Memórias
Houve um Círculo de Estudos com raízes ligeiramente anteriores às do 1º Círculo
de Estudos do Grupo de Matemática da Escola Secundária José Afonso: foi
designado por Um
Círculo sobre as Pavimentações e decorreu na sede da Associação de
Professores de Matemática, na altura situada num pavilhão da Escola Superior de
Educação de Lisboa.
Se o seu “Registo de acreditação” (que foi:
“CCPFC/ACC-6696/97”) é o que há de menos
interessante a dizer sobre ele, os seus “Objectivos
a atingir” são a sua primeira característica a que vale a pena prestar
atenção: pessoalmente, os objectivos seriam “constituir
um ambiente colectivo agradável para a realização de pesquisas sobre
pavimentações de modo a favorecer a curiosidade com que cada um escolheu
estudar este tema”; profissionalmente, “estudar
as principais bases matemáticas das pavimentações e algumas das suas ligações a
temas confinantes, explorar algumas das suas potencialidades pedagógicas e
reflectir sobre o papel dos Professores no desenvolvimento curricular”;
e curricularmente, “publicar propostas de
actividades sobre pavimentações e os correspondentes materiais pedagógicos.”
Uma segunda característica deste Círculo de Estudos foi a origem dos seus
participantes: eles vieram de Almada e Seixal, de Lisboa e de Leiria,
A primeira sessão ocorreu no dia 6 de Setembro de 1996 na sede da APM, tendo
estado presentes a Adelina Precatado, a Ana Lebre, a Catarina
Ferreira, a Célia Catulo, a Elvira Ferreira, a Helena
Amaral, a Leonor Vieira, a Manuela Pires, a Paula
Teixeira, o Pedro Esteves e a Rita Vieira, um grupo cujos focos de trabalho
profissional abrangiam todo o arco do ensino não-superior, isto é, do 1º Ciclo
ao Secundário.
Tratou-se de uma reunião destinada a definir intenções, tendo já contado com o
trabalho prévio que alguns dos presentes já tinham feito no Centro de Recursos
da APM, nomeadamente sobre custo dos materiais destinados a uma eventual
publicação.
Os primeiros desafios tiveram a ver com a conceptualização das Pavimentações e
com as suas ligações e distinções em relação aos padrões do plano (em
particular os Frisos e os Papéis de Parede). E também com a consciência de que
existiam Pavimentações
Períódicas (as comuns na Engenharia e na Arquitectura), Pavimentações Não
Periódicas (como as de Penrose) e, mais difíceis de abordar, Pavimentações Não
Euclidianas (caso das célebres contribuições do não matemático
Escher).
Ao fim de duas sessões a Catarina deixou o grupo, pois não conseguia conciliar
o trabalho que ele exigia com o requerido por outros empenhamentos
profissionais. Mas na quarta sessão o grupo passou a ter a participação da Josefa Costa.
Para podermos trabalhar com o subgrupo de Leiria organizámos diversas sessões
que contaram com as manhãs e as tardes de um Sábado, como aconteceu na mais
longa, que ocorreu em 10 de Maio de 1998 e que durou 7 horas!
No total, ultrapassámos um pouco as 50 horas.
Foi a partir deste Círculo de Estudos que alguns de nós decidiram realizar
intervenções no ProfMAT realizado na Figueira da Foz (nomeadamente nos
Laboratórios de Matemática referidos no testemunho «111»).Fiquei de fazer uma capa para a pasta com os textos de apoio, as fichas de
trabalho e os respectivos materiais manipuláveis. E também fiquei de desenhar
um «pin» que acompanharia a pasta. Estas são as primeira e segunda versões do
«pin» (mostrarei a definitiva no próximo testemunho) e através delas se percebe
que a ideia inicial era a da repetição de um «golfinhos», que depois se
transformou em «cachalotes» (ou «baleias») por razões práticas do
desenho-pavimentação (baseada na repetição de um paralelogramo):%201%C2%AA%20vers%C3%A3o%20do%20Pin.jpg)
Comentários
Do relatório final, que me coube redigir a partir dos contributos de todos (e
portanto também do meu) destaco duas ideias:
* se existiu um “formador
formal”, é preciso não esquecer que “nesta
modalidade de formação o papel de formador
real é assumido por todos os participantes”; e
* “a organização deste círculo de estudos foi
bastante informal e baseada nas contribuições de todos e no bom entendimento
entre todos. É de admitir que esse seja o resultado da experiência já acumulada
pelos 11 professores participantes e também do conhecimento que tinham, à
partida, uns dos outros. Além de co-formação, tratou-se de co-organização.”
Fontes: Pedro Esteves / /
Arquivadores analógicos ESJA Sete (doc. 113), APM Três (doc.s 53 e 54)
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