivo:


Estas reuniões tiveram uma evolução de espírito e de conteúdo:
- Inicialmente, a preocupação dos participantes oscilou entre definir uma posição de escola e aguardar pelas propostas da DREL (Direcção Regional da Educação de Lisboa);
- Pouco depois colocou-se a questão da relação entre os que se reuniam espontaneamente e os que no Conselho Directivo (CD) e no Conselho Pedagógico (CP) podiam tomar uma posição institucional;
- A reunião de 27 de Maio foi na DREL: segundo nos disseram lá, a 1ª fase corresponderia à remodelação do r/c do Pavilhão C; a 2ª fase à construção do Novo Pavilhão (com uma planta de mais ou menos 50 x 20 metros e dois pisos); a 3ª fase à construção de novos Pavilhão Gimnosdesportivo, Pavilhão para a Mecanotecnia (planta de 20 x 20 metros) e Refeitório; para o Sérgio, foram os Fax`s que a escola enviou que conduziram a esta reunião; para mim foi a gradual emergência da nossa opinião;
- Em 30 de Maio desabafei o seguinte nas minhas notas: havia duas estratégias paralelas à do grupo que se reunia, a secretista (algumas reuniões de grupos particulares com técnicos da DREL, não publicitadas) e a do CP (que queria que tudo passasse por lá que mas nada fazia por isso);
- A partir da reunião de 27 de Maio as reuniões foram foram marcadas pela aceitação da posição da DREL e pela preocupação com a obtenção de esclarecimentos complementares por parte da DREL e de restar informações à escola (o CP não se mexeu, mais uma vez);
- A dado momento, segundo as minhas anotações, alguns dos envolvidos nas reuniões começaram a falar em “diálogo” e em “negociação”, depois de andarem a tentar duplicar o preço do que pretendiam para satisfazer os seus interesses;
- Foi ficando claro que, com a proposta da DREL, não sobrariam espaços para «clubes» dos alunos e para «salas de trabalho» dos professores; para alguns poucos, como eu, a luta estava centrada na recusa da “lectivização” das instalações;
- Por outro lado, as posições mais institucionais concentraram-se na resolução dos problemas dos espaços associados às Ciências da Natureza e da Fisica-Química (melhorias no r/c do Pavilhão C) e, sobretudo, da Mecanotecnia (pavilhão a substituir);
- As reuniões de Julho destinaram-se a preparar uma segunda reunião com a DREL (que esta adiou), sempre com a tónica na “pressa” (ou seja, a de reduzir as obras de 3 para 2 anos).

Sabemos hoje que as obras só iriam começar alguns anos mais tarde …

Como curiosidade, entre os que acreditaram que a escola poderia vir a ter um papel na definição das novas instalações, foram ensaiados cenários para a evolução das obras e para o seu perfil final. Eis as duas versões em que eles apostaram:





Houve ainda uma reunião que, como as anteriores, teria tudo para ser considerada fazendo parte do processo de elaboração de um PEE: destinou-se a perspectivar o lançamento dos Currículos Alternativos na escola, para o que precisaríamos que estes figurassem no Projecto Educativo. Ela decorreu no dia 23 de Abril e juntou a Ana Chorincas, a Anabela (qual?), a Augusta Cabral, a Madalena Ferreira e o Pedro Esteves.

Não sei como ainda tive tempo para organizar uma pequena exposição intitulada «10 ANOS à mão livre». Esteve patente de 10 a 23 de Dezembro no corredor do 1º andar do Pavilhão C e exibia alguns desenhos meus feitos na escola ou para a escola. Talvez começasse a estar consciente que o meu tempo disponível para desenhar estava a terminar, devido aos outros envolvimentos. O que hoje acho de mais marcante nos desenhos mostrados é a mudança dos feitos à mão para os feitos com o computador (e os mais recentes, penso, já com o Windows).

Eis um exemplo de desenho feito à mão (integrei-o na capa do folheto produzido para divulgar a exposição):



E eis alguns dos desenhos feitos com computador (que ilustravam fichas de trabalho):



Comentários

Sob o ponto de vista do contexto em que a escola trabalhava, senti ao longo deste ano que cada vez mais coisas se estavam a ser decididas fora da escola, o que contrastava com as reuniões que internamente fazíamos (alguns pensando que através delas tínhamos um papel importante na definição do nosso futuro). Desabafei sobre isso nos apontamentos que tomei no dia 29 de Maio: “cada vez se decide mais o que é a Escola a partir do exterior – a formação inicial vê-se duplicada pela contínua (obrigatória), há diversos projectos lançados pelo Ministério da Educação, muitas vezes em ligação com as Universidades (depois do P. Minerva, há agora o P. Galileu, o P. Viva a Escola, o P. Bibliotecas abertas, etc., etc., etc.; as Câmaras Municipais começam a exibir a sua existência com Feiras Pedagógicas; o mesmo já faz o Instituto de Inovação Educacional; cada vez mais a indústria do ensino pressiona para vender máquinas de calcular, livros escolares, etc., promovendo encontros de defesa dos seus produtos … fora da Escola (ou entrando nesta para o fazer …).”

