O tema inicialmente escolhido para o 3º Círculo de Estudos foi o “Trabalho no Laboratório de Matemática no âmbito das TIC”. No entanto, por falta de recursos informáticos em quantidade suficiente (computadores e software), o Grupo adoptou um segundo tema: a “História da Matemática”.
Os professores escolhidos como formadores foram o Olímpio Pereira, a Ana Almeida e o Pedro Esteves (mas, de facto, todos éramos «formandos» e «formadores»).
O tema que teve maior participação, nomeadamente através de pequenas (mas
muitas) «sessões práticas», foi o da História da Matemática. A meio de Março o
estado da nossa compreensão das suas etapas ocidentais era o seguinte:
No final foi necessária que um «especialista» elaborasse um relatório sobre como as coisas tinham decorrido. Não me recordo de tal exigência ter sido feita nos dois Círculos de Estudos anteriores, mas lembro-me de ela continuar a ser feita nos seguintes. Coube-me a mim o papel de especialista (o Centro de Formação ainda não disporia de outros, e eu talvez fosse elegível por já ter sido aprovado na parte curricular do mestrado). Do relatório que elaborei, destaco a seguinte trecho, que me parece útil para ajudar a pensar situações semelhantes:
Como “ponto de partida para a compreensão do que é uma cultura de formação integrada no quotidiano profissional”, poderão ser observados (neste caso concreto as observações serviam para fundamentar a proposta de creditação individual):
* o “envolvimento de conhecimentos pessoais interessantes para a profissão no trabalho colectivo (trabalho de participação)”;
* a “apropriação de conhecimentos externos e sua incorporação no sistema pessoal de construção da profissão (trabalho de assimilação)”;
* a “formulação de problemas profissionais em relação aos quais os dois anteriores trabalhos ganham significado colectivo (trabalho de pensar o trabalho)”;
* a “formulação de problemas de estruturação e de formalização dos anteriores trabalhos (trabalho de pensar o pensamento).”
As actividades extracurriculares e as associadas às instalações e equipamentos do Laboratório de Matemática foram, durante este ano, coordenadas conjuntamente pela Clara Alves, pela Paula Duarte e pelo Pedro Esteves.
Nas primeiras foram incluídas:
* as Olimpíadas de Matemática: este foi o segundo ano em que condicionámos a participação neste concurso, organizado pela Sociedade Portuguesa de Matemática, a uma preparação prévia, de 3 a 4 semanas; para esta, foram usados problemas das anteriores edições e «Desafios» do jornal «Público»; houve um grupo de alunos que se interessou e que continuou a fazer essa preparação mesmo depois de ter participado na 2ª eliminatória (foram eles, a Elsa Araújo, o Hugo Silvestre e a Marisa Soares, todos do 11º A); na concretização desta iniciativa estiveram envolvidos a Ana Almeida, o João Rodrigues, o Mário Rosa e o Pedro Esteves;
* a Janela da Matemática: esta já tinha tido soluções provisórias nos anos anteriores; desta vez passou a ter um expositor colocado à entrada do novo Pavilhão (o Olímpio Pereira tratou de o comprar), aí inaugurado no início do 2º período; a Ana Almeida e a Isilda Polónio incluíram nele rubricas mais ou menos permanentes (História; Curiosidades; Notícias) e mantiveram actualizadas as informações sobre o Concurso Interturmas; tanto os alunos como os professores, quer de dia quer à noite, mostraram bastante curiosidade por este novo media;
* o Torneio de Problemas Interturmas: tratou-se do primeiro dos torneios concebido para equipas, sendo destinado apenas às turmas do 3º Ciclo; foram constituídas 14 equipas, de 7 turmas, sendo 3 do 7º ano, 2 do 8º ano e 2 do 9º ano; como não foi estabelecida a obrigatoriedade de essas equipas serem constituídas por um número mínimo de alunos, metade delas acabaram por ser compostas por um só aluno; no total, elas foram compostas por 23 alunas e 6 alunos, estando todos os professores do 3º Ciclo envolvidos no processo (publicidade; distribuição dos problemas, centralização das respostas); a média da classificação das respostas dadas foi superior a «4», numa escala «de 1 a 5», havendo dois critérios suplementares para a sua apreciação, a “generalização” e a “estética”; ficou por pensar se nos próximos concursos os problemas seriam “abertos ou fechados”, “abstractos ou concretos” e “exigindo ou não pré-requisitos”;
* a Escola em Festa: foi durante este evento, uma espécie de Semana da Escola, que os prémios do Torneio de Problemas foram entregues; o Grupo de Matemática não se envolveu nela para elém disso;
* a Direcção de Instalações: o inventário do equipamento do Laboratório foi feito ao longo do 1º período (exceptuou-se uma parte dos materiais manipuláveis e grande parte do material bibliográfico e informático; como os professores do grupo estavam a usar crescentemente todos estes materiais (na escola, eles encontravam-se no Laboratório, na Sala de Professores, na Sala E10, na Janela da Matemática e no Centro de Recursos), ficou claro que seria necessário criar formas de os divulgar e desenvolver guiões que apoiassem a utilização de alguns deles.
Eis um dos problemas do Torneio Interturmas:
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| Os restantes documentos são acessíveis a partir de
«Concursos de Problemas», na página «Documentos» deste blogue |
Comentários
A regulamentação da formação continua não era simpática para os professores. Ela pressupunha, em muitos dos seus aspectos, uma relação de controlo sobre eles, de que a necessidade de um «relatório do especialista» era exemplo. Esse relatório não era necessário se a modalidade de formação fosse um Curso, pois aí quem controlava os professores era o formador; no caso de um Círculo de Estudos, em que o relacionamento entre «conhecimentos» e «formandos» era mais aberta, a regulamentação vestia-se de desconfiança e impunha a verificação pelo especialista. Os professores, em geral, não eram considerados capazes de autonomia.
As focagens de que gostei ao reler o meu relatório parecem-me muito importantes porque se referem a quatro tipos de acção bastante afirmativas (ou seja, nada passivas) por parte de cada professor (que assim assume o carácter duplo de formando e formador):
* os conhecimentos com que contribui para o colectivo “(trabalho de participação)”;
* a apropriação (ou seja, a transformação segundo o seu modo de ver) de conhecimentos externos “(trabalho de assimilação)”;
* a integração dos anteriores conhecimentos no quadro conceptual da profissão “(trabalho de pensar o trabalho)”;
* a eventual actualização do quadro conceptual da profissão “(trabalho de pensar o pensamento).”
Isso pode ser diagramado assim:
Fontes: Pedro Esteves / Arquivador analógico ESJA Oito (Doc.s 47, 51, 52, 53 e 54)
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