Memórias
Em 25 Outubro de 1999, perto da transição de milénio, e mantendo-se António Guterres como primeiro-ministro, o cargo de ministro da educação passou das mãos de Eduardo Marçal Grilo para as de Guilherme de Oliveira Martins, que se manteria neste cargo até 14 Setembro 2000, ou seja, aproximadamente durante todo este ano lectivo.
Foi durante este ano que o Ministério da Educação iniciou a implementação do programa Avaliação Integrada das Escolas, que vigoraria durante três anos.
Foi também neste ano que foi publicado o Decreto Regulamentar nº 12/2000, de 29 de Agosto, fixando os requisitos necessários para a constituição de agrupamentos de estabelecimentos de educação pré-escolar e do ensino básico, bem como os procedimentos relativos à sua criação e funcionamento.
Paralelamente ao sistema educativo, no âmbito do associativismo docente, muitos
professores de Matemática começaram este ano lectivo participando em encontros
profissionais: nos concelhos de Almada e Seixal, de 8 a 10 de Setembro, o Núcleo
da APM realizou o seu IX Encontro Regional na Escola Secundária Fernão
Mendes Pinto (Pragal). Eis a capa das respectivas actas:
E, vindos de todo o país, aqueles e outros professores encontraram-se em Portimão, de 10 a 13 de Novembro, para mais um ProfMAT. Qualquer destes encontros será referido em próximos testemunhos.
Comentários
As mudanças do sistema educativo iniciadas pelo ministro Marçal Grilo dois ou três anos antes estavam a chegar ao seu ponto de completude: elas eram curriculares, mas também organizacionais, e não descuravam a avaliação de umas e de outras.
Indo mais longe do que na reforma anterior, impulsionada por Roberto Carneiro, o Ministério da Educação estava desta vez a ser capaz de criar e implementar instrumentos que lhe permitiriam um controlo apertado do sistema educativo: o refinamento e radicalização desses instrumentos nos anos seguintes iria terminar com as iniciativas locais dos professores, surgidas sobretudo depois da revolução de 1974.
Mas estas mudanças também se estavam a infiltrar no associativismo docente, quebrando-lhe a autenticidade das iniciativas, como se verá em futuros testemunhos.
Fontes: ministros da Educação (Wikipédia); avaliação integrada das escolas (Clímaco, 2006; pp. 197-200)