O exemplo das futuras instalações mostrou bem a insignificância dos esforços feitos na escola para «influenciarmos» o que viria a ser a nossa futura «casa». E não foi só a DREL que se limitou a simular que nos ouvia. Também internamente a postura de muitos dos participantes nas reuniões se reduziu a estarem atentos aos seus estritos interesses.
Como consequência, as instalações escolares que viríamos a ter passados alguns anos foram planeadas para uma escola pura e simplesmente curricular – tal como o Ministério da Educação deveria pensar que deveriam ser todas as escolas.

Estávamos portanto na escola a pensar na conclusão do PEE, mas com as nossas cabeças preocupadas com as obras. Ou seja, estávamos a deslocar o nosso pensamento da «alma» da escola para o seu «corpo», e um número significativo de nós apenas pensava na sua parte do «corpo que nos era comum».
Era um muito mau sinal.

Pretendia-se, com a proposta de PEE, que Escola conta-se “com Todos”, admitindo assim a nossa “diversidade”, que prosseguissemos com a “convivialidade” que desde sempre nos caracterizara e que o reforçássemos através da criação de laços de “solidariedade”. Não queríamos ser «Uma Escola para Todos», pois o «para» indicaria uma atitude «paternalista».
Mas já não iríamos ser capazes deste golpe de asa.

Anotei também, já perto do fim do ano lectivo, as múltiplas capacidades que gerir as múltiplas reuniões nos tinham exigido, um sinal claro de que não estava a ser fácil seguir um caminho colectivo: “capacidade de iniciativa, de colocar problemas, de fantasiar, de ouvir, de racionalizar, de afrontar (a rotina, o egoismo), de organizar, de expressar o pensamento comum, de registar, de sugerir, de ser diplomata (e de o não ser), de elucidar (equívocos), etc..”



Fontes
: Pedro Esteves / Arquivador analógico ESJA Sete (doc.s 37, 38, 40, 78, 80, 81, 91 e 92) / Album fotos analógicas ESJA Nove (F130: 36A)

[085] A Ludoteca e o Laboratório de Matemática da José Afonso em 1994-95

Memórias

A separação entre a Ludoteca e o Laboratório de Matemática da José Afonso foi lenta. Durante anos foram uma só entidade situada no mesmo espaço, a Sala de Dinamização Cultural, no Pavilhão D. E em 1994-95 ainda era assim. Mas no final deste ano, quando o Conselho Directivo começou a preparar 1995-96 e me solicitou a apresentação de projectos de trabalho distintos para a «ludoteca» e para o «laboratório», deu-se um passo importante na direcção de cada um destes espaços seguir o seu caminho.
Encabeçando a respectiva folhinha A4 em que redigi cada um desses projectos encontrava-se o logotipo que antecipava essa separação:


A Ludoteca tivera em 1993-94 um ano difícil: a «Sala» foi parcialmente ocupada como Sala de Estudo (apesar do grande número de horas atribuído a professores para a animarem ela foi muito pouco frequentada) e dispôs durante muito pouco tempo do apoio de uma funcionária.
Em 1994-95 a localização da Sala de Estudos foi mudada para a área da Biblioteca e a Dona Emília, que estava na Papelaria, veio trabalhar em exclusivo para a Ludoteca. Tive  uma primeira conversa conversa com ela no dia 22 de Setembro, explicando-lhe como este espaço funcionava e quais as regras de alguns dos seus jogos e quebra-cabeças.

Houve ainda um outro tipo de apoio para a Ludoteca durante este ano. Como havia professores com horas lectivas não atribuídas, dois deles, da disciplina de Educação Tecnológica, por gosto próprio (e com o aval do Conselho Directivo), vieram dar uma ajuda a este espaço. Um deles foi o José Calado. Conversei com ele no dia 28 de Setembro; duas das horas não lectivas que lhe lhe tinham sido atribuídas foram localizadas na 4ª feira à tarde, pensando no apoio à realização dos campeonatos, e outras duas horas foram destinadas à produção de novos materiais, de acordo com o projecto que ele formulasse.

Na primeira tarde de Quarta-feira em que trabalhei na Ludoteca estive por lá durante 4 horas. Durante as três primeiras houve alunos a jogar e comecei a inscrevê-los para os Campeonatos de Escola. Um deles, o José Manuel Silvestre, que participara nas actividades do Verão anterior, solicitou alguns dos jogos que conhecera naquela altura (a Batalha Naval, o Dara, o Scrabble) e ainda experimentou outros.

A partir do dia 12 de Outubro passou a estar afixada, à entrada da Sala de Dinamização Cultural, sob a original identificação desta, uma tira de cartolina com  a palavra «LUDOTECA».
E, pouco a pouco os expositores de cortiça da sala foram organizados e identificados conforme aquilo q ue se destinavam: «JOGOS», «PUZZLES», «NOTÍCIAS e CAMPEONATOS» e «DESTAQUE DA SEMANA». E sobre uma das mesas, à semelhança do que a minha colega Ana Chorincas fizera na Sala de Estudo, foram colocados, à disposição de quem os quisesse consultar, dossiês com informações sobre jogos e quebra-cabeças.

As actividades específicas começaram depois.
A comemoração do Dia Mundial do Xadrez decorreu no dia 21 de Novembro (deveria ser no dia 19, mas, por razão que não registei, foi adiada, talvez por se tratar de um fim-de-semana,). Das 10h30 às 12h30 a Sala esteve bastante animada. Estiveram disponíveis o Maxi e o Minixadrez e eu andei envolvido numa simultânea contra uns 10 a 15 alunos, alguns dos quais por 2 ou 3 vezes; apenas perdi, como era de esperar, contra o José Carlos Lopes.

Os Campeontos de Escola iniciaram-se no dia 30 de Novembro. 56 dos 95 alunos que se haviam inscrito participaram nesta primeira sessão. A Sala esteve cheia, com 20 tabuleiros distribuídos pelas mesas: 6 para Xadrez, 4 para Damas, 4 para Abalone, 4 para Quatro em Linha e 1 para Othelo.
E assim prosseguiram, ao longo do resto do 1º e do 2º período. Os resultados finais foram os seguintes:



No dia  26 de Abril ainda foram realizadas «finalíssimas» (não me recordo da razão pela qual o foram - talvez a intenção tivesse sido a preparação para o Interescolas), sem distinção de escalões. Em Xadrez (8 participantes, todos contra todos, a uma volta), os três primeiros classificados foram o Olavo Sousa, o Anselmo Lourenço e o Peter Sousa. Em Damas (6 participantes, todos contra todos, a duas voltas), o pódio foi constituído por José Silvestre, Pedro Gonçalves e Peter Sousa. E em Quatro em Linha (6 participantes, todos contra todos, a duas voltas), destacaram-se o Emanuel Pedrosa, o João Cabral e o Peter Sousa.

O outro professor de Educação Tecnológica que veio dar apoio à Ludoteca foi o Manuel Neto, penso que com duas horas não lectivas atribuídas. Conversámos no dia 5 de Dezembro.
Se o Calado deu um grande impulso à produção de novos materiais (Soma Cubo, Torre de Hanói, Solitário, Pentaminós; e ainda três magníficos tabuleiros, dois para o Ouri e um para as Damas Chinesas), o Neto deu- em relação à manutenção (envernizamentos) e à recuperação (bases para os tabuleiros de Quatro em Linha) dos materiais existentes e que começavam a precisar de cuidados.

Para a festa de Natal da escola, o Conselho Directivo solicitou o empréstimo de tabuleiros de Quatro em Linha e de Damas e ainda de 2 Soma-Cubo. Penso que se destinaram a entreter os filhos e as filhas dos funcionários e dos professores que participaram no evento.

Para a fabricação de pelo menos um dos tabuleiros de Ouri, o Calado teve a ajuda do aluno Pedro Manuel Gonçalves, do 8º H. O destino inicial deste tabuleiro foi a Sala de Professores, onde ele esteve durrante uma semana, só então seguindo para a Ludoteca.
Aliás, pela Sala de Professores passaram, ao longo do ano, pelo menos o Ouri, o Soma-Cubo, o Solitário, o Isola, o Leopardos e Vacas, a Torre de Hanói e o Abalone.

No ano seguinte, 1995-96, estiveram lá em permanência um tabuleiro de Abalone, um de Damas, um de Quatro em Linha e outro de Xadrez. Alguns professores revelam-se jogadores incondicionais.
Tenho pena de não me recordar do ambiente que esta exuberância de meios lúdicos provocou ...

Talvez devido aos novos exemplares fabricados, os puzzles estiveram em alta na Ludoteca, tendo sido entregues soluções para vários deles, até para o Solitário (tinham sido fabricadas folhas próprias de registo para cada um deles).

Depois de o responsável pela Ludoteca ter perdido o seu primeiro jogo de Abalone contra um dos seus alunos, o Ricardo Barros, este o seu colega de turma Peter Sousa explicaram-me um pouco em que bases assentavam a sua estratégia para jogar este jogo; apenas registei que procuravam construir com as suas bolas uma figura, a que chamavam «rosa», cujos alinhamentos para resistir aos ataques das bolas contrárias só apresentava vulnerabilidades (menos de 3 bolas alinhadas) em dois dos seus extremos:

A «rosa»


Registei as suas explicações, mas nunca tive tempo para discutir com eles outras possíveis soluções, em função da articulação das dinâmicas de «ataque» e «defesa» (deveria se também essa a minha função como coordenador da Ludoteca).
Este património reflexivo era, aliás, extensível a quase todos os outros jogos. Por exemplo, no Quatro em Linha os alunos que eram bons jogadores ganhavam facilmente aos professores inexperientes, pois tinham apurado esquemas mentais de jogo que esses professores não tinham.

A Celeste Ganço, professora na Escola preparatória da Amora, solicitou à Ludoteca da José Afonso (talvez no início do 2º período) o empréstimo de tabuleiros para os seus Campeonatos de Escola: 4 Quatro em Linha, 4 Abalone e 6 Damas.

Algures durante o ano as turmas de Comunicação, no âmbito das suas actividades curriculares, iniciaram a publicitação da Ludoteca (através de um jornal de parede e do jornal «Nova Maré»), prosseguindo-o durante este ano e ainda em 1995-96.

Mas nem tudo correu bem ao longo do ano: a seguir ao Carnaval, a Sala de Dinamização Cultural esteve fechada durante algumas semanas, por falta de funcionários no Pavilhão D, só reabrindo no dia 15 de Maio, após ser colocada uma nova funcionária neste pavilhão (permitindo o regresso da Dª Emília à Ludoteca). A Dª Emília, entrevistada pelo Nova Maré, refere este encerramento como único problema da Ludoteca ao longo deste ano (mas também acrescentou que desejaria ver por lá ainda mais alunos ...)

O Laboratório de Matemática foi crescendo discretamente à sombra da Ludoteca. Aliás, uma parte das actividades desta poderia ser encarada como tendo características laboratoriais (tanto nos jogos como nos quebra-cabeças), como já ficou sugerido acima a propósito do jogo do Abalone.

Este ano a componente laboratorial da Sala de Dinamização Cultural continuou a ser a de «fornecer materiais» a quem deles necessitasse. Foi o caso da Ana Almeida e do João Rodrigues, professores de Matemática na José Afonso, que de vez em quando solicitaram materiais do Laboratório: geoplanos, calculadoras, pavimentações. Foram ainda os casos de outros professores ou professoras que solicitaram materiais para fins privados (mas louvavelmente didácticos): o Soma-Cubo para, durante as férias do Natal, «desenvolver» cognitivamente um filho; alguns sólidos geométricos para, num fim de semana, esclarecer com a filha o que é uma «face», uma «aresta» e um «vértice».

Mas também foram realizadas algumas actividades «laboratoriais» na própria Sala: os alunos de uma Escola Primária, colegas da filha de uma docente da José Afonso, vieram com a sua professora participar numa pequena demonstração de Magias com Matemática, feitas pelo responsável pela Sala (os materiais usados por este foram os produzidos para a apresentação referida no testemunho anterior); e as 100tésimas aulas da Ana Almeida com as suas turmas foram passadas na Sala de Dinamização Cultural.

No final deste ano lectivo, ficou-se a saber que, em 1995-96, a Ana Almeida e a Clorinda Agostinho iriam ter, cada uma, 2 horas não lectivas semanais para trabalharem no Laboratório. Ficaram no ar algumas ideias: o apoio à concretização dos currículos e à Área Escola, os concurso de problemas e a criação de um Clube de Matemática.


Comentários

No blogue «Cosmovivências» (https://cosmovivencias.blogspot.com/ ) já foram publicadas algumas mensagens que ajudam a perceber a ligação entre os jogos e os quebra-cabeças com a experimentação matemática, e portanto com o conceito de Laboratório (pesquisar as etiquetas «jogo» e «quebra-cabeças»).

Em 1994-95 a Sala de Dinamização Cultural da José Afonso talvez tenha atingido o seu grau mais elevado de inclusão na vida da escola (pela diversidade dos apoios que teve; pela variedade dos interessados no que ela proporcionava).
Seria importante estudar estes processos de interligação (que envolvem pessoas, espaços e projectos), para entender o que eles conseguem, e porquê, e o que eles começam a perder, e porquê. Terão de ser os próprios professores a fazer um tal estudo. Por isso me preocupo com estas descrições, por vezes um tanto pormenorizadas (e podê-lo-iam ser ainda mais), por isso continuarei a descrever o que se passou com a «Ludoteca» e o «Laboratório» da José Afonso.


Fontes: Pedro Esteves / Arquivador de documentos analógicos ESJA Seis (Doc.s 65, 66, 76, 98 e 101) / Arquivador digital Tese de Mestrado (ficheiro 4EXPR64) / Pasta do jornal analógico «Nova Maré» (Nº 35)

[078] Mais um ano na Ludoteca da «José Afonso»

Memórias

O ano lectivo de 1993-94 foi um pouco estranho para a Sala de Dinamização Cultural.

No ano anterior eu tinha candidatado a Ludoteca a mais um dos concursos promovidos pelo Instituto de Inovação Educacional, com o projecto Dos Desafios ao Laboratório / Como consolidar uma Ludoteca e organizar um Laboratório de Matemática. A candidatura foi seleccionada e apoiada com o montante exacto que tinha sido solicitado, 296 contos, possibilitando um grande acréscimo de recursos, tanto lúdicos como materiais, para os dois espaços a que o projecto se referia.
Este ano (ou talvez já antes) a escola decidira incluir as iniciativas dos projectos que envolviam extracurricularmente os alunos, portanto também a Ludoteca, no Viva a Escola (ver testemunho «077»). Mas já desde o ano anterior que o Conselho Directivo não conseguia disponibilizar uma funcionária para trabalhar na Sala de Dinamização Cultural, onde a Ludoteca sempre funcionou, pelo que ela esteve fechada durante longos períodos. Não sei se como forma de resolver este problema, foi decidido que uma parte da Sala fosse utilizada como «Sala de Estudo»: tinha sido atribuído a um grupo de professores o papel de lá apoiarem os alunos que tivessem dúvidas, ou tão só quisessem aí estudar, mas isso acontecia raramente (eu analisei os registos deixados por esses professores e verifiquei que a poupança em horas de uma funcionária era largamente ultrapassada pelo desperdício em horas desses professores).
Nestas condições, 1993-94 foi um ano parcialmente perdido para a frequência regular da Ludoteca pelos alunos, apesar de as actividades que lá se realizavam serem das mais adequadas para os objectivos do Viva a Escola (houve encarregados de educação que tomaram posição contra o encerramento da Sala).
Assim, a Ludoteca foi dependendo da utilização das minhas quatro horas semanais de redução de serviço lectivo, em grande parte usadas nas tardes de Quarta-feira (para os campeonatos de escola; para o Grupo de Investigação em Matemática) e, com alguma regularidade, para iniciativas pontuais (Dia Mundial do Xadrez; preparação do Interescolas; etc.). Mas, a dada altura (não registei quando), foi colocada na Sala uma nova funcionária, a Ana Teigão, e a Ludoteca voltou voltou a ser um local animado nos cinco dias úteis da semana.

A imaginação desse bulício inspirou-me a afixar na escola, certamente no início do ano, o seguinte cartaz, como forma de lembrar aos velhos alunos e de anunciar aos novos a possibilidade de frequentarem a Sala:


Tanto a vertente «Ludoteca» como a vertente «Laboratório de Matemática» continuaram este ano a usufruir da ligação aos professores do Núcleo Regional da Associação de Professores de Matemática. Tínhamos decidido prolongar o projecto MATlab, agora como Grupo Extracurricular do InterMAT, um novo projecto sobre que falarei no próximo testemunho.

A partir do final do 1º período os Campeonatos de Escola foram realizados e os respectivos resultados afixados desta maneira na Sala:



Comentários

Faltam, no cartaz que desenhei para anunciar / lembrar a Ludoteca, os pormenores que me recordam a alegria com que via este espaço em anos anteriores.
E na informação com os resultados dos campeonatos de escola essas faltas notam-se na forma esquemática, um tanto apressada, com que a redigi para ser afixada.

Coloco hoje a hipótese de a minha ligação à Ludoteca ter começado a fraquejar após os dois, três ou quatro primeiros anos, quando tudo dependia de mim e dos alunos (tenho testemunhos de alunos, prestados a esta distância de trinta anos, que me dizem que a existência da Ludoteca foi para eles, naquela altura, muito importante).

A Sala de Dinamização Cultural, não especialmente por albergar a Ludoteca, mas sim por ser um espaço de encontro (no sentido em que há várias pessoas e ideias que entram em contacto, que decidem fazer algo e que manifestam vontade de o continuar a fazer), foi, sem qualquer dúvida, a sala mais importante a que estive ligado como professor. Era uma sala velha, com o cheiro característico dos contraplacados já muito expostos aos elementos exteriores (não havia primeiro piso), mas era a minha sala e também a sala de muitos alunos que para lá corriam, em qualquer intervalo das aulas, desde que soubessem que ela estava aberta.
Apesar de não ser uma sala de aula, era a sala de que eu mais gostava, pois também lá se aprendiam coisas, de um modo totalmente livre.

Que poderá ter começado a acontecer em 1993-94? Terá sido a intermitência da sua abertura? Ou a dispersão permanente em que eu andava?
Como é que este possível esfriamento se iria manifestar no anos seguintes?


Fontes: Pedro Esteves / Arquivador de documentos analógicos ESJA Seis (DOC.s 28, 32, 34, 39 e 47)

[046] A Sala de Dinamização Cultural na Escola Secundária Nº 1 do Seixal, em 1990-91

Memórias

Quem entrasse na Sala de Dinamização Cultural durante este ano lectivo teria boas hipóteses de a ver tal como estas fotografias mostram (elas foram tiradas no dia 23 de Abril de 1991):

Vista geral

O Celestino Carmo e o Rui Oliveira jogando ao «Isola»

A Dona Mariana, responsável pela Sala

De certo modo, este foi um ano semelhante ao anterior, mas talvez mais intenso, e com mais ideias a surgirem.

Em 19 de Novembro, tal como em anos anteriores, foi comemorado o Dia Mundial do Xadrez:

As anunciadas «2 versões bizarras» eram o Mini-Xadrez e o Maxi-Xadrez

O 3º Torneio de Xadrez foi separado em três: o de sub-20 e sub-18, conjuntamente; o de sub-16; e o de sub-14. No final do 2º período os dois primeiros tinham terminados, destacando-se neles, só com vitórias, o Mário Barros e o José Carlos Lopes.
Eis os respectivos resultados:


O torneio sub-14 só foi concluído no 3º período, tendo o Rui Neves vencido todos os seus jogos (o José Manuel, que disputava o seu primeiro torneio, ficou em segundo, só tendo cedido um ponto frente ao vencedor do torneio):


Não tiveram grande êxito as tentativas de retomar a Oficina de Materiais com a participação dos alunos. Uma delas consistiu no seguinte folheto publicitário (os colegas de Mecanotecnia devem ter garantido previamente que arranjariam velhas peças para o efeito):


Mas, durante o ano, foi sendo equilibrada a relação entre os materiais produzidos e as respectivas fichas de apoio (ainda escritas à mão). A Sala passou a dispor de vários Quebra-cabeças (o Circuito Fechado, os Pentaminós, o Prisioneiro, o Seis Cores, o Soma-Cubo e o Tangram) e de ainda mais Jogos (a Batalha Naval, o Boxe, as Damas, o Isola, o Jogo de Black, o Jogo do L, o Policia e Ladrão, o Teeko, o Xadrez, o Maxi-Xadrez e o Mini-Xadrez).
Eis uma parte destes materiais, todos produzidos na escola (usando, sobretudo, placas de vinil), à excepto o quebra-cabeças Prisioneiro (que foi adquirido):


Quebra-cabeças

Jogos de reflexão

Alguns professores mostraram ter percebido a importância destes materiais: uma colega (teria sido a Dulce Oliveira?) pediu que lhe fossem dadas sugestões de «jogos» interessantes para os tempos livres da escola da sua filha; e o Armando Pina ofereceu à Sala um tabuleiro e peças de Xadrez executados em madeira e cortiça.

E um raro Jornal de Turma, o do 8º C, designado Expressivamente Escrevendo e coordenado por Arlinda, Ana Maria, Isabel Nunes e José Fanica, divulgou uma entrevista conduzida pelos alunos Hugo e Bruno que dá uma ideia sobre o que se fazia na Sala de Dinamização Cultural:


Comentários

Na página «Documentos» do blogue «Cosmovivências»  (https://cosmovivencias.blogspot.com/  ) estão acessíveis as regras de muitos dos quebra-cabeças e jogos referidos acima.

A Sala de Dinamização Cultural estava a desdobrar-se em várias frentes, sendo a mais visível a da Ludoteca. Também se realizavam nela eventos relacionados com a sua dimensão lúdica; e foi nela que se abrigou (por um ano) o Clube de Francês. Mas foi a acumulação que se começou a fazer nesta Sala dos materiais relacionados com a didáctica da Matemática que levou a que, durante este ano lectivo, surgisse a ideia de ainda aí incluir um Laboratório de Matemática.
A estratégia para tal seria interessante: realizava-se uma exposição no final do ano lectivo, integrando-a nas comemorações do 25º aniversário da escola, e o que para tal se produzisse seria o património com que o Laboratório depois arrancaria.
Segundo o plano que chegou a ser esboçado para essa exposição, esta seria do tipo «interactivo» (como hoje todos os museus de ciência fazem), aberta às comunidades escolar e educativa, e teria uma componente oficinal, onde seria possível produzir réplicas dos materiais que estivessem acessíveis aos visitantes, destinando-os a outras escolas. E o seu conceito educacional poderia ser traduzido deste modo (muito antes de os reformistas da educação começarem a falar em «flexibilidade curricular» 
e em «articulação do curricular com o extracurricular» …): “Como futuro Laboratório, é de realçar a filosofia pedagógica activa que se pretende concretizar: o espaço aula, em transformação, deve ser apoiado por outros espaços que tornem o processo de ensino-aprendizagem mais maleável aos ritmos e aos interesses de cada um.”
Eis os conteúdos para essa exposição que este plano recenseou:



Houve, infelizmente, trabalho em demasia; pelo que esta exposição nunca foi realizada.


Fontes: Pedro Esteves / Arquivador analógico ESJA Três (Doc.s 106, 108, 111, 118, 119, 122, 130, 147 e 161) / Arquivador digital Tese de mestrado (4EXPR64) / Álbum de fotografias analógicas ESJA Três (F101: 11, 12, 33, 34 e 35)

[032] A Escola Secundária Nº 1 do Seixal em 1989-90: Novembro e Dezembro

Memórias


Quem participou na reunião do Conselho Pedagógico no dia 8 de Novembro soube que:
Uns dias antes se tinham reunido na Escola cerca de 150 a 200 Encarregados de Educação para apreciar os problemas das instalações;
No dia 22 de Novembro os Conselhos Directivos da AP12 (Área Pedagógica 12) se iriam reunir para tomar decisões sobre os problemas com os Funcionários das respectivas escolas (previa-se que no fim de Novembro sairiam 13 desta Escola e que no distrito de Setúbal sairiam cerca de 600 [mais tarde o ME autorizou a sua continuação por mais duas semanas]; entre as 28 escolas da AP12, só na Escola Secundária Anselmo de Andrade, na Escola Secundária da Amora e na Escola Secundária do Fogueteiro não se previa vir a ocorrer este problema);
No dia 15 de Dezembro se realizaria o Corta-Mato da Escola (estando previstas outras actividades em paralelo), havendo para tal interrupção total de aulas.

As reuniões intercalares realizaram-se nos dias 10 e 11 de Novembro.

Não me recordo se se concretizou a interrupção das aulas, por 2 dias, para discutir o Estatuto da Carreira Docente proposto pelo Ministério da Educação.

No dia 18 de Novembro, tal como no ano anterior, voltou a ser comemorado o Dia Mundial do Xadrez. Eis um dos cartazes que desenhei para este evento:


O 1º Torneio de Xadrez, disputado no ano anterior, tinha sido subdividido em dois níveis etários, «juvenis» (com 5 participantes, sendo vencedor o Alexandre Felício) e «juniores» (com 4 participantes, sendo vencedor o Mário Barros).
Este ano, nas tardes das Quartas-feiras do 1º período, de novo na Sala de Dinamização Cultural, disputou-se o 2º Torneio de Xadrez, com os mesmos dois níveis etários: era «juvenil» o aluno que tivesse menos de 16 anos no dia 1 de Setembro de 1989; e era «júnior» o que tivesse entre 16 e 20 anos nessa data.
Os resultados dos dois torneios foram registados no nº 1 do boletim «XADREZ notícias», afixado, em Março, na Sala de Dinamização Cultural:



No final do 1º período foi disputado o 1º Concurso de Quebra-cabeças, constituído por 5 provas (ver as diferenças; determinar a posição de números; resolver palavras cruzadas; encontrar a saída de um labirinto; colocar colunas na posição correcta). Participaram 5 alunos (que foram para a Sala de Dinamização Cultural com a intenção de jogar mas que, em alternativa, decidiram participar no concurso): um do 7º, dois do 8º, um do 9º e um do 10º. Os vencedores foram o Rui Pinela (9º ano) e o Luís Raimundo (8º ano), com 34 pontos em 35 possíveis, seguidos pelo Luís Leitão (10º ano), com 33 pontos.

Entretanto o Conselho Directivo aceitou para a Direcção de Instalações da Sala de Dinamização Cultural o José Fernando Santos e o Henrique Oliveira, ambos professores de Matemática.

O 1º período lectivo terminou no dia 15 de Dezembro.

Comentário

Não possuo qualquer informação sobre se foram disputados nesta Escola outros torneios de Xadrez antes destes dois, e se houve prática regular desta modalidade.

Fontes: Pedro Esteves / Arquivador analógico ESJA Dois (Doc.s 62, 65, 66, 80, 81 e 104)

[031] A Escola Secundária Nº 1 do Seixal em 1989-90: Setembro e Outubro

Memórias

Em 1989-90, com a eminente abertura de mais uma escola nas proximidades, a «Escola Secundária do Seixal» passou a ser oficialmente chamada «Escola Secundária Nº 1 do Seixal» (na altura coloquei o «Nº 1» no fim do nome; hoje prefiro colocá-lo no meio).

A primeira reunião do Conselho Pedagógico decorreu no dia 11 de Setembro.
Durante ela soube-se que:
O «Portugal dos Pequeninos» se iria manter, dado o Ministério da Educação ter imposto mais 6 turmas à Escola;
Haveria turmas de repetentes, no 7º e no 8º anos, com o máximo de 25 alunos (eu iria ser professor de uma dessas turmas);
Os Conselhos de Turma ir-se-iam reunir antes de as aulas começarem, sendo-lhes solicitada a elaboração de um mini-plano de trabalho para a respectiva turma;
Em Novembro, os Conselhos de Turma teriam reuniões intercalares, e novamente em Março;
A Semana da Escola seria realizada de 7 a 10 de Março, com a total interrupção das aulas;
A formação inicial seria acompanhada, a partir deste ano, pela Universidade Aberta, além das Escolas Superiores de Educação que já estavam envolvidas.
Para terminar esta primeira reunião, foram constituídas as «secções» que trabalhariam ao longo do ano (entre parêntesis, os grupos disciplinares dos respectivos membros):
Secção de Formação: Vítor Louro (2º A); Alice Santos, Lurdes Brites e Manuela Vieira (8º A / B); João Louro (10º A); Lurdes Martins (11º B); Palmira (Educação Física); e Alfredo Monteiro (Conselho Directivo);
Secção pedagógica: Pedro Esteves (1º); Vítor Campos (4º A); Gancho (6º); Óscar (7º); Sérgio Contreiras (8º A / B); José Calado (12º B); Gomes (Coordenador do Técnico-Profissional); Ana Chorincas (Coordenadora dos Directores de Turma);
Secção Cultural: Luís Rosado (2º B); Ana Cristina (5º); Julieta (9º); Fátima Teixeira (10º B); Paula Viegas (11º A); Francisco Sacramento (12º A); José Calqueiro (12º C); Emília (12º D); e Isabel (Religião e Moral).

No dia seguinte a Secção Pedagógica elaborou um guião para os primeiros Conselhos de Turma. Nele se recomendava atenção a: “nível de conhecimento dos alunos (ex.: o que se sabe dos anos anteriores? lançar um inquérito? etc.); nível de relação com o aluno (como garantir a convergência de atitudes dos professores? como estimular a participação dos alunos? etc.); nível de trabalho com o aluno (como rentabilizar as visitas de estudo? como explorar os recursos didácticos da Escola? etc.); nível da avaliação do aluno (que critérios» que linguagem una? que incentivo positivo à personalidade adulta em formação no adolescente? etc.).”

Na primeira reunião do Grupo de Matemática foi lembrada a proposta de Plano de Actividades elaborada no final do ano anterior, baseada nas sugestões do grupo; nela figurava a intenção de se proceder a experiências pedagógicas no 7º ano (6 turmas), nas turmas de repetentes do 8º ano e na turma de manutenção mecânica do 10º ano (técnico-profissional); apenas eu decidi concretizá-la nas minhas turmas, incluindo nela o «trabalho de grupo»; o grupo foi ainda informado de que a sala onde reunia e onde tinha os materiais do grupo, situada no piso inferior do pavilhão C, fora atribuída aos funcionários auxiliares.
Os níveis lectivos foram assim distribuídos pelos «professores efectivos» do 1ºgrupo (mais tarde seriam colocados os «provisórios»):


As aulas começaram no dia 21 de Setembro.

Couberam-me três turmas do 7º ano, mais o 12º ano do Técnico-Profissional de Manutenção Mecânica (a turma com que trabalhava desde o 10º ano).
As do 7º ano eram o 7º F, que tinha como opções a Electrotecnia e a Mecanotecnia; o 7º H, com a Mecanotecnia e os Têxteis; e o 7º I, com as Práticas Administrativas e a Electrotecnia.
Eis os alunos destas três turmas:








E eis o meu horário (com aulas em salas situadas por quase toda a escola):


Desde o início deste ano a Sala de Dinamização Cultural teve uma funcionária própria, a Dona Carolina, que ai trabalhou até ao fim de Fevereiro.

As actividades de Xadrez foram integradas no Núcleo do Desporto Escolar (o que não se repetiria).

O Conselho Pedagógico voltou a reunir nos dias 4 e 11 de Outubro.
Esta última reunião mereceu-me 7 páginas A4 de notas manuscritas. Ao relê-las, senti o empenho de quase todos os membros do Conselho Pedagógico na organização «imediata» da escola (caso das regras para a Semana da Escola, que ficaram definidas durante este mês). Mas também senti como a luta pela organização da escola a «médio prazo» era inglória (caso da proposta do João Louro para que a “relação pedagógica” fosse o grande tema do Plano Anual de Actividades). E, sobretudo, senti a ausência de esforços para perspectivar a generalidade do trabalho na Escola a «longo prazo», que igualmente se verificou em relação à própria docência (os sindicatos dos professores estavam, por essa altura, a procurar melhorar a proposta do Ministério da Educação sobre o futuro Estatuto da Carreira Docente) e aos “riscos” a ela associados, “o menor dos quais será os professores servirem-se da Escola, em vez desta estar ao serviço dos alunos e da Comunidade”.
Uma das queixas expressas nestas reuniões: a falta de locais de trabalho para os professores.

Uma das críticas: a opacidade da distribuição do Orçamento (foi repetida em ocasiões posteriores durante este ano lectivo).
E uma das informações: o João Fernandes coordenaria este ano o Desporto Escolar.

Com data de 11 de Outubro, o Diário da República publicou o, onde se definia o Ordenamento Jurídico da Formação Inicial e Contínua dos Educadores de Infância e dos Professores dos Ensinos Básico e Secundário.

Comentários

Numa das reuniões do Conselho Pedagógico afirmei ter havido «falta de cuidado» na constituição das equipas de professores para as turmas de repetentes, sobretudo por ter contrastado com o «cuidado» havido na constituição da equipa de professores de uma turma que integrava filhos de diversos professores.

A decisão de propor a elaboração de um plano de trabalho para as turmas, tomada pelo Conselho Pedagógico, lembra-me o que aconteceu, mais de uma década depois, com a lei que obrigou à elaboração dos PCTs (Planos Curriculares de Turma).
Como se verá adiante, as coisas nem correram bem em 1989-90; mas também não iriam correr bem mais tarde. Por um lado, a «mera proposta»; por outro, a «estrita imposição». Foram dois exageros. Penso que seria preferível proceder a experiências voluntárias, através das quais equipas motivadas para isso identificariam o que era e o que não era útil e viável fazer, antes de pensar em qualquer tipo de «generalização».

Fontes: Pedro Esteves / Arquivador analógico ESJA Dois (Doc.s 62, 81, 104, 115, 116, 117 e 118)